domingo, 23 de março de 2008

Brasileiro quebra ovo de páscoa italiano

Que a Ferrari venceria na Malásia, estava mais do que na cara. Somente um problema estragaria a dobradinha do time italiano em Sepang, neste domingo. “Façanha” essa que coube a Felipe Massa em um outro triste capítulo de “eu não sei o que houve”.

O brasileiro errou de novo. Perdeu a vitória no primeiro trecho da corrida, ao não conseguir se distanciar do companheiro para voltar do pit-stop na ponta. Depois disso, jogou fora um segundo lugar importantíssimo tanto para ele quanto para a equipe ao perder a traseira do carro, rodar e atolar na brita.

Foi isso que aconteceu, caso Felipe ainda não tenha se dado conta. Seja por falha do equipamento ou do piloto, o fato é que já se foram duas etapas de um campeonato que promete ser mais apertado que o de 2007. E enquanto o brazuca segue zerado na classificação, Kimi Raikkonen já enxerga de perto a liderança da tabela.

O campeão do mundo alcançou com extrema facilidade a 16ª proeza de sua carreira. Ao estilo Schumacher, soube acelerar nos momentos certos para assumir a primeira posição na parada de box. Fez a lição de casa e, obviamente, ganhou uma dose extra de prestígio dentro da escuderia de Maranello.

Como diria Machado de Assis no livro Quincas Borba, ao vencedor as batatas. No caso de Raikkonen, a vitória e — muito possivelmente em breve — o status oficial de primeiro piloto para a luta pelo bicampeonato.

Assim são os negócios, para o azar de Massa, que insiste em não assumir seus erros e, neste ano, alongar seu “início de temporada”. Segundo ele, agora será no Bahrein. Se não for mesmo lá, pode se conformar em ser o escudeiro do finlandês.

Com o abandono de Felipe, quem se deu bem foi Robert Kubica. O piloto chegou em segundo lugar, após uma corrida sólida e sem erros. Fez aquilo que Massa deveria ter feito: ter consciência das possibilidades na prova e buscar o resultado que estivesse ao seu alcance.

Esse foi o segundo pódio do polonês na F-1 — o primeiro fora no GP da Itália de 2006, quando terminou em terceiro. A cada etapa que passa, Kubica demonstra ser um ótimo competidor, apesar de muito feio. A meu ver, será o responsável pela primeira vitória da BMW, a ser conquistada ainda em 2008.

Outro merecedor de elogios em Sepang foi Heikki Kovalainen, que na McLaren tem conseguido mostrar seu talento. Subiu no pódio em terceiro, em um fim de semana que derrotou o companheiro Lewis Hamilton. Um excelente saldo para o nórdico, que tende a evoluir bastante nesta temporada.

E o que dizer do quarto lugar de Jarno Trulli? Simplesmente fantástico para ele e a equipe japonesa. Finalmente, os milhões investidos estão trazendo alguns frutos. Que continuem nesse caminho.

Chegou a hora de falarmos sobre Hamilton, o quinto colocado. Em resumo, não foi genial como de costume. Fez uma ótima largada e impressionou ao contornar algumas curvas como se estivesse guiando um kart. Apenas isso. No mais, pecou pela “inexperiência” dos mecânicos da McLaren com a troca da calota e pelo erro de estratégia dos pneus. Se tivesse dado preferência pelos compostos duros, teria chances de brigar pelo pódio.

Nick Heidfeld, o sexto, leva os louros da melhor volta e ultrapassagem da corrida. David Coulthard e Fernando Alonso certamente ficaram mordidos com a manobra do alemão, que aproveitou a briga dos dois para ultrapassá-los de uma só vez. Malandro e oportunista. É isso aí!

Antes do último pit-stop, Mark Webber perguntava sobre sua vantagem em relação a Alonso. E com razão, já que o espanhol o pressionou até a bandeirada final, mas sem conseguir superá-lo. Boa prova do australiano, que garantiu os primeiros pontos da Red Bull no ano.

Já Alonso, apesar do pontinho com o oitavo lugar, não teve muito que festejar. A Renault está muito atrás das grandes equipes e o talento do bicampeão não é o bastante para fazer milagres. Precisam trabalhar pesado para voltar aos dias de glória.

Dos demais brasileiros, destaque para Nelson Piquet, que fez sua primeira corrida de verdade. Razoável, mas ao mesmo tempo satisfatória considerando-se as limitações do carro e o fato de ter andado próximo do companheiro nos treinos. Seguir no encalço do asturiano; é o que precisa continuar fazendo.

A Honda e Rubens Barrichello voltaram à normalidade. O veterano terminou em 13º, três posições atrás de Button e com direito a uma nova penalidade, desta vez por excesso de velocidade nos boxes. Será que gostou da brincadeira de punição? Tomara que não.

Já que estamos em domingo de Páscoa, vamos dar o prêmio de chocolate amargo de Sepang para a Williams. Má nos treinos, péssima na corrida, em que pese a bonita ultrapassagem de Nakajima — por fora — sobre Sebastian Vettel. Um fim de semana para ser esquecido.

Apesar de monótono e cansativo em alguns momentos, o GP da Malásia deixou um bom panorama na classificação do mundial. Hamilton segue na liderança, mas já vê Raikkonen de perto, com três pontos a menos.

O próximo encontro é daqui a duas semanas, no Bahrein. Mas até lá, muitas notícias hão de repercutir, muitas delas envolvendo Massa. Por culpa dele mesmo.

9 comentários:

William disse...

O Massa é o Mansell da Fórmula 1 atual. Acelera muito, mas faz muita cagada.

Alex disse...

Ótima comparação. Mas uma pena para os brasileiros. O título deve mesmo ficar entre o Hamilton e o Kimi.

Anônimo disse...

MEXEU COM SÃO JORGE SE ESTREPOU, ACABOU NA BRITA!!!!!.....

Fernando disse...

Quero ver qual vai ser a postura da Ferrari já no GP do Bahrein. Não é de se estranhar se já começarem a privilegiar o Raikkonen. Se deu mal, Felipe!!!

Beto Souza disse...

No Bahrein, o domínio da Ferrari deve ser ainda maior que o de Sepang. E se não quebrar, Raikkonen vai vencer fácil fácil.

João Ernesto disse...

Só queria saber o motivo pelo qual o pit-stop do Raikkonem foi mais rápido que o do Massa.

Independente dos erros do Massa, acho que a Ferrari está mostrando, de novo, que gosta de dar preferência a quem lhe custa mais.

Daniel disse...

Não acho que o tempo do pit-stop tenha sido o fator decisivo para a ultrapassagem do Raikkonen. Ele foi mais rápido na pista, nas duas voltas anteriores a parada.

Anônimo disse...

O Massa pisou feio no tomate... Prova de que o controle de tração faz, sim, muita diferença.

João Vitor disse...

Verdade, o controle de tração! Tinha me esquecido desse detalhe.