quinta-feira, 18 de outubro de 2007

"Colombiano voador' dá as cartas

Apesar da ampla tradição sul-americana na Fórmula 1 – 13 títulos conquistados desde o início da categoria – a Colômbia nunca foi um dos países com resultados mais expressivos no automobilismo. No ano de 2001, entretanto, Juan Pablo Montoya estreou como piloto da Williams, vindo da Fórmula Mundial. Logo no primeiro ano, assombrou a categoria com uma exibição fantástica no GP do Brasil, barrada antes do final da prova devido a um acidente.

No biênio 2004-2005, Montoya teve um desempenho apenas regular durante a temporada. Mas nas corridas disputadas em Interlagos, sua performance foi bem diferente: duas vitórias categóricas, levando a melhor sobre o finlandês Kimi Raikkonen em ambas as ocasiões. No fundo, esses triunfos podem ser considerados também como alento aos torcedores brasileiros, que viram em outro competidor latino-americano a determinação e a competência ausentes nos pilotos brasileiros desde a morte de Ayrton Senna.

Prova disso foi o papelão que aconteceu em 2004 com Rubens Barrichello. No ano em que, pela primeira vez na história, o GP do Brasil encerrou a temporada da categoria, o ferrarista era o favorito disparado, do público e da imprensa especializada, para faturar a vitória. Além da Ferrari contar com o melhor carro daquele certame, o título já estava decidido: Michael Schumacher conquistara o heptacampeonato mundial com folgas.

Na definição do grid de largada, as expectativas se confirmaram: pole-position para Barrichello, levando a melhor sobre Montoya, segundo, e Raikkonen, terceiro. Para alegria dos brazucas, Felipe Massa, que até então estava na equipe Sauber, surpreendeu a todos quando cravou a quarta posição, ficando bem à frente de seu companheiro, Giancarlo Fisichella.

O lance decisivo da prova aconteceu logo nas duas primeiras voltas. O tempo era instável em Interlagos, e pouco tempo antes da largada havia chovido levemente. Com isso, a maioria dos pilotos optou por colocar pneus intermediários na largada. O que ninguém esperava é que a pista já estivesse bem seca antes mesmo do início do primeiro giro. Assim sendo, na volta número 1, os boxes do autódromo José Carlos Pace estavam congestionados, pois todos optaram pelos compostos de pista seca.

Todos menos dois: Rubens Barrichello e Felipe Massa. Por isso, quando ambos cruzaram a volta inicial em primeiro e segundo lugares, respectivamente, todos os torcedores brasileiros passaram da tensão à euforia. O problema é que, mesmo percorrendo somente um giro com os intermediários, os carros dos brasileiros foram sensivelmente mais lentos do que os de todos os outros adversários. Assim sendo, quando eles pararam para a troca na volta 2, já estavam com a corrida comprometida: o ferrarista voltou em 8°, e o piloto da Sauber em 12°.

A liderança veio para as mãos de Fernando Alonso, um dos mais promissores competidores da categoria. Como fez uma parada a mais que os rivais, no entanto, o espanhol perdeu a ponta para Juan Pablo Montoya na passagem 18.

O colombiano só enfrentava a resistência de Raikkonen, que esboçava em alguns momentos a possibilidade de ultrapassá-lo. Michael Schumacher, já campeão, perdeu o controle e arrebentou sua Ferrari na barreira de pneus. Mesmo assim, a Williams-BMW do “gordito” se comportou impecavelmente, levando Montoya ao triunfo pela primeira vez no Brasil. Raikkonen terminou em segundo, seguido por um esforçado Barrichello, que ainda conseguiu chegar ao pódio. Felipe Massa também teve boa recuperação e fechou em oitavo, enquanto Ricardo Zonta, o outro brazuca inscrito, conduziu sua Toyota ao 13° posto.

Se em 2004 Interlagos fechou pela primeira vez uma temporada, em 2005 teve a primeira oportunidade de ver um piloto conquistar o título mundial. Um dos destaques do ano anterior, Fernando Alonso, da Renault, chegou ao GP brasileiro com boa vantagem sobre Kimi Raikkonen, em seu quarto ano de McLaren: 111 pontos para o asturiano contra 86 do nórdico. Tendo em conta que haveria mais duas etapas, a do Japão e a da China, Alonso precisaria de um quarto lugar para levantar a taça.

Na verdade, fez mais do que isso. Largou na pole-position e manteve um ritmo bastante controlado ao longo da prova, sem se preocupar com as investidas dos adversários. Prova disso foi a facilidade com a qual Montoya, que estava agora na McLaren e largara em segundo, teve para ultrapassá-lo e abrir uma vantagem confortável.

Raikkonen conseguira apenas a quinta colocação no grid e, por isso, demorou a alcançar Alonso na pista. Também passou pelo espanhol, que não dificultou a manobra, mas tinha um longo caminho até alcançar Montoya. Como a definição do campeonato já não dependia mais de uma vitória do finlandês, Ron Dennis, o chefão da McLaren, não impediu o triunfo do colombiano, o segundo seguido em Interlagos. Derrotado, Kimi terminou em segundo, e viu de perto o êxtase em que Fernando Alonso caiu ao receber a quadriculada, sagrando-se assim campeão da categoria pela primeira vez.

Nesse ano, participação discreta dos brasileiros, com um sexto lugar de Barrichello, 11° de Massa e o abandono de Antonio Pizzonia, com a Williams, logo na primeira volta, depois de acidente com David Coulthard.

Confira os resultados finais dos GP’s Brasil de 2004 e 2005:

2004
1) Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW), 71 voltas em 1h28min01s451
2) Kimi Raikkonen (FIN/McLaren-Mercedes), a 1s022
3) Rubens Barrichello (BRA/Ferrari), a24s099
4) Fernando Alonso (ESP/Renault), a 48s908
5) Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW), a 49s740
6) Takuma Sato (JAP/BAR-Honda), a 50s248
7) Michael Schumacher (ALE/Ferrari), a 50s626
8) Felipe Massa (BRA/Sauber-Ferrari), a 1min02s310
9) Giancarlo Fisichella (ITA/Sauber-Ferrari), a 1min03s842
10) Jacques Villeneuve (CAN/Renault), a 1 volta
11) David Coulthard (ESC/McLaren), a 1 volta
12) Jarno Trulli (ITA/Toyota), a 1 volta
13) Ricardo Zonta (BRA/Toyota), a 1 volta
14) Christian Klien (AUT/Jaguar-Cosworth), a 2 voltas
15) Timo Glock (ALE/Jordan), a 2 voltas
16) Gianmaria Bruni (ITA/Minardi), a 4 voltas
17) Zsolt Baumgartner (HUN/Minardi), a 4 voltas

2005
1) Juan Pablo Montoya {COL/McLaren-Mercedes), 71 voltas em 1h29min20s54
2) Kimi Raikkonen (FIN/McLaren-Mercedes), a 2s527
3) Fernando Alonso (ESP/Renault), a 24s840
4) Michael Schumacher (ALE/Ferrari), a 35s668
5) Giancarlo Fisichella (ITA/Renault), a 40s218
6) Rubens Barrichello (BAR/Ferrari), a 1min09s173
7) Jenson Button (ING/BAR-Honda), a 1 volta
8) Ralf Schumacher (ALE/Toyota), a 1 volta
9) Christian Klien (AUT/Red Bull), a 1 volta
10) Takuma Sato (ING/BAR-Honda), a 1 volta
11) Felipe Massa (BRA/Sauber-Ferrari), a 1 volta
12) Jacques Villeneuve (CAN/Sauber-Ferrari), a 1 volta
13) Jarno Trulli (ITA/Toyota), a 2 voltas
14) Christijan Albers (HOL/Minardi), a 3 voltas
15) Narain Karthikeyan (IND/Jordan), a 3 voltas

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