Como era de se imaginar, deu McLaren no GP da Hungria de altos e baixos. Em síntese, foi uma etapa muito acalorada durante e após o treino de classificação, mas que ao mesmo tempo registrou uma corrida monótona, de poucas ultrapassagens e de fiasco total por parte dos brasileiros. Façamos, portanto, uma análise de cada um dos participantes desta história.- Lewis Hamilton, mais uma vez, errou quando podia. Rodou no treino livre de sexta-feira, mas foi impecável no restante do fim de semana. Só não fez a pole, na pista, porque acabou atrapalhado propositalmente pelo companheiro de equipe. Está certo que o inglês também contribuiu para a explosão do clima de tensão na McLaren ao não acatar a ordem do patrão Ron Dennis, que solicitou que ele desse passagem a Alonso durante a sessão classificatória. Na corrida, fez o necessário para conquistar a vitória e sequer deu trela para a pressão imposta por Raikkonen.
- Kimi Raikkonen, que havia destacado a necessidade de precisar chegar à frente de seus rivais para ainda sonhar com o título, deixou a desejar. Tudo bem que terminou em segundo, colado em Hamilton, mas em nenhum momento o finlandês tentou atacar o inglês da McLaren. O fato de ter registrado a melhor volta da corrida na passagem final foi um indício de que o ferrarista tinha carro para lutar pela vitória.
- Nick Heidfeld alcançou um belo terceiro lugar para a BMW, o segundo nesta temporada, mas o primeiro em condições normais de pressão e temperatura — a segunda posição conquistada no Canadá se deveu mais aos incidentes, punições e desclassificações que marcaram a rodada. Seu desempenho na classificação também foi digno de destaque, ao superar as Ferrari e garantir o terceiro giro. De ruim, só teve a largada, quando perdeu o segundo posto para o “homem de gelo”.
- Fernando Alonso, o novo mestre das maracutaias do circo, só não venceu a corrida por conta de sua malandragem. Mesmo se largasse atrás de Hamilton, teria um melhor ritmo de prova e conseguiria a quarta vitória no ano. Mas optou pelo lado negro da força, acabou punido com a perda de cinco posições e obteve a quarta colocação. Seu único ganho foi aumentar a insatisfação com a equipe prateada, da qual pode se desvincular prematuramente no fim do ano. Uma pena.
- Robert Kubica, assim como Heidfeld, adotou uma estratégia de três pit-stops e faturou com isso o quinto lugar. Apesar do bom resultado, não conseguiu em nenhum momento andar no mesmo ritmo do companheiro de equipe, ao contrário do que vinha acontecendo nas últimas etapas.
- Ralf Schumacher dificilmente se aposentará no final desta temporada, para a tristeza de muitos críticos do alemão, entre os quais me incluo. Temos de admitir, porém, que o alemão fez uma boa corrida. Largou em quinto, administrou bem a pressão imposta por Alonso durante o primeiro terço da disputa e terminou em sexto, seu melhor resultado no certame atual.
- Quarto no grid, após a punição de Alonso, Nico Rosberg enfim voltou a pontuar depois de um jejum de seis etapas. O alemão completou o GP em sétimo e foi um dos destaques da prova, por conseguir imprimir um bom ritmo com o modesto carro da Williams. Se a McLaren realmente se separar de Fernandinho, deveria analisar com carinho a contratação deste jovem tedesco.
- Heikki Kovalainen mais uma vez galgou um pontinho para a Renault. Foi o oitavo e alcançou um feito inédito em sua carreira ao marcar pontos em três provas consecutivas. Agora, está apenas um tento atrás de Giancarlo Fisichella, a quem necessita superar para ter seu passe mais valorizado para o mercado de 2008. Aliás, cabe aqui uma pergunta: para onde irá o finlandês caso Alonso volte para o time francês?
- Confesso que não notei Mark Webber nesta corrida. O australiano da Red Bull chegou em nono, melhorando um lugar em relação à largada. Bom para ele.
- A largada horrorosa, como ele mesmo definiu na conversa com os mecânicos, interferiu no desempenho de Jarno Trulli em Budapeste. Foi o décimo e ampliou para quatro a sua seqüência de provas sem pontuar.
- David Coulthard, 11º, foi outro que passou despercebido na Hungria. A Red Bull, pelo visto, deu muitas asas aos seus pilotos.
- Sem carro para brigar pelas primeiras posições, Giancarlo Fisichella sabe que precisa pelo menos andar na frente de Kovalainen. Não conseguiu, foi somente o 12º. É verdade que a perda do oitavo lugar no grid atrapalhou muito a corrida do italiano, que foi obrigado a partir do 13º posto por ter atrapalhado Sakon Yamamoto no treino de classificação.
- Uma equipe como a Ferrari e um piloto como Felipe Massa não poderiam ter dado um vexame tão grande como o que orquestraram em Hungaroring. Erraram no treino, na tática de corrida, em tudo. O único acerto veio nas declarações do brasileiro, ao dizer que esta foi a pior etapa de sua carreira. Saiu em 14º, chegou em 13º. Mesmo que a escuderia italiana tente repetir um novo papelão como este, dificilmente conseguirá fazê-lo. Digo o mesmo quanto ao brazuca.
- O que falar de Alexander Wurz, o 14º com o bólido da Williams? Será que vale a pena discutir sobre seu gesto de irritação, sinalizando paz e amor com a mão direita, ao ultrapassar a Spyker retardatária de Adrian Sutil? Acho que não.
- Já Takuma Sato foi bravo em andar na frente de Felipe Massa até a primeira parada de ambos nos boxes. O incrível é que o japonês da Super Aguri estava com um carro tão pesado quanto o do brasileiro. No fim, acabou em 15º.
- Sebastian Vettel perdeu do companheiro Liuzzi na classificação, mas ao menos terminou sua corrida de estréia na Toro Rosso, em 16º. Foi discreto no fim das contas, mais que o previsto.
- Terminar a corrida sem ser o último vale como um ponto para a Spyker, que foi a penúltima colocada com Adrian Sutil. Parabéns ao time e ao piloto.
- Rubens Barrichello conseguiu. Pela primeira vez em 14 anos de F-1 foi o último colocado de um GP. Não teve condições de brigar sequer com a Spyker. Deprimente, vergonhoso e triste episódio. Ele disse chorar durante 23 das 24 horas do dia. Deveria, no entanto, enxugar as lágrimas e trabalhar mais para tirar a Honda do brejo.
- Vitantonio Liuzzi, Anthony Davidson, Jenson Button e Sakon Yamamoto representaram as baixas desta etapa. Nada a dizer sobre eles.
- Em termos de campeonato, não há dúvidas de que a McLaren está a um bom passo de conquistar o título. Mas devemos nos lembrar que Hamilton e Alonso ainda vão se cruzar pelas próximas etapas, o que não aconteceu na Hungria. E as chances de saírem faíscas nos encontros são consideráveis.
- Por último, deixo meu único palpite: a decisão será novamente em nossa terra, no circuito de Interlagos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário