sábado, 4 de agosto de 2007

Malandragem, uma receita antiga

A tática de malandro adotada por Fernando Alonso para conquistar a pole-position do GP da Hungria me fez lembrar, de imediato, um episódio muito parecido — em termos de intenção — que foi registrado há 21 anos, mais precisamente no dia 27 de julho de 1986, no GP da Alemanha, em Hockenheim.

O cenário da trama era também bastante semelhante ao que temos acompanhado na temporada atual: uma equipe inglesa e uma dupla de pilotos composta por um inglês e um latino. No caso, tínhamos a Williams, Nigel Mansell e Nelson Piquet.

A volta era a de número 15 da corrida alemã. O brasileiro estava na liderança, enquanto o “Leão” aparecia em sexto, protagonizando uma bela escapada de pista após errar uma freada, o que comprometeu os pneus de seu carro.

A Williams, então, se preparou para receber o inglês, mas quem entrou nos boxes, de propósito, foi Piquet, para o desespero dos dirigentes da equipe. Mansell teve que completar mais uma volta com os pneus deteriorados e enterrou suas chances de lutar pela vitória.

Quem não gostou nada da tática esperta de Nelson foi Patrick Head, sócio de Frank Williams, que ficou desesperado no pit-lane, xingando tudo e a todos. Ninguém duvidava naquela época que o time britânico tinha mais simpatia pelo “Leão”. Piquet era quem mais sabia disso e, por tal motivo, fazia das suas para conseguir vencer o rival.

E assim ele conquistou o topo do pódio em Hockenheim. Quanto a nós, brasileiros, não reclamamos nem um pouco dessa malandragem.

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