quinta-feira, 6 de março de 2008

De olho nas novas regras

"Patinadas como essa prometem ser mais constantes".


Como Felipe Massa disse nesta semana em entrevista coletiva no Brasil, a Fórmula 1 tende a ser mais humana em 2008 graças à proibição do controle de tração, dispositivo responsável por evitar a patinação das rodas e, conseqüentemente, o culpado pelo baixo índice de erros dos pilotos nos últimos anos.

Esta, porém, não é a única novidade contida no regulamento da categoria. Uma boa hora, portanto, de lembrarmos o que passa a valer a partir do dia 16 de março, no GP da Austrália.

A abolição do TC (traction control) é de fato o centro das atenções, afinal promete tornar as largadas mais interessantes, aumentar as chances de ultrapassagens e deixar os competidores mais suscetíveis aos deslizes, escapadas, rodadas, principalmente em situações de chuva.

Outra mudança bastante discutida foi a padronização da centralina eletrônica dos carros, componente encarregado de monitorar o desempenho das máquinas e limitar a interferência dos sistemas eletrônicos na pilotagem.

Batizado de ECU (Unidade Central Eletrônica, na tradução para o português), o software gerou certa polêmica por ter sido desenvolvido em conjunto pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e McLaren, o que obviamente beneficiou o time inglês por já conhecer o aparato e não precisar adaptá-lo ao seu monoposto, como fizeram as demais escuderias.

A questão da vantagem, na verdade, nunca foi o motivo principal do debate sobre o novo dispositivo. O que aflige algumas equipes é a possibilidade de haver trapaça por parte do esquadrão prateado. Claro, pois se chegaram ao ponto de se valer de informações sigilosas de uma adversária em 2007, por que não aproveitar a familiaridade com o ECU para realizar algo fora dos padrões estabelecidos pelas regras?

A entidade suprema do esporte a motor, no entanto, garante que o sistema será fortemente fiscalizado para evitar a malandragem não de um, mas de qualquer time. Resta saber como será na prática.

Passemos para outra novidade, relacionada à caixa de câmbio. A partir de agora, ela precisa resistir a quatro etapas. Se trocada antes, por qualquer motivo, custará a perda de cinco posições no grid.

Os motores, assim como nos últimos anos, devem ter vida útil para dois GPs. A única diferença é que os pilotos passam a ter uma “colher de chá”. Em caso de pane, podem trocar de propulsor uma única vez sem sofrer punição. O benefício, contudo, só não vale se for utilizado na última etapa do mundial. Nesse caso, bem como para aqueles que tiverem problemas de motor por mais de uma vez, haverá as penalidades já conhecidas: perda de dez posições no grid se a troca acontecer antes da classificação ou largar em último se a mudança de motor for feita após o treino oficial.

O ensaio classificatório segue dividido em três partes, mas com alguns ajustes. O Q1, que elimina os seis pilotos mais lentos, aumentou de 15 para 20 minutos. No Q2, onde uma nova meia dúzia é descartada, os corredores continuam com 15 minutos para marcar tempo. Já o Q3, em vez de 15 minutos, passa a ter apenas dez.

A redução foi feita para acabar com as chatas voltas em que os competidores andavam somente para queimar combustível. A gasolina consumida nesta última etapa do treino, aliás, não poderá ser reposta como antigamente. Logo, os dez primeiros do grid terão de ir para a corrida com o que restar no tanque. Ótima notícia para as estratégias!

Essas são as mudanças da F-1 para 2008. Seus efeitos, positivos ou negativos, começam a ser exibidos na próxima semana, em Melbourne.

3 comentários:

Reginaldo disse...

Estou torcendo para termos muitas corridas com chuva. Aí sim veremos quem sabe acelerar de verdade sem o TC. No seco, acho que não vai mudar muita coisa.

Francisco disse...

Gostei das modificações no treino oficial. Será que poderemos ter surpresas na pole position?

Thiago Santos disse...

Mais ultrapassagens? Não sei não...Acho que vamos nos frustrar quanto a isso. Penso que as coisas só irão melhorar quando proibirem o monte de apêndices aerodinâmicos que são instalados nos carros. só assim para acabar com a alta turbulência gerada ao se pegar o vácuo.