domingo, 26 de agosto de 2007

Com competência, Felipe vence a 3ª no ano

Em termos de emoção, o GP da Turquia ficou muito distante de ser aquele pelo qual nós, torcedores esperançosos e sedentos para ver ultrapassagens na pista, aguardávamos. Mas para a briga pelo título de 2007 o resultado foi fantástico, muito bom para Felipe Massa e Fernando Alonso.

O brasileiro da Ferrari conquistou neste domingo a quinta vitória de sua carreira, a terceira neste ano, e recuperou o terceiro lugar na tabela de classificação, tendo ele agora um ponto de vantagem sobre Kimi Raikkonen, o segundo colocado na etapa turca.

Fosse o finlandês o vencedor, certamente a escuderia de Maranello passaria a priorizar o “homem de gelo” na batalha pelo campeonato. Não foi o caso e neste momento é Massa, restando cinco corridas para o término da temporada, quem passa a depender de apenas mais um desfecho de prova melhor que o do companheiro para ter argumentos concretos em exigir o tratamento de número 1 dentro do grupo. E essa decisão acontecerá em Monza, casa do time italiano, diante de um mar vermelho de torcedores tifosi!

Massa, que não subia ao topo do pódio desde maio, no GP da Espanha, deu seqüência a sua característica de ser quase imbatível quando larga na ponta. Todas as suas vitórias foram assim, mas nenhuma foi tão saborosa como a de hoje, cujo principal valor foi tê-lo colocado de volta na batalha pelo mundial. Ele só não fez a volta mais rápida, que ficou com Raikkonen. Um mero detalhe.

No caso de Kimi, pagou o preço de ter perdido a pole-position, o que praticamente sentenciou seu resultado na etapa, como ele mesmo afirmou na coletiva de imprensa. Fez uma boa largada ao saltar de terceiro para segundo, pressionou o parceiro em alguns momentos, mas pecou pela falta de constância. Para quem disse que era a hora de arriscar, fez muito pouco.

Fernando Alonso, em sua centésima participação em Grandes Prêmios, completou o pódio na terceira posição valendo-se mais da sorte do que os méritos pessoais. Podemos dizer que em matéria de desempenho esta foi a primeira derrota que sofreu de Lewis Hamilton, afinal cada um trabalhou isolado neste fim de semana — não houve troca de informações entre seus engenheiros na McLaren e mesmo assim o inglês foi superior, largando na frente do espanhol, apesar de mais pesado no treino.

Mas o sorriso do bicampeão na cerimônia de premiação mostrou que ele pouco ligou para este tipo de análise. O que importou para ele foi ter se beneficiado com o azar do companheiro, que teve o pneu dianteiro direito do carro estourado, e diminuído para cinco pontos a vantagem do britânico na classificação, faltando ainda 50 tentos em jogo.

Ao receber a bandeirada em quinto, Hamilton ainda viu o placar passar de 21 para 15 em relação à Massa e de 20 para 16 sobre Raikkonen. Os rivais reduziram a distância e a pressão sobre o novato só tende a aumentar nesta reta final de temporada.

Em quarto, quebrando a seqüência de Ferrari e McLaren, posicionou-se o constante Nick Heidfeld, em mais um merecido quarto lugar para a BMW. O alemão fez uma boa largada ao ultrapassar Alonso e seguiu no seu ritmo, somente aguardando por um vacilo de algum dos carros da frente para tirar vantagem. Hoje foi o de Lewis, e Nick aproveitou a brecha.

Ao contrário do tedesco, Robert Kubica teve um rendimento decrescente na pista de Kurtkoy. Andou em terceiro até o primeiro pit-stop — sendo ele o mais leve da pista e o primeiro a parar — e foi ficando para trás aos poucos, tendo de se contentar com a oitava posição.

À frente do polonês vieram dois que fizeram muito por merecer o resultado alcançado: Heikki Kovalainen em sexto com a Renault, com direito a algumas voltinhas na liderança, e Nico Rosberg com o sétimo posto para a Williams. Com os três pontos conquistados, o finlandês ultrapassou Giancarlo Fisichella na classificação, estando com dois tentos a mais em relação ao italiano (19 a 17). Vale lembrar que será deste placar que provavelmente sairá o companheiro de Nelson Ângelo Piquet para o certame de 2008.

Já que citamos o nome de um brasileiro, terminemos por destacar o veterano da nação verde-amarela, que largou de último e chegou em 17º. Corrida apagada a de Rubens Barrichello, que ficou quatro posições atrás de Jenson Button. Pelo menos desta vez não foi o último dentre os que completaram o GP. Aliás, somente Mark Webber abandonou, o que mostra quão alta é a resistência desses bólidos ao andar em regime máximo de potência debaixo de uma temperatura ambiente em torno dos 36ºC.

A Fórmula 1 parte agora para três dias de testes coletivos no tradicionalíssimo circuito de Monza, na Itália, o palco da 13ª etapa do calendário. Os ensaios acontecem a partir de terça-feira e já devem antecipar o panorama da próxima prova, agendada para o dia 9 de setembro. Se não houver surpresas, vai dar Ferrari. Tanto em Monza como na Bélgica. Só resta saber se com Massa ou Raikkonen.

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