domingo, 3 de agosto de 2008

Coisas do esporte

Juan Manuel Fangio se foi há 13 anos, mas uma brilhante frase do argentino jamais sumirá enquanto existirem as competições do esporte a motor: “Carreras son carreras”. Corridas são corridas e só acabam após a bandeirada.

Faltaram três voltas para Felipe Massa concretizar em vitória uma de suas mais belas atuações na Fórmula 1. Uma largada arrojada e calculada para saltar de terceiro para a liderança. Uma tocada firme e constante durante todo o GP para o espanto de todos que apostavam no domínio das McLaren. Uma dose de sorte com o problema de pneu enfrentado por Lewis Hamilton. Um motor estourado no finzinho da etapa. Revolta, decepção, lágrimas.

O brasileiro não levou, mas foi o grande nome da corrida húngara. Pilotou soberano do princípio ao fim. Uma pena que o desfecho tenha lhe tirado chance de retomar a liderança da classificação. Saiu no prejuízo ao cair para a terceira posição da tabela.

Azar de uns, sorte de outros. No caso, o sortudo do dia foi Heikki Kovalainen, o centésimo vencedor da história da categoria. Caiu no seu colo esta conquista, mas o finlandês pouco se importou, vibrando muito no pódio. Certo ele, um nórdico fora dos padrões de frieza. Este sorri e fala bastante, ao contrário do compatriota Kimi Raikkonen.

O campeão do mundo terminou em terceiro, numa atuação semelhante a que havia exibido em Hockenheim. “Morto” nos treinos e durante dois terços da corrida, porém extremamente veloz no final. Difícil entender. Com os problemas dos rivais, colocou-se novamente na briga pelo Mundial, embora seja pouco merecedor — ao menos por enquanto — do bicampeonato.

Entre os finlandeses, a boa surpresa da etapa: Timo Glock. Uma nova mostra de que os acidentes, de maneira inexplicável, costumam fazer bem aos pilotos. O tedesco bateu forte na Alemanha e voltou com toda a corda em Budapeste, tirando proveito da também surpreendente adaptação da Toyota ao traçado de Hungaroring. Um desempenho que tende a ser mantido para o GP da Europa, nas ruas de Valência, em função das características do circuito.

Além da equipe japonesa, quem sai contente da prova de Budapeste é a Renault. O time francês pontuou com seus dois carros. Tanto Fernando Alonso (4º) quanto Nelson Piquet (6º) andaram no limite com um carro que demonstrou certa evolução. No caso do brasileiro, destaque também por ter feito a quarta melhor volta da corrida. Está acelerando para valer o rapaz.

Ensanduichado pelas Renault, Lewis Hamilton saiu no lucro daquele que podia ser um dia de plena lamentação. O quinto lugar o deixou com cinco pontos de vantagem sobre Kimi Raikkonen na liderança do certame, mas ao mesmo tempo com o alerta de que a Ferrari segue forte na briga pelo caneco.

Quem vai se distanciando da batalha pelo título é a BMW. A escuderia alemã viveu um domingo sem brilho com seus dois pilotos. Robert Kubica até andou em quarto no princípio de corrida, só que sumiu depois da primeira parada de box. Chegou em oitavo, atrás da Toyota de Jarno Trulli. Nick Heidfeld, que na opinião deste escriba cai fora do time no fim do ano, ficou em décimo.

Uma corrida de vários problemas com as mangueiras de reabastecimento. Sébastien Bourdais, Rubens Barrichello, Kazuki Nakajima, alguém mais? Creio que só. No caso do brasileiro da Honda, a demora no pit estragou a tocada razoável que vinha imprimindo. De 13º foi para 16º.

McLaren na frente, com Hamilton, no Mundial de Pilotos. Ferrari em primeiro entre os Construtores. Sete corridas pela frente e três pilotos com totais condições de faturar a taça. A Ferrari já foi favorita, a McLaren desembarcou na Hungria como nova estrela, mas surpreendida pela rival até a antepenúltima volta. E agora? Respostas só daqui a três semanas, na Espanha.

Um comentário:

Leonardo disse...

Isso que é reportagem! Que mané Téo José que nada!

Abraço Leandrão!