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terça-feira, 17 de março de 2009

Adoráveis interrogações

FOTO: DIVULGAÇÃO/BRAWN GP
De volta à rotina após uma semana em Manaus, onde a Honda apresentou três novos produtos para o mercado de motocicletas, façamos as engrenagens deste espaço da velocidade voltarem a se movimentar. Afinal de contas, a temporada que tanto desejamos está prestes a começar. Mais 12 dias e saberemos tudo aquilo que neste momento nos deixa extremamente ansiosos para ver os carros na pista.

A grande interrogação, não há como negar, está relacionada à Brawn GP. Será que vai manter o desempenho assombroso na hora da verdade? Dá para imaginar uma equipe bebê, que nasceu de um parto difícil e trabalhoso, chegar à Austrália desbancando tudo e a todos? Apesar dos resultados surpreendentes mostrados nos últimos dias, diria que ainda não.

O time de Ross Brawn não parece blefar; fez um carro muito competitivo, confiável e veloz. No entanto, pelo pouco tempo de testes que o grupo teve, fica a sensação de que está buscando o limite da máquina para recuperar o atraso. Não há tempo para alisar cada item do monoposto, voltar para a fábrica, estudar os dados e reiniciar os trabalhos. A ordem é enfiar o pé no acelerador, esmerilhar o motorzão Mercedes e ver até onde o conjunto aguenta.

As adversárias, enquanto isso, parecem guardar algumas balas no cartucho para serem disparadas apenas em Melbourne. Pelos resultados da pré-temporada, podemos esperar uma Ferrari bastante forte, uma BMW consistente e determinada a fazer mais que em 2008 e uma Toyota em ótima forma.

Com exceção de McLaren, que está apanhando para encontrar aderência no MP4/24, todos os comentários sobre as demais escuderias foram de evolução. Todo mundo otimista e dizendo estar numa situação mais promissora que no ano passado. Ora, se todos sobem um degrau, as diferenças seguem as mesmas, com as grandes lá na frente, as médias no lugar de sempre e as pequenas lá no fundão.

Não teremos uma Force India lutando por vitórias. A única “pequena” que pode surpreender — já surpreendeu, na verdade — é a ex-Honda, por mais que muita gente ainda guarde receios quanto a isso.

Rubens Barrichello e Jenson Button na briga pela pole e vitória depois de quase terem ficado a pé? Um exercício mental que chega a dar um nó na cabeça só de pensar. Não por ser algo ruim, mas por beirar ao inimaginável até pouquíssimo tempo atrás. Nem o melhor dos roteiristas de cinema escreveria algo assim.

A Fórmula 1 2009 vai começar. Imprevisível como há muito não se via. Incrível como sempre foi. Seja ela marcada por equilíbrio ou domínio. Sensacional!!!

domingo, 14 de setembro de 2008

Talento maior do que qualquer palavra

Ele disse que não sabia o que dizer; mas que mal há nisso? Em vez de palavras, Sebastian Vettel mostrou atitude e um grande talento para vencer sua primeira corrida na Fórmula 1 com a facilidade e arrojo de um piloto experiente a bordo de um carro de ponta. A diferença é que se tratou de um garoto de 21 anos, com apenas 22 GPs no currículo e um monoposto mediano.

Uma vitória em Monza que ninguém pode chamar de circunstancial, pois não foi o caso de uma zebra ocasionada após o abandono dos competidores mais fortes. Vettel foi soberano no piso molhado, no úmido e também no quase seco. Ganhou com a presença de Ferrari, McLaren e BMW na pista. Brilhou porque derrotou a todos mesmo sem dispor do melhor equipamento. Um dia histórico, sem dúvida.

Tão impressionante quanto a atuação foi a naturalidade com que o garoto vivenciou a sensação do triunfo inédito na categoria. No lugar do choro compulsivo, o sorriso exacerbado de quem está acostumado com a celebração de grandes conquistas. Mais um motivo para admirarmos o tedesco.

Um grande dia para a Toro Rosso, a nova equipe vencedora do circo e a primeira escuderia italiana não Ferrari a subir no degrau mais alto do pódio desde a Benetton, ganhadora do GP da Alemanha de 1997 com Gerhard Berger, que não participava da cerimônia do champanhe desde aquela ocasião. Outro que mereceu a conquista deste domingo.

Apesar de todos os méritos e implicâncias da vitória de Vettel e do time filial da Red Bull, o agitado GP da Itália exaltou a genialidade de outro garoto: Lewis Hamilton. O inglês salvou uma corrida que parecia perdida para ele em termos de campeonato ao chegar em sétimo. Protagonizou belíssimas ultrapassagens sem se preocupar com quem estivesse a sua frente. Exagerou em certos momentos, mas ainda assim foi incrível.

Não fosse a necessidade de trocar os pneus de chuva pelos intermediários, o britânico da McLaren teria saído da Itália com uma vantagem ainda maior sobre Felipe Massa na liderança do Mundial, que agora é de apenas um ponto. A diferença hoje parece ser o de menos para Lewis, afinal conseguiu provar a todos o que havia dito ao longo da semana: ele tem mais peito que qualquer um para acelerar no molhado e nem mesmo a punição sofrida em Spa foi capaz de mudar isso.

Para Felipe Massa, a sexta posição acabou sendo pouco. Tudo bem que a Ferrari estava ruim nas condições de asfalto molhado, mas faltou um pouco mais de arrojo do piloto que se classificou como um bundão na última corrida. Apesar da bela manobra sobre Nico Rosberg, o brasileiro repetiu o desempenho da Bélgica. A diferença é que desta vez ninguém bateu ou foi punido.

Lá na frente, mesmo com o excelente carro para as condições de chuva, Heikki Kovalainen foi medíocre durante todo o Grande Prêmio. Um segundo lugar com sabor de fracasso, ao menos para quem estava assistindo à prova. Nada fez desde a largada à bandeirada, apenas se manteve na pista para chegar atrás do vencedor. Muito ruim para quem dirige uma McLaren.

Na terceira posição, algo mais interessante. Robert Kubica, de capacete especial para recordar o seu primeiro pódio na F-1, lembrou-se mais ainda do feito de 2006 ao repetir o terceiro lugar, depois de ter partido de 11º. Com todos os méritos, o polonês da BMW assumiu de vez a terceira colocação na classificação do campeonato e se manteve com chances matemáticas de ser uma enorme zebra na briga pelo título entre Hamilton e Massa. Uma conjectura difícil de concretizar, mas que o feioso competente segue fazendo bonito, ah segue!

Fernando Alonso, depois de perguntar diversas vezes pelo rádio se alguém havia arriscado usar os pneus intermediários, mostrou a desenvoltura de bicampeão para encarar o circuito com tais calçados. E se deu bem, obtendo pela quarta vez no ano a quarta posição, seu melhor resultado até aqui. No Mundial, é o sétimo e o melhor classificado dentre os que não fazem parte do G3.

Outro que fez uma boa exibição em Monza foi Nick Heidfeld, o quinto colocado e agora somente quatro pontos atrás de Kimi Raikkonen na tabela de pontuação. Raikkonen? Novamente apagado e longe de ser aquele piloto que se apresentou na Bélgica. Terminou em nono, depois de andar mais da metade da corrida acima da décima colocação. Como de costume em 2008, acordou quando já não dava para fazer mais nada em termos de um bom resultado. Ah, mas conseguiu outra volta mais rápida para seu currículo. Uma grande porcaria.

Com 20 pontos a menos que Massa, 21 atrás de Hamilton e sete de Kubica, o finlandês está definitivamente morto na briga pelo título. O negócio agora é ralar para ficar ao menos em terceiro e evitar um vexame maior.

Esquecemos de Mark Webber, o oitavo com a Red Bull. O que dizer do australiano? Foi o leão de treinos de sempre e mediano na corrida. Nada a ser acrescentado. Ou melhor, vale um adendo: é bom ele começar a ter algum brilho dentro da equipe porque Vettel está a caminho.

Dos demais brasileiros, Nelson Piquet foi o menos ruim. Retardou ao máximo sua única parada para reabastecimento e conseguiu o décimo posto. Pelo menos não abandonou, o que complicaria a sua vida na Renault. Já Rubens Barrichello conseguiu ser pior que a posição de largada. De 16º no grid para 17º ao final da prova com o horroroso bólido da Honda.

Na lista de lamentações de Monza, destaque para três pilotos: Nico Rosberg por conta da queda de rendimento da Williams, que resultou num péssimo 14º lugar, Sébastien Bourdais pelo problema enfrentado logo na volta de apresentação — não fosse isso poderia ter brigado por um lugar no pódio e aumentar a festa da Toro Rosso — e Giancarlo Fisichella, o único que abandonou, mas valente por segurar a Ferrari de Raikkonen e a McLaren de Hamilton no começo da prova.

O barbeiro do dia, sem titubear, foi David Coulthard. Mas o escocês está em vias de pendurar o capacete. Por isso, tenhamos um pouco mais de paciência.

A Fórmula 1 se despede da Europa com duas excelentes corridas. Que venha a etapa noturna de Cingapura e mais incógnitas sobre quem levará a melhor na pista inédita e também no campeonato. Entre os construtores, arrisco um palpite: a McLaren, somente cinco pontos atrás da Ferrari, conseguirá o título.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Chega de polêmica, agora é Monza

“Registro da primeira corrida de Fórmula 1 em Monza, no ano de 1950”.

Há 86 anos, os italianos inauguravam no chuvoso 3 de setembro de 1922 aquele que se tornaria um dos autódromos mais tradicionais e velozes do mundo. Nascia ali, 20 quilômetros ao norte de Milão, o legendário circuito de Monza.

Ao lado do GP da Inglaterra, a etapa da Itália é a única realizada desde a temporada de estréia da Fórmula 1. Das 58 edições da prova, 57 foram disputadas no desafiador traçado de Monza. A exceção foi em 1980, quando o Grande Prêmio foi sediado em Ímola.

Embora mantenha as características que a tornaram adorada pela maioria dos pilotos, Monza passou por oito alterações de layout. Até 1971 não havia chicanes, somente audaciosas e perigosas curvas de altíssima velocidade. Entre 1955 e 1961, o complexo teve inclusive um trecho oval com curvões inclinados, o qual existe até hoje e pode ser visitado pelos fãs do esporte a motor.

Na atualidade, a pista italiana é mais rápida do calendário, onde se atinge velocidade média em torno dos 250 km/h. O acerto precisa ter uma baixíssima pressão aerodinâmica, com o menor coeficiente de arrasto possível — o que implica em aerofólios praticamente retos e na eliminação de muitos apêndices aerodinâmicos —, a fim de permitir que os carros ultrapassem a barreira dos 350 km/h na reta principal.

“Stirling Moss, a bordo de um Mercedes-Benz, percorre o trecho oval na prova de 1955”.

A maior velocidade média em uma volta em Grande Prêmio foi alcançada neste circuito: 257,321 km/h, conseguida por Rubens Barrichello, com a Ferrari em 2004. O recorde em classificação também pertence ao brasileiro, que fez a pole-position daquele mesmo ano com uma média de 260,395 km/h.

Ainda sobre os monopostos, vale destacar exigência de uma boa estabilidade para permitir o ataque às zebras e garantir a melhor tração nas saídas das curvas lentas. Os freios são de extrema importância, já que são acionados durante 15% do tempo de cada volta. Na primeira chicane, para se ter uma idéia, os pilotos aplicam no sistema de frenagem uma força equivalente a 4.5 vezes a força da gravidade.

Monza é conhecida também como o último teste para um motor de Fórmula 1. Nesta pista, o propulsor trabalha em regime máximo durante 77% da volta, enquanto a média da temporada é de 61%. O coração do carro precisa ser capaz de trabalhar efetivamente acima dos 275 km/h e suportar as agressivas acelerações e desacelerações. Por isso, é provável que tenhamos alguns abandonos por quebra de motor no próximo domingo.

No que diz respeito à história, o GP da Itália marcou inúmeras consagrações importantes para a F-1. Foi em Monza, por exemplo, que a categoria conheceu seu primeiro campeão, em 1950: o italiano Giuseppe Farina. E foi lá que Michael Schumacher anunciou para o mundo a sua decisão de pendurar o capacete, em 2006.

“Motor da Renault de Fernando Alonso não resistiu à corrida de 2006”.

Tragédias, infelizmente, também fazem parte do “currículo” desta pista. Em 1961, Wolfgang Von Trips morreu após um acidente na curva Parabólica, no qual bateu sua Ferrari na Lotus de Jim Clark e foi lançado em direção às telas de proteção. O alemão foi atirado para fora do carro e caiu no chão já sem vida. O incidente acabou vitimando outras 12 pessoas que estavam nas arquibancadas.

Nove anos depois, Jochen Rindt sofreu um gravíssimo e fatal acidente ao perder o controle do seu Lotus na Parabólica, durante os treinos de sábado — era a estréia do clássico modelo Lotus 72. Naquele certame de 1970, o austríaco se tornaria o único campeão póstumo da categoria.

Para o Brasil, Monza reservou oito momentos de glória, com três vitórias de Nelson Piquet (1983, 1986 e 1987), duas de Ayrton Senna (1990 e 1992) e Rubens Barrichello (2002 e 2004) e uma de Emerson Fittipaldi (1972). A conquista do “Rato”, em particular, rendeu-lhe seu primeiro título.

O número de proezas da nação verde-amarela no GP da Itália tem boas chances de aumentar no fim de semana com Felipe Massa. A vitória do brazuca na “casa” da Ferrari teria um sabor ainda mais especial, pois garantiria ao piloto a retomada da liderança do campeonato, independente da colocação de Lewis Hamilton.

"Rubens Barrichello venceu duas vezes e fez as voltas mais velozes desta pista".

Um triunfo de Felipe com o inglês em segundo os deixariam empatados em número de pontos — ambos com 84 —, porém o brasileiro ficaria na frente por ter seis vitórias contra quatro do adversário.

Seis vitórias! Uma façanha não alcançada pelo Brasil desde 1991, ano do tricampeonato de Ayrton Senna. Nosso último campeão, na verdade, ganhou sete provas naquela temporada.

Mais um detalhe interessante para a 14ª etapa do Mundial: os postulantes ao título jamais venceram em Monza. Dos pilotos em atividade, somente David Coulthard, Barrichello (duas vezes) e Fernando Alonso.

Quem será o novo vencedor nesta pista?

Ficha técnica - GP da Itália

Circuito de Monza
Extensão: 5.793 m
Voltas: 53 (306.720 km)
Número de curvas: 10 (6 para a esquerda, 4 para a direita)
Velocidade máxima: 368 km/h
Provas realizadas: 57
Recorde de pole-position: Rubens Barrichello em 2004 com a Ferrari (1min20s089)
Melhor volta em corrida: Rubens Barrichello em 2004 com a Ferrari (1min21s046)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Receita dos campeões

Além da constância de bons resultados e principalmente vitórias, um campeão do mundo precisa ter poucos abandonos — ou provas sem pontuar — para coroar a conquista máxima da Fórmula 1. Foi assim nos últimos anos e tende a repetir a escrita em 2008.

De 1998 a 2007, o título quase sempre foi levado pelo postulante que menos vezes ficou longe da zona de pontuação. O mínimo e máximo neste período foram protagonizados por Michael Schumacher, campeão em 2002 sem ter deixado de pontuar em nenhuma corrida, e Mika Hakkinen, detentor do caneco de 1999 apesar de cinco abandonos.

Dos candidatos à taça deste ano, Felipe Massa é quem mais esteve fora dos pontos. Quatro vezes, contra três de Lewis Hamilton e três de Kimi Raikkonen. Em número de vitórias, fator determinante para a definição dos campeões há 19 anos, o brasileiro aparece empatado com o atual líder da classificação, ambos com quatro proezas.

O último campeão a ter menos vitórias que o vice foi Alain Prost, em 1989, numa temporada em que ainda regia o sistema de descarte dos piores resultados. O francês venceu quatro vezes naquele Mundial, contra seis de Ayrton Senna. No entanto, ficou apenas três GPs fora da zona de pontos, enquanto o rival não pontuou em nove etapas.

O caso mais marcante da História da competição ficou registrado em 1982, ano do título de Keke Rosberg com somente uma vitória. Um feito concretizado graças à constância do finlandês ao longo da temporada e também ao equilíbrio do campeonato. Prova disso foi o fato de 11 pilotos terem vencido no certame.

Em 2003, Raikkonen ficou a dois pontos de bater Schumacher com uma única vitória no bolso. Seria demais imaginar um cenário semelhante neste ano, tendo Robert Kubica como surpresa? Em 12 etapas, o polonês abandonou duas, venceu uma e somou 55 pontos, 15 a menos que Hamilton. Difícil de acontecer, mas se já ocorreu no passado...

Raio-X dos campeões dos últimos dez anos:
2007: 2 GPs sem pontos / 6 vitórias (Kimi Raikkonen)
2006: 2 GPs sem pontos / 7 vitórias (Fernando Alonso)
2005: 3 GPs sem pontos / 7 vitórias (Fernando Alonso)
2004: 2 GPs sem pontos / 13 vitórias (Michael Schumacher)
2003: 1 GP sem pontos / 6 vitórias (Michael Schumacher)
2002: 0 GP sem pontos / 11 vitórias (Michael Schumacher)
2001: 2 GPs sem pontos / 9 vitórias (Michael Schumacher)
2000: 4 GPs sem pontos / 9 vitórias (Michael Schumacher)
1999: 5 GPs sem pontos / 5 vitórias (Mika Hakkinen)
1998: 3 GPs sem pontos / 8 vitórias (Mika Hakkinen)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Alerta vermelho

A Ferrari sem suas grandes figuras como Michael Schumacher, Ross Brawn e Jean Todt não é mais aquela equipe que beirava a perfeição em termos de estratégia e equipamento. Muitos já cansaram de dizer isso, mas aos poucos as estatísticas também vão comprovando a atual realidade da escuderia de Maranello.

Só neste certame, o time italiano acumulou três abandonos por quebra de motor. Duas vezes com Felipe Massa (Austrália e Hungria) e uma com Kimi Raikkonen (Austrália). Quando isso aconteceu nos últimos 12 anos? Nunca. De 1996 até o ano passado, o máximo de panes de propulsor acumulado pela Ferrari num mesmo campeonato foram duas.

Schumacher, por exemplo, contabilizou durante toda sua passagem pela equipe apenas três retiradas ocasionadas por motor. O alemão, é bom lembrar, defendeu a escuderia por 11 temporadas, num total de 180 Grandes Prêmios.

Na mesma toada do multi-campeão, Rubens Barrichello foi outro que poucas vezes deixou uma corrida por quebra do “coração do carro”. Três vezes ao longo de seis torneios com o macacão vermelho. Eddie Irvine, ferrarista entre 1996 e 1999, obteve um índice ainda melhor, com dois abandonos motivados pelo propulsor.

Como bem disse Felipe Massa ao retornar para o Brasil, a Ferrari já esgotou sua cota de erros e problemas para todo o ano. Se fraquejar mais vezes por culpa do equipamento, a conseqüência inevitável será a perda do título para Lewis Hamilton e a McLaren, rival que há pouco tempo sofria com seus bólidos pouco confiáveis. Hoje, ao contrário, são extremamente seguros. Tanto é que o elenco prateado não sabe o que significa uma quebra — por qualquer motivo — desde 2006.

Quebras de motor Ferrarista desde 1996:

2008 (3)
Austrália – Felipe Massa
Austrália – Kimi Raikkonen
Hungria – Felipe Massa

Michael Schumacher (três entre 96 e 06)
1998 – Austrália
2000 - França
2006 - Japão

Rubens Barrichello (três entre 00 e 05)
2000 – Brasil
2001 – EUA
2002 – Malásia

Eddie Irvine (duas entre 96 e 99)
1997 – Luxemburgo
1999 – San Marino

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Polônia conquista a Fórmula 1

Maravilhosa ironia do esporte. Há um ano, Robert Kubica vivenciou no GP do Canadá o acidente mais grave de sua carreira, do qual escapou milagrosamente sem nenhum arranhão. Ontem, novamente no circuito de Montreal, o polonês passou por uma nova experiência emocionante; a da primeira vitória, a de liderar o campeonato de automobilismo mais cobiçado do mundo.

Da sombra da morte para a euforia de uma grande conquista. Essa é a história do piloto da BMW na pista da ilha de Notre Dame. Um roteiro digno de Oscar, que pode sim ser coroado com o prêmio supremo ao término da temporada. Será muito difícil, mas não impossível.

Muita coisa aconteceu em sete etapas. Três pilotos já lideraram a classificação, quatro nomes brigam acirradamente pelo título, três equipes demonstram forças para vencer e restam outras 11 corridas pela frente. Tudo está em aberto.

Lewis Hamilton, apesar da estupidez em atropelar a Ferrari de Kimi Raikkonen na saída dos boxes, é um personagem diferenciado e com totais condições de reverter o jogo. A Ferrari, por sua vez, segue com o melhor carro e o papel de favorita ao caneco. Felipe Massa continua forte na briga e o atual campeão do torneio tem sangue frio demais para dar a volta por cima. Conseguiu se levantar de uma situação muito mais adversa no ano passado.

Kubica é ainda a zebra da turma, que tem estado sempre no lugar certo para aproveitar as oportunidades. Foi assim ontem e certamente permanecerá dessa forma no restante do campeonato.

Na corrida histórica do polonês, diversos coadjuvantes brilharam. Que o digam David Coulthard, de volta ao pódio na terceira posição, e Rubens Barrichello, que sentiu o prazer de liderar novamente um GP, algo longe de sua realidade há mais de três anos.

Até a Toyota teve seu momento de glória, andando na frente com seus dois pilotos. Foi, sem dúvida, uma das melhores provas do ano. Coisas do Canadá, uma etapa famosa por surpresas e cenas marcantes.

Uma corrida de ultrapassagens belíssimas, como a de Massa sobre Barrichello e Heikki Kovalainen e também a de Nelson Piquet sobre Timo Glock e Jarno Trulli. O novato brasileiro, porém, acabou deixando a desejar mais uma vez. Rodou quando precisava acompanhar o ritmo de Fernando Alonso e voltas depois recolhia o carro da Renault nos boxes. Para a sorte dele, o bicampeão também abandonou. Só que uma coisa não apaga a outra.

A Fórmula 1 retorna agora para a Europa. O próximo destino é Magny-Cours, na França, onde a Ferrari chega como favorita, a McLaren vem no encalço, mas é Robert Kubica o homem a ser batido. E o líder do Mundial!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Comparações entre ontem e hoje

Concluídas as seis primeiras etapas do Mundial, tracemos um paralelo com 2007 para conferir o desempenho dos pilotos que ocupam neste momento as cinco melhores posições do campeonato.

Pelos números, nota-se que a queda mais acentuada foi de Lewis Hamilton. Apesar do fato de repetir a liderança da classificação, o britânico soma hoje dez pontos menos que na primeira meia dúzia de corridas do último certame.

Já a ascensão mais expressiva foi de Robert Kubica, que teve um superávit de 20 tentos em relação ao mesmo período do ano passado. Olhos atentos neste desengonçado, porém veloz polonês!

Veja o comparativo das temporadas após seis GPs:

2007
1) Lewis Hamilton, 48 pontos
3) Felipe Massa, 33
4) Kimi Raikkonen, 27
5) Nick Heidfeld, 26
7) Robert Kubica, 12

2008
1) Lewis Hamilton, 38 pontos
2) Kimi Raikkonen, 35
3) Felipe Massa, 34
4) Robert Kubica, 32
5) Nick Heidfeld, 20

quarta-feira, 7 de maio de 2008

5º ato: GP da Turquia

Menos de nove meses após a edição 2007 do GP, a Fórmula 1 volta a acelerar na Turquia, único país euro-asiático, com pequena parte de seu território situado no continente europeu (conhecida como Trácia) e o restante em solo asiático (Anatólia), a receber uma etapa da principal classe do automobilismo mundial.

A prova será disputada no circuito de Kurtkoy, localizado em Istambul, construído há pouco mais de quatro anos pelo arquiteto alemão Herman Tilke, o mesmo sujeito responsável pelo desenho das pistas da China, Bahrein e Malásia.

Assim como em Interlagos, o traçado de 5.338 metros do autódromo turco é percorrido em sentido anti-horário e classificado pelos pilotos como um dos mais desafiadores da atualidade. A curva 8 em especial, formada por três velozes segmentos de reta e contornada para a esquerda, é a mais comentada entre os competidores.

Nela, a força da gravidade age de tal forma que consegue deslocar a cabeça do corredor para o lado oposto da trajetória, o que torna a preparação física um item de enorme importância para se agüentar as 58 voltas da corrida, em uma média de velocidade em torno dos 220 km/h.

Outro aspecto semelhante entre os circuitos turco e brasileiro é a primeira curva em “S”, trecho que costuma registrar confusões nas largadas, com rodadas e batidas. Por isso, não se espante se alguns carros se estranharem nesse ponto na etapa do domingo.

Em termos de equipamento, Istambul exige um carro com média carga aerodinâmica e que tenha bons freios, pois embora a pista seja rápida, possui algumas curvas lentas situadas após setores de alta velocidade, o que implica em reduções bruscas.

Resta observar qual será a influência neste ano do fator temperatura, já que a corrida mudou de data; trocou o forte calor de verão pela primavera. De acordo com o “Weather Channel”, os termômetros devem variar entre 9ºC e 17ºC no fim de semana, com céu aberto.

Há ainda a forte presença dos ventos, ingrediente extra para dificultar a pilotagem e aumentar a dor de cabeça de mecânicos e engenheiros na busca do melhor acerto para o conjunto. Isso sem falar na sujeira que o vento acaba levando para a pista.

No calendário desde 2005, o GP da Turquia por enquanto só foi vencido por quem largou na pole-position: Kimi Raikkonen, com a McLaren, no ano de estréia, e Felipe Massa, de Ferrari, em 2006 e 2007. No próximo domingo, essa escrita dificilmente fugirá à regra, mas seria ótimo ter um resultado fora dos padrões atuais, não? Torçamos por isso então.

Ficha técnica - GP da Turquia
Circuito de Kurtkoy, em Istambul
Extensão: 5.338 m
Voltas: 58 (309.356 km)
Número de curvas: 14 (8 para a esquerda, 6 para a direita)
Velocidade máxima: 320 km/h
Provas realizadas: 3
Recorde de pole-position: Kimi Raikkonen em 2005 com a McLaren (1min26s797)
Melhor volta em corrida: Juan Pablo Montoya em 2005 com a McLaren (1min24s770)

sábado, 5 de abril de 2008

Massa segue como favorito à vitória

"Como sempre, brasileiro não consegue disfarçar a decepção".


Segundo colocado no grid após dominar praticamente todos os treinos, Felipe Massa culpou o tráfego pelo tempo registrado na última parte da classificação de hoje, no Bahrein.

De qualquer forma, largar na primeira fila era o principal objetivo do brasileiro, que segue na condição de favorito à vitória na corrida de amanhã. Kubica, apesar de estar na pole, deve ser uns dos primeiros a parar para o reabastecimento.

Se fizer uma boa largada, mantendo na pior das hipóteses a posição de partida, se o carro não der mancadas e se o piloto não cometer erros, dificilmente Felipe perderá o GP barenita. Pela superioridade da Ferrari e a velocidade demonstrada pelo brazuca, a prova tem inclusive boas chances de ser sonolenta, cansativa e chata. Ao menos lá na frente.

Caso Massa confirme o que dele se espera, a grande briga será então pelo segundo lugar, este em teoria bastante concorrido entre Kubica, Lewis Hamilton (3º no grid), Kimi Raikkonen (4º) e Heikki Kovalainen (5º).

Os finlandeses, porém, parecem um pouco distantes dessa batalha. Aliás, muito ruim o desempenho do atual campeão da categoria no circuito de Sakhir. Se ao menos mantiver a seqüência de terceiros lugares no deserto — desde 2005 chega nesta posição —, poderá dizer que conseguiu um resultado mediano.

Esquisito no treino deste sábado foi Nick Heidfeld ter completado apenas uma tentativa de volta rápida no “Q3”. Marcou o sexto tempo e voltou para a garagem. Teria sido por estratégia? Difícil. Ficou a pinta mesmo de algum problema.

O prêmio “volta por cima” foi para a Toyota de Jarno Trulli, que obteve um bom sétimo posto, logo à frente de Nico Rosberg, com a Williams. Jenson Button também alcançou uma colocação satisfatória; a nono. Em décimo e certamente com o tanque cheio, a exemplo do que aconteceu nas duas etapas anteriores, larga o bicampeão Fernando Alonso.

Dentre os que ficaram no segundo pelotão, temos destaques positivos e negativos. Mark Webber, por exemplo, foi a maior decepção do ensaio, assim como a Red Bull por completo. O australiano foi apenas o 11º, enquanto David Coulthard sequer avançou para a segunda parte da classificação, estacionando em 17º.

Rubens Barrichello foi outro que deixou a desejar. Foi o 12º, dois postos à frente de Nelson Piquet, que piorou um degrau em relação ao grid do GP da Malásia. Segue aprendendo...

Faltou falarmos do ponto positivo: a 15ª passagem de Sébastien Bourdais. Foi o melhor treino do francês na categoria e a primeira vez em que superou o xará-companheiro Vettel na “grelha”, como diriam os portugueses.

Palpite para amanhã? Passeio e vitória de Massa, Hamilton em segundo, Kubica na terceira posição e uma corrida monótona. Ah, não se esqueçam de programar o relógio para acordar na hora; a largada é às 8h30 (de Brasília).

Grid de largada:
1) Robert Kubica (POL/BMW), 1min33s096
2) Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min33s123
3) Lewis Hamilton (ING/McLaren), 1min33s292
4) Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), 1min33s418
5) Heikki Kovalainen (FIN/McLaren), 1min33s488
6) Nick Heidfeld (ALE/BMW), 1min33s737
7) Jarno Trulli (ITA/Toyota), 1min33s994
8) Nico Rosberg (ALE/Williams), 1min34s015
9) Jenson Button (ING/Honda), 1min35s057
10) Fernando Alonso (ESP/Renault), 1min35s115

11) Mark Webber (AUS/Red Bull), 1min32s371
12) Rubens Barrichello (BRA/Honda), 1min32s508
13) Timo Glock (ALE/Toyota), 1min32s528
14) Nelson Piquet (BRA/Renault), 1min32s790
15) Sébastien Bourdais (FRA/Toro Rosso), 1min32s915
16) Kazuki Nakajima (JAP/Williams), 1min32s943

17) David Coulthard (ESC/Red Bull), 1min33s433
18) Giancarlo Fisichella (ITA/Force India), 1min33s501
19) Sebastian Vettel (ALE/Toro Rosso), 1min33s562
20) Adrian Sutil (ALE/Force India), 1min33s845
21) Anthony Davidson (ING/Super Aguri), 1min34s140
22) Takuma Sato (JAP/Super Aguri), 1min35s725

segunda-feira, 17 de março de 2008

Análise do 1º round

Lewis Hamilton: Há um ano, ele era uma jovem promessa que estreava com brilhantismo na Fórmula 1. No último fim de semana, o fenomenal vice-campeão conquistou de forma categórica sua quinta vitória no Mundial, sem dar sopa para erros ou azar. Fez a pole-position, dominou com tranqüilidade a prova e mostrou que seu talento nunca esteve ligado à presença de Fernando Alonso na McLaren.

Nick Heidfeld: Mais sorte do que méritos próprios fizeram o alemão alcançar o oitavo pódio de sua carreira. Não fosse o abandono de Kubica e o azar de Kovalainen com a entrada do Safety-Car, dificilmente teria participado da festa do champanhe. Foi regular e constante, como de costume.

Nico Rosberg: Há um bom tempo merecia conquistar seu primeiro troféu na categoria. Apesar de não ter um carro à altura de McLaren, BMW e Ferrari, o filho de Keke deve ser o principal aproveitador dos eventuais problemas enfrentados pelas integrantes do TOP 3, beliscando assim novos pódios ao longo do ano.

Fernando Alonso: A alegria da Renault e o melhor piloto da atualidade. Se estivesse a bordo de um McLaren em Melbourne, talvez nem mesmo Hamilton conseguisse superá-lo. No comando do monoposto francês, andou com a faca entre os dentes, “pendurado” do início ao fim do GP e obteve um ótimo quarto lugar para a equipe. Alonso enfrenta na Renault o mesmo desafio vivido por Michael Schumacher em 1996. E tal qual o alemão, conseguirá vencer pelo menos uma etapa com um bólido inferior.

Heikki Kovalainen: Só não terminou em segundo por conta da entrada do carro madrinha, que prejudicou sua parada nos boxes. Ponto positivo pela melhor volta da prova e por ter induzido o compatriota Raikkonen ao erro na briga pela segunda posição, mas leva um negativo por entregar de bobeira a quarta colocação para Alonso.

Kazuki Nakajima: Lembrou o pai, Satoru, na lambança que acabou com a boa corrida de Kubica. No entanto, soube aproveitar o bom pacote construído pela Williams para somar os primeiros pontos da carreira com um sexto lugar. Tal como o pai, cujo primeiro tento foi alcançado com uma sexta posição no GP de San Marino de 1987.

Sébastien Bourdais: O melhor dos estreantes, para o orgulho da nação francesa. Guiou como um experiente da categoria, deixando a desejar somente no ritmo de classificação, embora ele tenha alertado sobre suas dificuldades em voltas lançadas. Uma pena ter abandonado no finalzinho, por problemas de motor, mas levou ao menos dois pontos de bonificação.

Kimi Raikkonen: Sair da Austrália com um pontinho acabou sendo lucro para o Homem de Gelo, que cometeu erros nada condizentes para um campeão. O pior é que não fosse a pane no motor, ele teria provavelmente chegado em quarto; uma mostra do esforço da sorte em querer ajudá-lo. De respeitável, a ótima largada ao saltar do 15º para o oitavo lugar. De lamentar, a ida à brita no duelo com o conterrâneo Kovalainen e a rodada durante a tentativa de ultrapassagem sobre Timo Glock.

Robert Kubica: Bateu na trave na luta por aquela que teria sido uma surpreendente pole-position e bateram nele quando tinha praticamente garantido um lugar no pódio. Independente do desfecho ruim, foi um dos grandes nomes do GP.

Timo Glock: Uma reestréia difícil e dolorosa para o atual campeão da GP2, que protagonizou um forte acidente no final da corrida. Fez um bom trabalho no treino ao cravar o nono tempo do grid, mas foi muito discreto na prova.

Takuma Sato: Com um carro sem vergonha — aquela tranqueira utilizada pela Honda em 2007 —, conseguiu ao menos andar na frente do companheiro de equipe. Só isso.

Nelson Piquet: Sofreu muito com a pressão da estréia e andou abraçado com a zica durante todo o fim de semana. O carro não ajudou, a equipe idem, mas o piloto também ficou devendo. Resta aguardar a próxima etapa para termos uma melhor noção do potencial do rapaz.

Felipe Massa: Discreto na classificação, decepcionante no GP. Errou sozinho na largada e ao achar que David Coulthard abriria espaço para ele fazer a ultrapassagem do jeito que quisesse. No fim das contas ainda se nega a admitir que errou.

David Coulthard: Bem no treino oficial e até o momento de seu primeiro pit-stop. Vacilou ao fechar a porta no duelo com Massa, pagando caro pela escolha infeliz.

Jarno Trulli: Muito bem na classificação ao fazer o sexto tempo. Na corrida, foi traído por uma pane elétrica no modelo da Toyota, equipe que surpreendeu com o bom ritmo apresentado.

Adrian Sutil: Tomou mais de 0s6 do companheiro Fisichella na classificação e não completou a prova. Um saldo bastante ruim.

Mark Webber: Problema no treino, azar na largada e abandono precoce. Tudo o que um piloto da casa jamais desejaria.

Jenson Button: Tomou tempo de um inspirado Barrichello. Na corrida... não teve corrida.

Anthony Davidson: Ele esteve em Melbourne?

Sebastian Vettel: É o Hamilton em um carro mediano. Foi bravo na classificação ao levar o bólido da Toro Rosso até a Superpole e uma lamentável vítima do incidente da largada.

Giancarlo Fisichella: Teve um fim de semana decente e respeitável com o equipamento da Force Índia. Contudo, também não passou da primeira curva.

Rubens Barrichello: A grata surpresa para o Brasil. Mostrou que ainda tem arrojo e vontade para andar nas primeiras posições, além de capacidade para segurar carros muito mais velozes. A desclassificação foi correta pelo deslize cometido ao sair dos boxes no sinal vermelho, porém o mais importante foi a marca deixada. Que o Rubens do GP da Austrália desencante em todas as próximas etapas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Análise pós-etapa húngara

Como era de se imaginar, deu McLaren no GP da Hungria de altos e baixos. Em síntese, foi uma etapa muito acalorada durante e após o treino de classificação, mas que ao mesmo tempo registrou uma corrida monótona, de poucas ultrapassagens e de fiasco total por parte dos brasileiros. Façamos, portanto, uma análise de cada um dos participantes desta história.

- Lewis Hamilton, mais uma vez, errou quando podia. Rodou no treino livre de sexta-feira, mas foi impecável no restante do fim de semana. Só não fez a pole, na pista, porque acabou atrapalhado propositalmente pelo companheiro de equipe. Está certo que o inglês também contribuiu para a explosão do clima de tensão na McLaren ao não acatar a ordem do patrão Ron Dennis, que solicitou que ele desse passagem a Alonso durante a sessão classificatória. Na corrida, fez o necessário para conquistar a vitória e sequer deu trela para a pressão imposta por Raikkonen.

- Kimi Raikkonen, que havia destacado a necessidade de precisar chegar à frente de seus rivais para ainda sonhar com o título, deixou a desejar. Tudo bem que terminou em segundo, colado em Hamilton, mas em nenhum momento o finlandês tentou atacar o inglês da McLaren. O fato de ter registrado a melhor volta da corrida na passagem final foi um indício de que o ferrarista tinha carro para lutar pela vitória.

- Nick Heidfeld alcançou um belo terceiro lugar para a BMW, o segundo nesta temporada, mas o primeiro em condições normais de pressão e temperatura — a segunda posição conquistada no Canadá se deveu mais aos incidentes, punições e desclassificações que marcaram a rodada. Seu desempenho na classificação também foi digno de destaque, ao superar as Ferrari e garantir o terceiro giro. De ruim, só teve a largada, quando perdeu o segundo posto para o “homem de gelo”.

- Fernando Alonso, o novo mestre das maracutaias do circo, só não venceu a corrida por conta de sua malandragem. Mesmo se largasse atrás de Hamilton, teria um melhor ritmo de prova e conseguiria a quarta vitória no ano. Mas optou pelo lado negro da força, acabou punido com a perda de cinco posições e obteve a quarta colocação. Seu único ganho foi aumentar a insatisfação com a equipe prateada, da qual pode se desvincular prematuramente no fim do ano. Uma pena.

- Robert Kubica, assim como Heidfeld, adotou uma estratégia de três pit-stops e faturou com isso o quinto lugar. Apesar do bom resultado, não conseguiu em nenhum momento andar no mesmo ritmo do companheiro de equipe, ao contrário do que vinha acontecendo nas últimas etapas.

- Ralf Schumacher dificilmente se aposentará no final desta temporada, para a tristeza de muitos críticos do alemão, entre os quais me incluo. Temos de admitir, porém, que o alemão fez uma boa corrida. Largou em quinto, administrou bem a pressão imposta por Alonso durante o primeiro terço da disputa e terminou em sexto, seu melhor resultado no certame atual.

- Quarto no grid, após a punição de Alonso, Nico Rosberg enfim voltou a pontuar depois de um jejum de seis etapas. O alemão completou o GP em sétimo e foi um dos destaques da prova, por conseguir imprimir um bom ritmo com o modesto carro da Williams. Se a McLaren realmente se separar de Fernandinho, deveria analisar com carinho a contratação deste jovem tedesco.

- Heikki Kovalainen mais uma vez galgou um pontinho para a Renault. Foi o oitavo e alcançou um feito inédito em sua carreira ao marcar pontos em três provas consecutivas. Agora, está apenas um tento atrás de Giancarlo Fisichella, a quem necessita superar para ter seu passe mais valorizado para o mercado de 2008. Aliás, cabe aqui uma pergunta: para onde irá o finlandês caso Alonso volte para o time francês?

- Confesso que não notei Mark Webber nesta corrida. O australiano da Red Bull chegou em nono, melhorando um lugar em relação à largada. Bom para ele.

- A largada horrorosa, como ele mesmo definiu na conversa com os mecânicos, interferiu no desempenho de Jarno Trulli em Budapeste. Foi o décimo e ampliou para quatro a sua seqüência de provas sem pontuar.

- David Coulthard, 11º, foi outro que passou despercebido na Hungria. A Red Bull, pelo visto, deu muitas asas aos seus pilotos.

- Sem carro para brigar pelas primeiras posições, Giancarlo Fisichella sabe que precisa pelo menos andar na frente de Kovalainen. Não conseguiu, foi somente o 12º. É verdade que a perda do oitavo lugar no grid atrapalhou muito a corrida do italiano, que foi obrigado a partir do 13º posto por ter atrapalhado Sakon Yamamoto no treino de classificação.

- Uma equipe como a Ferrari e um piloto como Felipe Massa não poderiam ter dado um vexame tão grande como o que orquestraram em Hungaroring. Erraram no treino, na tática de corrida, em tudo. O único acerto veio nas declarações do brasileiro, ao dizer que esta foi a pior etapa de sua carreira. Saiu em 14º, chegou em 13º. Mesmo que a escuderia italiana tente repetir um novo papelão como este, dificilmente conseguirá fazê-lo. Digo o mesmo quanto ao brazuca.

- O que falar de Alexander Wurz, o 14º com o bólido da Williams? Será que vale a pena discutir sobre seu gesto de irritação, sinalizando paz e amor com a mão direita, ao ultrapassar a Spyker retardatária de Adrian Sutil? Acho que não.

- Já Takuma Sato foi bravo em andar na frente de Felipe Massa até a primeira parada de ambos nos boxes. O incrível é que o japonês da Super Aguri estava com um carro tão pesado quanto o do brasileiro. No fim, acabou em 15º.

- Sebastian Vettel perdeu do companheiro Liuzzi na classificação, mas ao menos terminou sua corrida de estréia na Toro Rosso, em 16º. Foi discreto no fim das contas, mais que o previsto.

- Terminar a corrida sem ser o último vale como um ponto para a Spyker, que foi a penúltima colocada com Adrian Sutil. Parabéns ao time e ao piloto.

- Rubens Barrichello conseguiu. Pela primeira vez em 14 anos de F-1 foi o último colocado de um GP. Não teve condições de brigar sequer com a Spyker. Deprimente, vergonhoso e triste episódio. Ele disse chorar durante 23 das 24 horas do dia. Deveria, no entanto, enxugar as lágrimas e trabalhar mais para tirar a Honda do brejo.

- Vitantonio Liuzzi, Anthony Davidson, Jenson Button e Sakon Yamamoto representaram as baixas desta etapa. Nada a dizer sobre eles.

- Em termos de campeonato, não há dúvidas de que a McLaren está a um bom passo de conquistar o título. Mas devemos nos lembrar que Hamilton e Alonso ainda vão se cruzar pelas próximas etapas, o que não aconteceu na Hungria. E as chances de saírem faíscas nos encontros são consideráveis.

- Por último, deixo meu único palpite: a decisão será novamente em nossa terra, no circuito de Interlagos.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Lewis e Kimi dominam a sexta-feira

Finlandês foi o melhor no segundo treino livre.

Ferrari e McLaren deixaram muito claro nesta sexta-feira, em Nürburgring, que são novamente as favoritas para brigar pela vitória de mais uma etapa do Mundial de Fórmula 1. No segundo treino livre para o GP da Europa, as duas equipes se intercalaram nas quatro primeiras posições, com Kimi Raikkonen sendo o mais veloz do “G-4”.

O finlandês, que tenta neste fim de semana o inédito feito pessoal de três vitórias consecutivas, completou 28 voltas, a melhor delas em 1min33s339, 0s139 superior à registrada pelo inglês Lewis Hamilton, o segundo colocado com o bólido da McLaren.

A marca de Raikkonen, no entanto, ficou bem longe da estabelecida pelo líder do campeonato durante a primeira sessão. No TL 1, o “negão” cravou 1min32s515, contra 1min32s751 do próprio Kimi, que fora o segundo na ocasião.

O motivo para os tempos mais altos foi a chuva que castigou o circuito tedesco no intervalo entre os dois ensaios. Apesar do traçado apenas úmido no início do treino, a “lavagem” da pista tirou todo o seu emborrachamento, deixando-a muito mais escorregadia. Além disso, os times provavelmente testaram acertos de piso molhado, que têm boas chances de serem utilizados no sábado e domingo.

Felipe Massa, que no ano passado conquistou em Nürburgring o seu primeiro pódio na categoria ao terminar em terceiro, ocupou esta mesma posição nos trabalhos de hoje, ficando a 0s251 do companheiro de equipe. Fernando Alonso veio em seguida, com 0s298 de desvantagem para Raikkonen.

Analisando os resultados, tiro a conclusão de que ambos os times estão muito parelhos para os confrontos pela pole-position e vitória. Tenho a sensação inclusive de que esta será a corrida mais disputada do ano, na qual os detalhes determinarão seu desfecho.

Entre as demais escuderias, destaque para a Toyota por colocar Ralf Schumacher e Jarno trulli na quinta e sexta posições. O time japonês, cuja fábrica de F-1 está sediada na cidade alemã de Colônia, costuma andar bem no autódromo germânico, mas também não seria espantoso se andasse com pouco combustível em seus carros para fazer uma graça em “casa”.

Surpresa mesmo foi o oitavo lugar de Jenson Button, outro que provavelmente andou com o marcador de gasosa próximo do vermelho. De contrato renovado, assim como Rubens Barrichello, o inglês da Honda ficou seis posições à frente de seu veterano parceiro, que na maior parte do ensaio figurou entre os três últimos da tabela de tempos.

Nico Rosberg em sétimo não deixa de ser um registro natural, visto que o alemão da Williams tem andado muito bem nos treinos livres desta temporada. Resta esperar para ver se consegue manter o ritmo durante a classificação.

Depois de impressionarem no TL 1, as BMW deixaram a desejar na sessão vespertina. Nick Heidfeld foi apenas o nono, seguido do polonês Robert Kubica. A grande decepção, porém, foi a Renault. Giancarlo Fisichella e Heikki Kovalainen, 15º e 16º, terão muito trabalho nesta etapa.

A boa constatação, em termos gerais, foi a proximidade dos tempos. Entre o primeiro colocado e o 13º colocado, apenas 1s018 de diferença.

Palpite para a classificação? Esperemos o treino livre de amanhã. Mas se tivesse que apostar em um nome hoje, seria o de Raikkonen.

Treino livre 2
1) Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), 1min33s339 (28 voltas)
2) Lewis Hamilton (ING/McLaren), 1min33s478 (28)
3) Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min33s590 (27)
4) Fernando Alonso (ESP/McLaren), 1min33s637 (30)
5) Ralf Schumacher (ALE/Toyota), 1min33s668 (18)
6) Jarno Trulli (ITA/Toyota), 1min33s746 (22)
7)Nico Rosberg (ALE/Williams), 1min33s845 (24)
8) Jenson Button (ING/Honda), 1min33s880 (36)
9) Nick Heidfeld (ALE/BMW Sauber), 1min34s146 (22)
10) Robert Kubica (POL/BMW Sauber), 1min34s221 (19)
11) Mark Webber (AUS/Red Bull), 1min34s235 (29)
12) Alexander Wurz (AUT/Williams), 1min34s264 (21)
13) Takuma Sato (JAP/Super Aguri), 1min34s357 (26)
14) Rubens Barrichello (BRA/Honda), 1min34s411 (26)
15) Giancarlo Fisichella (ITA/Renault), 1min34s431 (28)
16) Heikki Kovalainen (FIN/Renault), 1min34s446 (25)
17) David Coulthard (ESC/Red Bull), 1min34s504 (19)
18) Anthony Davidson (ING/Super Aguri), 1min34s554 (26)
19) Scott Speed (EUA/Toro Rosso), 1min35s320 (26)
20) Vitantonio Liuzzi (ITA/Toro Rosso), 1min35s653 (24)
21) Adrian Sutil (ALE/Spyker), 1min36s527 (25)
22) Markus Winkelhock (ALE/Spyker), 1min37s319 (19)

domingo, 8 de julho de 2007

Rescaldo de Silverstone

- Estratégia espetacular + carro equilibrado + piloto motivado = vitória de Kimi Raikkonen;

- O azarado, dessa vez, não foi o finlandês, mas sim Felipe Massa. De qualquer forma, grande prova de recuperação do brasileiro;

- Hamilton foi impressionantemente discreto na corrida, ao contrário do que acontecera na classificação. Já Alonso fez o que pôde e não pode ser esquecido na luta pelo título em hipótese alguma;

- Será que o piloto da BMW que vai engatar uma seqüência de quartos lugares, dessa vez, é Robert Kubica? Já são dois. E pensar que, há um mês, ele quase se deu muito mal;

- Pobre Barrichello. Corrida honesta e eficiente, mas que lhe rendeu apenas o nono lugar. Nada de pontos;

- Estabilizada como quarta força da categoria, a Renault está vivendo uma briga "semi-oficial" entre Fisichella e Kovalainen para que se saiba qual dos dois emparceira com Nelsinho em 2008. Hoje, ponto pro finlandês;

- Duas semanas para o próximo GP? Haja sofrimento e ansiedade!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Reflexões sobre o GP dos EUA

Se ainda havia algum receio de apontar Lewis Hamilton como forte candidato ao título de 2007, o resultado do GP dos EUA tratou de esclarecer de vez esta grata realidade. O “negão” mostrou por A + B que tem condições de se sagrar campeão, e os adversários que se virem para provar o contrário sobre o que hoje é encarado como totalmente viável.

Simplesmente não há mais o que se dizer sobre a genialidade do garoto britânico. Venceu sua segunda corrida consecutiva esbanjando autoridade e competência para segurar, quando precisou, o bicampeão Fernando Alonso. Disse estar vivendo um sonho, mas não é o único, pois a Fórmula 1 também curte com prazer este momento histórico.

O cenário se torna ainda mais atrativo pelo fato de estarmos assistindo a um confronto entre companheiros de equipe, que dispõem da mesma atenção para decidirem na pista quem subirá no degrau mais alto do pódio. Isso sim é bonito. Coisa que a McLaren faz com propriedade e deixa — ao menos deveria — a Ferrari vermelha de vergonha.

Aplausos, portanto, para Ron Dennis que faz por merecer ter uma nova dor de cabeça para controlar os ânimos entre seus dois pilotos fabulosos. Ele sabe que a enxaqueca de agora será recompensada com muitas outras vitórias. Trabalhar para que seus corredores superem um ao outro gera uma empolgação sem limites dentro do time, pois incentiva todo o grupo a trabalhar mais e melhor. Uma felicidade capaz de fazer até mesmo um frio mecânico inglês dizer em rede mundial que ama Hamilton. É esse o espírito de competição que o torcedor deseja.

As ordens de equipe devem ser adotadas apenas quando necessário. Se a Ferrari reagir nas próximas etapas, por exemplo, então será a hora da cúpula de Woking se reunir e determinar o número 1 do esquadrão. Da mesma forma como já fez a rival italiana, que elegeu Felipe Massa (embora não oficialmente) como o centro das atenções a partir de agora.

Mas voltemos a falar sobre a etapa de Indianápolis, a segunda melhor do ano na minha opinião — perdeu apenas para o GP do Canadá. Foi uma prova bastante movimentada, que teve muito agito no pelotão do fundo, alto destaque para os novatos e registrou o primeiro confronto direto entre Hamilton-Alonso e Massa-Raikkonen.

Fernandinho suou para ganhar na terra do “Tio Sam”, mas saiu derrotado. Deve ter se mordido por dentro para aparecer no pódio abraçado com Hamilton, mas teve o bom-senso de admitir que a disputa travada na pista foi limpa e honesta. Esporte é isso.

Lewis chegou aos 58 pontos dos 70 possíveis, manteve a liderança do certame e abriu dez tentos de vantagem sobre o espanhol. A briga está aberta e só tende a ficar mais acirrada. E não pensem que o asturiano está morto. Ao contrário, está fazendo um ótimo serviço em seu ano de estréia na McLaren. Se teve azar de ter um fenômeno como parceiro, teve sorte de se transferir para o melhor carro do momento, além de ter sido uma das peças fundamentais para a equipe atingir este nível.

Na Ferrari, o clima é de tensão. A escuderia fez o que era possível nos EUA e agora terá de quebrar a cabeça para melhorar o modelo F2007. Quanto aos pilotos, Massa decepcionou somente por ter adotado uma postura de “aqui só posso ser o terceiro”. Raikkonen, por sua vez, falhou novamente na largada, mas enfim pilotou de forma decente. Pena que tarde demais, pois nesta altura do campeonato terá de assumir o papel de número 2.

A BMW pontuou com Sebastian Vettel, que se tornou o mais jovem a terminar na zona de pontuação, com 19 anos 11 meses e 14 dias — a marca anterior era de Jenson Button, que estava com 20 anos, 2 meses e 7 dias quando chegou em sexto no Brasil, pela Williams, no GP de 2000. Nick Heidfeld abandonou com problemas no câmbio. Não fosse isso, chegaria em quinto. Como disse meu amigo Rodrigo Furlan, é um time em escala ascendente que pode surpreender as ditas “grandes” no retorno à fase européia.

Na Renault, Heikki Kovalainen parece ter se encontrado. Até liderou a corrida, ora bolas, e alcançou uma merecida quinta colocação. Já Giancarlo Fisichella pagou pela rodada, mas protagonizou belas ultrapassagens. Ficou em nono, a posição do bobo, diria Galvão Bueno.

Uma pena o abandono de Nico Rosberg, um rapaz que está andando muito bem neste ano, com um carro apenas razoável. Largou lá atrás e com uma boa estratégia de uma única parada saltou para sexto. Só não contava com o estouro do motor Toyota que equipa sua Williams.

Jarno Trulli e Mark Webber foram outros dois que pilotaram bem e garantiram pontos importantes para suas equipes. Mau para Ralf Schumacher, que abandonou na primeira curva. No caso de David Coulthard, sua cotação está aparentemente boa com o pessoal da Red Bull, apesar de também ter ficado pelo caminho.

Wurz, Davidson, Button e Liuzzi foram os lanterninhas que se mataram por uma “boa” posição no fundão. Garantiram um pouco mais de animação à corrida, pelo menos. Por fim Rubens Barrichello, sobre quem sinceramente não há o que falar. Creio que teria vencido a briga da rabeira do grid, caso não abandonasse.

Uma bela corrida esta dos EUA. E que venha a fase européia!

sexta-feira, 15 de junho de 2007

De caça a caçadora e vice-versa

A sexta-feira de treinos livres para o GP dos EUA confirmou a inversão de papéis ocorrida entre as candidatas ao título de 2007. De caça, a Ferrari passou a ser caçadora da nova presa, as flechas prateadas da McLaren. Fernando Alonso foi o mais rápido nos dois ensaios do dia, mostrando estar completamente determinado a superar tudo e a todos (entenda-se aqui Lewis Hamilton) para conseguir vencer pela terceira vez no ano.

A segunda posição no treino livre 2 ficou com o “negão”, líder do Mundial. Seu principal objetivo foi aprender os detalhes do circuito de Indianápolis, onde nunca havia pilotado. Mas como era de se esperar, o inglês demonstrou novamente sua inteligência e capacidade para rápidas adaptações. Será, portanto, um forte candidato à vitória.

Felipe Massa obteve o terceiro melhor giro e se disse confiante para a classificação e corrida. Avaliação semelhante fez seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen, o quarto colocado. Se não for blefe da dupla vermelha, assistiremos então a uma briga intensa pela pole-position neste sábado.

É de se esperar, de fato, um melhor desempenho da Ferrari em relação ao fiasco que foi no GP do Canadá. O retrospecto joga a favor da escuderia italiana — que venceu sete das seis provas disputadas em Indianápolis. Contudo, a atualidade aponta para uma considerável vantagem da McLaren, a meu ver de 0s2 a 0s3 no traçado norte-americano.

E é bom ficar de olho nas BMW, que andaram muito bem na sessão matinal, porém, mais discretas no ensaio vespertino. Mesmo assim, Nick Heidfeld estabeleceu a quinta passagem no treinamento da tarde, enquanto Sebastian Vettel foi o 11º. Um dia satisfatório para o novato alemão, que substitui Robert Kubica.

Boa atuação de Nico Rosberg ao fazer o sétimo tempo com a Williams, demonstrando a força do motor Toyota e a consistente aerodinâmica do modelo FW29. Destaque também para a Honda, que ficou em nono e décimo com Rubens Barrichello e Jenson Button. Usaram e abusaram dos pneus moles, mas enfim; que repitam o serviço no sábado.

Se tivesse que apostar em alguém para a pole de imediato, ficaria com Alonso. Ainda não defini meu vencedor, sequer os outros dois sujeitos que subirão no pódio. Mas essas e outras apostas ficarão para depois do treino livre 3.

Fiquem ligados na programação:*

Sábado (16)
11h00: treino livre 3
14h00: classificação

Domingo (17)
14h00: GP dos EUA (73 voltas)

*Horários de Brasília.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Análise pós-etapa canadense

GP do Canadá. Enfim uma corrida de verdade, marcada por várias ultrapassagens, resultados inesperados e bastante agito — só não precisava ter aquele acidente espetacular de Robert Kubica. Hora, portanto, da análise pós-GP.

- Lewis Hamilton foi impecável no fim de semana: conquistou a primeira pole-position e vitória. Mas o mais importante é que o inglês mostrou à McLaren ter totais condições de vencer o campeonato neste ano. Que não venham, então, pensar em privilégios a Fernando Alonso.

- Belíssima atuação de Nick Heidfeld e um merecido segundo lugar tanto para o piloto como para a BMW, que já vinham batendo na trave para participar da festa do champanhe. Faltava um tropeço de Ferrari ou McLaren para isso acontecer. E aconteceu.

- Muito bom ver a Williams novamente no pódio, após um jejum de dois anos sem terminar entre os três primeiros. Resta saber se a sorte de Alexander Wurz convencerá a equipe a mantê-lo no cockpit até o fim da temporada; os rumores não estão nada bons para o lado do austríaco.

- Heikki Kovalainen, mesmo recebendo meu agouro, acabou se dando bem. Chegou em quarto, seu melhor resultado na F-1. Ainda falta, porém, convencer de que pode alcançar boas posições em uma corrida sem tantos incidentes.

- Na Ferrari, decepção total e um fim de semana para ser esquecido: Felipe Massa foi desclassificado por sair dos boxes sem a permissão dos dirigentes de prova e Kimi Raikkonen, um zumbi apático na pista, amargou um modesto quinto lugar. Dizem que Lewis Hamilton parece ser um piloto de outro planeta, mas para mim o ET do momento é o finlandês, que terá de trabalhar como segundo piloto a partir das próximas provas; anotem isso!

- Quando se poderia imaginar uma Super Aguri ultrapassando carros da Ferrari e McLaren? Só Takuma Sato para fazer isso e garantir três honrados pontos pela sexta posição. A imagem foi vergonhosa; para Raikkonen e Fernando Alonso.

- Por falar no bicampeão, abusou nos erros e precisou se contentar com o sétimo posto. Pressão por não conseguir acompanhar o ritmo de Hamilton? Medo de ser derrotado pelo novato? Deve estar com saudades de Giancarlo Fisichella.

- Ralf Schumacher pontuou, foi o oitavo, mas pouco convenceu. Terá de melhorar muito nos EUA para a Toyota não meter o pé em seu traseiro antes do término do ano.

- Mark Webber e Nico Rosberg estiveram próximos do pódio, mas acabaram desiludidos por erros próprios. O australiano, em específico, foi um show à parte de barbeiragens.

- Rubens Barrichello foi outro que sentiu o cheirinho do champanhe e dos pontos por alguns instantes. No entanto, a Honda teve a capacidade de fazer uma estratégia doentia de pit-stop, arruinando as chances do brasileiro, que terminou em último. Sinceramente, é difícil saber o que se passa na cabeça dos comandantes da equipe japonesa.

- Esquisita a regra de abertura dos boxes durante a presença do Safety Car na pista. Pode-se entrar no pit para fazer a parada, mas não pode sair? Ah, é preciso aguardar o sinal verde... Azar de Massa e Fisichella. Não gostei.

- Fazia tempo que a FIA não decretava o “Stop & Go” como punição. Alonso e Rosberg tiveram de ficar dez segundos parados nos boxes e garantiram uma publicidade mundial e gratuita para este blog. Muito obrigado!

sábado, 9 de junho de 2007

Uma pole-position na raça!

Até pouco tempo atrás, uma das principais notícias que cercavam o mundo da Fórmula 1 era a estréia do primeiro negro no esporte com 57 anos de existência. Hoje, este mesmo personagem se tornou o primeiro “negão” a conquistar a pole-position. Um negro, um jovem gênio, simplesmente Lewis Hamilton.

O inglês e a McLaren surpreenderam a todos neste final de semana em Montreal. Até agora, engoliram e devoraram com muito gosto os carros vermelhos da Ferrari e partem para a corrida de amanhã com uma ótima oportunidade de ampliar a vantagem no mundial de pilotos e construtores.

Para o time inglês, neste momento, fica apenas um dilema: instaurar ou não a ordem de equipe? Fernando Alonso, largando em segundo, terá prioridade sobre Hamilton e ajuda para vencer a prova? Eu, sinceramente, acho que sim, embora acredite mais no potencial do espanhol para superar o parceiro de escuderia na pista do que a intervenção dos dirigentes para definir o resultado do GP.

Fernandinho foi perfeito durante quase todo o treino. Errou apenas em sua última volta rápida, na chicane que antecede a reta dos boxes. Perdeu ali a pole. Decepcionou somente na hora de cumprimentar Lewis pela estupenda conquista. Aliás, foi o inglês que se aproximou de Alonso para comemorar a dobradinha da McLaren. Que coisa feia, Fernando!

Seguindo pelo grid de largada, encontramos o surpreendente Nick Heidfeld na terceira posição com o carro da BMW. O alemão demonstrou uma boa adaptação ao circuito canadense, mas deixou a impressão de estar com pouca gasolina. Será um dos primeiros a fazer pit-stop, em minha opinião.

As surpresas negativas surgem na quarta e quinta posições; os pilotos da Ferrari. Kimi Raikkonen conseguiu ser mais veloz do que Felipe Massa, porém, tomou 0s704 do pole-position. Resta esperar para ver como os bólidos vermelhos se comportarão em ritmo de corrida, onde costumam levar certa vantagem sobre a McLaren. Mas do jeito que as coisas estão, um terceiro lugar aparenta ser o melhor que a escuderia italiana pode alcançar.

Belo treino de Nico Rosberg, sétimo colocado com o carro da Williams. Sigo apostando no alemão para ocupar o quinto lugar na corrida. Já Rubens Barrichello terá de remar muito para confirmar o meu palpite e terminar em quinto. O brasileiro obteve hoje um modesto 13º posto com o carro medonho da Honda, ficando atrás de Takuma Sato, da Super Aguri, e Vitantonio Liuzzi, da Toro Rosso.Não precisa falar mais nada, né?

Palmas também para o leão de treinos, Mark Webber, o sexto com a Red Bull. Quanto ao meu fiasco para o GP, fez bem o seu papel. Perdeu o aerofólio do carro da Renault na primeira parte da classificação, mas ainda assim conseguiu voltar à pista para tentar um bom tempo. Só não conseguiu o bom tempo... Heikki Kovalainen largará em 19º.

Outro que está dando pena é Ralf Schumacher. Amargou a 18ª posição, enquanto Jarno Trulli colocou a Toyota no décimo lugar. Uma vergonha para a família de sobrenome famoso.

A corrida, amanhã, deve ser uma das mais movimentadas — senão a mais — desta temporada, pois duas das principais características do circuito Gilles Villeneuve são a série de incidentes e os resultados inesperados que costuma celebrar.

Andar no traçado canadense sem cometer erros é algo que poucos conseguem. E quando conseguem, devem fazê-lo até a linha de chegada. Que o diga Nigel Mansell em 1991, quando perdeu uma vitória praticamente certa por pura burrada. O inglês acenava para o público e, inexplicavelmente, esbarrou na chave geral do carro e apagou o motor da Williams. Sorte para Nelson Piquet, que venceu pela última vez na F-1.

Quem será o vencedor neste domingo? Quem será que deixará a prova como líder do certame? Qual será a surpresa? Estou curioso para saber essas respostas. E você?

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Alerta vermelho para a Ferrari

Foi apenas uma sexta-feira de treinos livres, que costuma nunca fornecer bons parâmetros para análises profundas. Mas mesmo assim, deu para perceber que a McLaren está num ótimo momento de inspiração, determinação e evolução.

O melhor tempo de Fernando Alonso em ambas as sessões mostra que o time inglês tende a dar muito trabalho para a Ferrari neste fim de semana, numa pista em que a teoria até então apontava para a superioridade dos carros italianos.

Felipe Massa foi o segundo colocado, 0s540 mais lento que o espanhol bicampeão do mundo. A diferença entre os dois carros, no entanto, está longe de ser essa — e confesso ainda acreditar numa ligeira vantagem do modelo F2007. Mais do que isso, sigo apostando em duas vitórias da escuderia de Maranello no continente norte-americano.

Mas não subestimemos a McLaren — a única equipe que conseguiu fazer dobradinha neste ano — e esperemos pelos treinos de amanhã. Aliás, a classificação deste sábado promete ser bastante apertada e, para variar, quem fizer a pole-position estará com 90% de chances de vencer a etapa de Montreal.

Meu palpite para a pole extremamente suada e alcançada por ínfimos milésimos de segundo: Felipe Massa. Também coloco minhas fichas no brasileiro para a vitória. Alonso largará e chegará na segunda posição, seguido pelo apagado Kimi Raikkonen. Lewis Hamilton foi o meu escolhido para cometer alguns erros na prova, o que o deixará de fora da festa do champanhe pela primeira vez em sua brilhante e jovem carreira. O inglês será o quarto no GP.

Enquanto isso, no restante do grid...

- Nico Rosberg, da Williams, e Rubens Barrichello, da Honda, serão os destaques secundários da corrida. O alemão terminará em quinto. Logo atrás, virá o veterano brasileiro, marcando seus primeiros pontos no ano.

- Giancarlo Fisichella, da Renault, vencerá a BMW de Nick Heidfeld na disputa pelo sétimo lugar. Robert Kubica e David Coulthard completarão a lista dos dez primeiros, nesta ordem.

- O fiasco no Canadá será protagonizado por Heikki Kovalainen, aquele que inicialmente disse não gostar de Nelson Ângelo Piquet, mas depois fugiu da polêmica com um clássico “foi mentirinha”. O finlandês sequer completará um terço da corrida. Um agouro só para ele aprender a não ficar com gracinhas fora das pistas.

Tanto a classificação como a corrida canadense estão marcadas para as 14 horas, no horário de Brasília. Confiram!!!

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Análise pós-corrida espanhola

Muitas conclusões puderam ser tiradas no GP da Espanha, quarta etapa do Mundial de Fórmula 1, disputado neste domingo:

1) Felipe Massa é, no momento, o favorito ao título de 2007, mesmo estando a três pontos do líder da classificação, o impressionante Lewis Hamilton. O brazuca detém velocidade, arrojo, determinação e muito entusiasmo para cativar a condição de primeiro piloto na Ferrari.

2) Fernando Alonso e Kimi Raikkonen estão vivendo uma fase natural da Fórmula 1 moderna: o período de adaptação à nova escuderia, o que infelizmente — para eles, e principalmente para o finlandês — não acontece da noite para o dia.

3) Michael Schumacher deixou “nada mais” do que recordes na categoria. A presença do alemão em Barcelona teve pouquíssima repercussão; prova maior de que sua ausência no grid nada influenciou nos rumos da competição.

4) A exceção do azar, que voltou, Raikkonen está irreconhecível na Ferrari. Não parece, nem de longe, o piloto rápido e audacioso dos tempos de McLaren. Tem sido uma das grandes decepções do torneio.

5) Se os apêndices aerodinâmicos não forem banidos, a F-1 permanecerá neste marasmo de corridas sem ultrapassagens, o que é muito chato.

6) Heikki Kovalainen, enfim, está andando de forma decente. Ainda poder fazer muito mais, é verdade, mas o desempenho atual do finlandês da Renault — caso mantido — será o necessário para aposentar Giancarlo Fisichella.

7) Jenson Button se enterrou na Honda. Com o zero de vontade que demonstra ter durante as provas, merece um pé no traseiro por parte dos japoneses. Se há alguém que deve permanecer no time, este é Rubens Barrichello.

8) A Toyota não nasceu para competir na F-1.

9) Nico Rosberg, quando tiver em mãos um carro veloz, poderá surpreender.

10) Mark Webber é outro com dias contados na categoria.

11) A BMW será uma ameaça a Ferrari e McLaren nas pistas travadas. Em Mônaco, por exemplo.

12) Preciso ir à igreja pedir perdão pelos vários xingamentos proferidos após o corte da transmissão da corrida para o Brasil, em função da missa do Papa Bento XVI. Parabéns aos profissionais do rádio que não deixaram os fãs do esporte a motor na mão.

Curiosidade:

- O Brasil não via um piloto de casa conquistar três poles consecutivas desde 1994, quando Ayrton Senna largou na frente na primeira trinca de etapas.

- A última vez que o país faturou duas etapas consecutivas foi em 2004, com Rubens Barrichello, nos GPs da Itália e China.