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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Lembrança de vitória

FOTO: REPRODUÇÃO/LAT
Manhã de domingo, 1º de maio, corrida de Fórmula 1, Ayrton Senna na pista, circuito de Ímola. Tristeza? Nada disso. Há 21 anos, o tricampeão conquistava a sua primeira vitória no circuito de San Marino, a sétima da carreira.

A bordo do modelo MP4/4 da McLaren, equipado com motor Honda, o brasileiro partiu para as 60 voltas do Grande Prêmio saindo de seu lugar habitual, a pole position. Do sinal verde até a bandeirada foram exatos 1h32min41s264 na liderança. Venceu de ponta a ponta, numa atuação irretocável.

Com o resultado, Senna marcou seus primeiros nove pontos na temporada de 1988, ano de seu primeiro título Mundial. Em Ímola, conquistaria ainda outras duas vitórias (1989 e 1991) e mais algumas poles para ser até hoje o piloto que mais vezes largou na frente neste circuito, num total de oito proezas.

Ah, mas esse não é o 1º de maio que estamos habituados a recordar, não é mesmo? Exato, mas é bom lembrarmos também que esta data já foi motivo de alegria para nós. Por isso, fiquemos ao menos uma vez com a imagem feliz que este dia nos proporcionou.

Essa é a nossa homenagem diferenciada ao eterno campeão.

terça-feira, 21 de abril de 2009

24 anos da 1ª vitória

FOTOS: REPRODUÇÃO/LAT
Em meio à tristeza de muitos brasileiros ocasionada pela morte de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil após 20 anos de Regime Militar, uma jovem promessa do automobilismo nacional conquistava naquele 21 de abril de 1985, em Portugal, a sua primeira vitória na Fórmula 1.

As condições não poderiam ser mais condizentes à habilidade do tricampeão: chuva, muita água para a segunda etapa do Mundial. Senna largou na pole position, a número 1 de seu currículo, fez uma largada sem erros para se manter na frente do pelotão e caminhar por longas 67 voltas rumo à bandeira quadriculada.

Tamanha era a dificuldade de se manter na pista ensopada que apenas nove dos 26 carros do grid conseguiram terminar a prova. Ayrton, como a maioria dos adversários, também deu umas escapadas, rodou, passou pela grama, mas teve sorte e competência para sair ileso dos deslizes.

Liderou de ponta a ponta, com direito à volta mais rápida da corrida, selando assim o seu primeiro hat-trick (pole, vitória e melhor volta). Quanto aos concorrentes, sequer tiveram chance de incomodar o brasileiro. Tanto é que Michele Alboreto, o segundo colocado, completou o GP com mais de 1 minuto de atraso em relação ao vencedor.

Com o resultado, Senna passou a dividir com Alain Prost a vice-liderança do certame de 85, ambos com nove pontos. A primeira posição do campeonato era de Alboreto, com 12 tentos. Ao término do ano, porém, foi Prost quem celebrou o primeiro dos seus quatro títulos. Ayrton, que venceria ainda o GP da Bélgica, encerrou a temporada com o quarto lugar da classificação.

Resultado do GP de Portugal de 85:
1) Ayrton Senna (BRA/Lotus Renault), 67 voltas em 2h00min28s006
2) Michele Alboreto (ITA/Ferrari), a 1min02s978
3) Patrick Tambay (FRA/Renault), a 1 volta
4) Elio De Angelis (ITA/Lotus Renault), a 1 volta
5) Nigel Mansell (ING/Williams Honda), a 2 voltas
6) Stefan Bellof (ALE/Tyrrell Ford Cosworth), a 2 voltas
7) Derek Warwick (ING/Renault), a 2 voltas
8) Stefan Johansson (SUE/Ferrari), a 5 voltas
9) Piercarlo Ghinzani (ITA/Osella Alfa Romeo), a 6 voltas

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Provas "natalinas"

Corrida de Fórmula 1 no mês de dezembro? Algo raro na história da categoria, mas que já aconteceu. Três vezes para ser mais exato. A última delas, aliás, completou hoje 46 anos de sua realização; o Grande Prêmio da África do Sul de 1962.

A prova, no circuito de East London, foi vencida pelo inglês Graham Hill, que com a conquista garantiu o primeiro de seus dois títulos mundiais.

O autódromo sul-africano receberia em 28 de dezembro de 1963 mais uma etapa do torneio, só que desta vez com o campeão já definido: Jim Clark. O escocês, contudo, não perdeu o ritmo e a motivação, vencendo a corrida de encerramento daquela temporada com mais de um minuto de vantagem sobre o segundo colocado, Dan Gurney.

Alguns anos antes, em 1959, a F-1 disputava a sua primeira prova no mês do Natal. Foi no dia 12, no circuito norte-americano de Sebring, onde Bruce McLaren conquistou a sua vitória de número 1 da carreira e Jack Brabham - com um quarto lugar - faturou o primeiro de seus três títulos na categoria.

Se esporte é espetáculo, bem que poderiamos ter pelo menos uma corrida em dezembro. Não seria a primeira, nem a última modalidade esportiva a se "exercitar" no 12º mês do ano.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Chega de polêmica, agora é Monza

“Registro da primeira corrida de Fórmula 1 em Monza, no ano de 1950”.

Há 86 anos, os italianos inauguravam no chuvoso 3 de setembro de 1922 aquele que se tornaria um dos autódromos mais tradicionais e velozes do mundo. Nascia ali, 20 quilômetros ao norte de Milão, o legendário circuito de Monza.

Ao lado do GP da Inglaterra, a etapa da Itália é a única realizada desde a temporada de estréia da Fórmula 1. Das 58 edições da prova, 57 foram disputadas no desafiador traçado de Monza. A exceção foi em 1980, quando o Grande Prêmio foi sediado em Ímola.

Embora mantenha as características que a tornaram adorada pela maioria dos pilotos, Monza passou por oito alterações de layout. Até 1971 não havia chicanes, somente audaciosas e perigosas curvas de altíssima velocidade. Entre 1955 e 1961, o complexo teve inclusive um trecho oval com curvões inclinados, o qual existe até hoje e pode ser visitado pelos fãs do esporte a motor.

Na atualidade, a pista italiana é mais rápida do calendário, onde se atinge velocidade média em torno dos 250 km/h. O acerto precisa ter uma baixíssima pressão aerodinâmica, com o menor coeficiente de arrasto possível — o que implica em aerofólios praticamente retos e na eliminação de muitos apêndices aerodinâmicos —, a fim de permitir que os carros ultrapassem a barreira dos 350 km/h na reta principal.

“Stirling Moss, a bordo de um Mercedes-Benz, percorre o trecho oval na prova de 1955”.

A maior velocidade média em uma volta em Grande Prêmio foi alcançada neste circuito: 257,321 km/h, conseguida por Rubens Barrichello, com a Ferrari em 2004. O recorde em classificação também pertence ao brasileiro, que fez a pole-position daquele mesmo ano com uma média de 260,395 km/h.

Ainda sobre os monopostos, vale destacar exigência de uma boa estabilidade para permitir o ataque às zebras e garantir a melhor tração nas saídas das curvas lentas. Os freios são de extrema importância, já que são acionados durante 15% do tempo de cada volta. Na primeira chicane, para se ter uma idéia, os pilotos aplicam no sistema de frenagem uma força equivalente a 4.5 vezes a força da gravidade.

Monza é conhecida também como o último teste para um motor de Fórmula 1. Nesta pista, o propulsor trabalha em regime máximo durante 77% da volta, enquanto a média da temporada é de 61%. O coração do carro precisa ser capaz de trabalhar efetivamente acima dos 275 km/h e suportar as agressivas acelerações e desacelerações. Por isso, é provável que tenhamos alguns abandonos por quebra de motor no próximo domingo.

No que diz respeito à história, o GP da Itália marcou inúmeras consagrações importantes para a F-1. Foi em Monza, por exemplo, que a categoria conheceu seu primeiro campeão, em 1950: o italiano Giuseppe Farina. E foi lá que Michael Schumacher anunciou para o mundo a sua decisão de pendurar o capacete, em 2006.

“Motor da Renault de Fernando Alonso não resistiu à corrida de 2006”.

Tragédias, infelizmente, também fazem parte do “currículo” desta pista. Em 1961, Wolfgang Von Trips morreu após um acidente na curva Parabólica, no qual bateu sua Ferrari na Lotus de Jim Clark e foi lançado em direção às telas de proteção. O alemão foi atirado para fora do carro e caiu no chão já sem vida. O incidente acabou vitimando outras 12 pessoas que estavam nas arquibancadas.

Nove anos depois, Jochen Rindt sofreu um gravíssimo e fatal acidente ao perder o controle do seu Lotus na Parabólica, durante os treinos de sábado — era a estréia do clássico modelo Lotus 72. Naquele certame de 1970, o austríaco se tornaria o único campeão póstumo da categoria.

Para o Brasil, Monza reservou oito momentos de glória, com três vitórias de Nelson Piquet (1983, 1986 e 1987), duas de Ayrton Senna (1990 e 1992) e Rubens Barrichello (2002 e 2004) e uma de Emerson Fittipaldi (1972). A conquista do “Rato”, em particular, rendeu-lhe seu primeiro título.

O número de proezas da nação verde-amarela no GP da Itália tem boas chances de aumentar no fim de semana com Felipe Massa. A vitória do brazuca na “casa” da Ferrari teria um sabor ainda mais especial, pois garantiria ao piloto a retomada da liderança do campeonato, independente da colocação de Lewis Hamilton.

"Rubens Barrichello venceu duas vezes e fez as voltas mais velozes desta pista".

Um triunfo de Felipe com o inglês em segundo os deixariam empatados em número de pontos — ambos com 84 —, porém o brasileiro ficaria na frente por ter seis vitórias contra quatro do adversário.

Seis vitórias! Uma façanha não alcançada pelo Brasil desde 1991, ano do tricampeonato de Ayrton Senna. Nosso último campeão, na verdade, ganhou sete provas naquela temporada.

Mais um detalhe interessante para a 14ª etapa do Mundial: os postulantes ao título jamais venceram em Monza. Dos pilotos em atividade, somente David Coulthard, Barrichello (duas vezes) e Fernando Alonso.

Quem será o novo vencedor nesta pista?

Ficha técnica - GP da Itália

Circuito de Monza
Extensão: 5.793 m
Voltas: 53 (306.720 km)
Número de curvas: 10 (6 para a esquerda, 4 para a direita)
Velocidade máxima: 368 km/h
Provas realizadas: 57
Recorde de pole-position: Rubens Barrichello em 2004 com a Ferrari (1min20s089)
Melhor volta em corrida: Rubens Barrichello em 2004 com a Ferrari (1min21s046)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Uma boa lembrança

Dizem que bons pensamentos atraem coisas positivas. Sendo assim, que tal relembrarmos uma das boas edições do GP da Bélgica para fortalecer as esperanças por uma etapa acirrada neste fim de semana?

O episódio escolhido por este escriba foi o da corrida de 1995, emocionante desde a largada, afetada pela chuva na metade do páreo e vencida com todos os méritos por Michael Schumacher, depois de ter largado em 16º e defendido com unhas e dentes a liderança diante do ataque ferrenho de Damon Hill. Detalhe: o alemão tinha pneus lisos no piso molhado, enquanto o inglês estava com os compostos de chuva.

Este vídeo mostra os calorosos primeiros nove minutos da prova, que está dividida em nove partes no “Youtube”. Basta assistir à primeira e ir clicando no link dos próximos capítulos. Vale a pena ver todos.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Fragmentos de Spa

Quatro campeões do mundo e vencedores do GP da Bélgica — totalizam nada menos que 15 vitórias em Spa-Francorchamps. Por isso, vale a pena admirar a tocada de cada um deles neste incrível circuito, o predileto da maioria dos pilotos.

O primeiro vídeo mostra uma volta lançada de Ayrton Senna durante o treino classificatório da etapa de 1991. Na seqüência, Michael Schumacher no treino oficial de 1997. Em seguida, duas voltas no carro de Mika Hakkinen e a magnífica ultrapassagem sobre Schummy na corrida de 2000.

Por fim, um giro com Kimi Raikkonen na passagem que lhe garantiu a pole belga no ano passado. Aproveite para observar as mudanças feitas no traçado, em especial a nova e não mais desafiadora chicane da Bus Stop e a larga reta principal.

Delicie-se e vá entrando no clima para a corrida do próximo domingo!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Memórias do GP da Europa

O primeiro vencedor do GP da Europa, realizado no circuito inglês de Brands Hatch, foi brasileiro: Nelson Piquet, em 1983, com a Brabham-BMW. Foi a décima das 23 vitórias do tricampeão.

Dois anos mais tarde, novamente em Brands Hatch, a torcida local festejava a estréia de um “felino” no topo do pódio: Nigel Mansell, com a Williams-Honda.

Na única edição da corrida européia em Donington Park, no ano de 1993, Ayrton Senna foi soberano. A bordo do McLaren-Ford, venceu com direito a colocar uma volta de vantagem no terceiro colocado, ninguém menos que Alain Prost.

Em Jerez de La Frontera, a decisão do título de 1997 entre Jacques Villeneuve e Michael Schumacher. O alemão tentou jogar sujo na ultrapassagem do canadense, mas acabou levando a pior. Perdeu o campeonato e o respeito pela atitude anti-desportiva de lançar o carro sobre o rival.

Em dia de chuva, acidentes, quebras e trapalhadas dos favoritos à vitória no circuito de Nürburgring, em 1999, Johnny Herbert obteve o único êxito da Stewart-Ford na Fórmula 1. Rubens Barrichello, até então cotado para levar a equipe escocesa ao degrau mais alto do pódio, ficou em terceiro, atrás da Prost-Peugeot de Jarno Trulli.

Se vencesse aquela corrida de 2005, Kimi Raikkonen seria aclamado como herói por andar no limite com um McLaren que vibrava absurdamente na parte dianteira. A suspensão, no entanto, deixou o finlandês na mão em plena volta final.

A imagem de um abandono? Nada disso. A cena de uma forcinha do guincho, que recolocou Lewis Hamilton na pista para prosseguir na corrida de 2007.

Desentendimento antes do pódio da corrida do ano passado. Tudo porque Felipe Massa vendeu caro a primeira posição na pista e Fernando Alonso não gostou. Será que ele queria que o brasileiro entregasse de mãos beijadas a vitória ou estava mesmo de TPM?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Histórias quase iguais

Tal qual Felipe Massa no princípio, mas com um desfecho diferenciado. Há exatos oito anos, Mika Hakkinen alinhou o carro da McLaren na terceira posição do grid para o Grande Prêmio da Hungria, que teve como pole-position a Ferrari de Michael Schumacher.

Ao se apagarem as luzes vermelhas, o finlandês enterrou o favoritismo do alemão com uma bela largada, assumindo a ponta no contorno da primeira curva, numa manobra pelo lado interno da pista.

Na semana retrasada, foi a vez de uma Ferrari aplicar um “golpe” semelhante na rival prateada. De diferente, apenas a trajetória escolhida — já que o brasileiro despachou as McLaren de Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen pela linha de fora do traçado — e o fim da trama, pois Hakkinen ganhou a corrida de 2000. Felipe não; foi traído pelo equipamento quando faltavam três voltas para acabar o GP.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

"Causos" inesperados

Pane seca na última volta faz Alain Prost cair do terceiro para o sexto lugar no GP da Alemanha de 1986.

Nigel Mansell deixa o carro morrer em plena volta final do GP do Canadá de 1991, após dominar com sobras. Nelson Piquet não só agradeceu como venceu.

Problemas no bólido da Arrows no fim da prova tiraram de Damon Hill uma vitória histórica no GP da Hungria de 1997. De consolo, restou ao inglês o segundo lugar do pódio.

Quebra da embreagem tira vitória de Mika Hakkinen na última volta do GP da Espanha de 2001. No retorno aos boxes, uma carona com David Coulthard.

Nada de problema mecânico. Neste caso foi a ordem de equipe que obrigou Rubens Barrichello a entregar a vitória do GP da Áustria de 2002 para Michael Schumacher na linha de chegada.

Há três voltas para o fim da corrida... Bom, esse “causo” dispensa recordações imediatas.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Decisões e conquistas marcantes

Por duas vezes, Hungaroring foi o palco da decisão do título mundial. Em 1992, mesmo perdendo a vitória para Ayrton Senna, Nigel Mansell faturou seu único caneco na categoria ao completar a disputa na segunda posição. Nove anos depois, era a Ferrari que comemorava a taça de construtores, graças à dobradinha de Michael Schumacher e Rubens Barrichello.

Para dois pilotos que ainda estão no grid a Hungria também traz ótimas recordações. Foi lá que Fernando Alonso venceu pela primeira vez, em 2003 com a Renault, e se tornou o mais jovem vencedor da história com 22 anos e 26 dias. Jenson Button, no ano retrasado, enfim conseguiu subir ao topo do pódio e de Honda! Foi a primeira e, até o momento, única consagração da carreira do inglês.

Na turma dos aposentados, Thierry Boutsen guarda a lembrança de ter conquistado em Budapeste a sua terceira e última vitória na Fórmula 1. Foi em 1990, com a Williams, após ter saído da pole-position. O belga só não levou a melhor volta, que ficou com Riccardo Patrese, seu parceiro de equipe.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Memórias brasileiras em sólo húngaro

Em semana de Grande Prêmio, um propício resumo do GP da Hungria de 1986 para matarmos saudade dos bons tempos da Fórmula 1. Foi a primeira corrida realizada no país do leste europeu, que registrou dobradinha do Brasil no pódio e uma das mais belas ultrapassagens da história da categoria. Um duelo entre Piquet e Senna de causar arrepio!

A obra de arte foi concluída em dois atos, ambos realizados no fim da reta principal. No primeiro, Piquet tentou ganhar a liderança da prova com uma ultrapassagem por dentro da curva, mas acabou espalhando e, com isso, Senna retomou a dianteira.

Na segunda tentativa, porém, Nelson foi impecável e extremamente arrojado para segurar um carro com 1200 hp escorregando de lado, com os pneus travados e em uma manobra por fora. Senna tentou defender a posição até o limite, mas teve de ceder ao talento do adversário, que conseguiu um feito genial. “O momento mais bonito da história da F-1”, definiu o tricampeão Jackie Stewart.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Saga japonesa na F-1

“O famoso Ukyo ‘Catagrama’ no GP da Austrália de 94”.

Atendendo a pedidos do blogueiro Hugo Versati, um fã declarado dos pilotos do Oriente, preparamos um post especial sobre os competidores nipônicos que passaram pela Fórmula 1, em homenagem aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil.

Em 58 anos da categoria, aventuraram-se no circo 20 representantes da terra do sol nascente. Os precursores da legião foram Takahara Noritake, Hoshino Kazuyoshi e Hasemi Masahiro, no GP do Japão de 1976.

Correndo em casa, o trio não desapontou a torcida que compareceu ao circuito de Fuji no dia 24 de outubro. Masahiro, defendendo a equipe Kojima, obteve a melhor colocação nos treinos ao estabelecer o décimo tempo. Kazuyoshi, de Tyrrell, ficou em 21º, enquanto Noritake alinhou o carro da Surtees na penúltima posição, em 24º.

“Takahara Noritake a bordo do Kojima-Ford no GP do Japão de 1977”.

Na prova, realizada sob chuva e vencida pelo americano Mario Andretti, as atenções dos torcedores locais se voltaram para a bela recuperação de Noritake, que recebeu a bandeirada em nono. Hasemi foi o 11º e último dentre os que completaram o GP, mas conseguiu a proeza de fazer a volta mais rápida da corrida. Já Kazuyoshi, com problemas nos pneus, abandonou na 33ª passagem.

O primeiro ponto japonês foi conquistado por Satoru Nakajima, em 1987, ao terminar o GP de San Marino na sexta posição, a bordo da Lotus amarela. O pai de Kazuki foi também o primeiro nipônico a disputar uma temporada completa, sendo companheiro de equipe de ninguém menos que Ayrton Senna.

Pódio eles também fizeram. Somente dois, mas e daí? O primeiro com Aguri Suzuki, na etapa do Japão de 1990, em Suzuka, guiando um bólido da Lola. O segundo com Takuma Sato, de BAR no GP dos Estados Unidos de 2004. Ambos chegaram em terceiro.

“Nelson Piquet e Roberto Moreno estiveram ao lado do feioso Aguri Suzuki no primeiro pódio japonês na F-1”.

Conseguiram ainda liderar um Grande Prêmio. Por duas voltas, o equivalente a dez quilômetros, na prova de Nürburgring de 2004. Coube a Sato esta façanha; ele que se consolidou como o melhor piloto japonês a passar pela Fórmula 1. Foi quem mais pontuou de sua nação, com 44 tentos, protagonizou belas ultrapassagens como a feita sobre Fernando Alonso no GP do Canadá de 2007 e até largou na primeira fila do grid — em segundo no GP da Europa de 2004.

Com a falência da Super Aguri, Takuma perdeu a chance de ser o nipônico que mais vezes correu. Parou com 90 corridas, cinco a menos que o recordista de sua terra, o folclórico Ukyo Katayama. Para nós brasileiros, conhecido como Catagrama.

E quem não se lembra de nomes famosos como Shinji Nakano, Tora Takaji, Yuji Ide, Sakon Yamamoto, das barbeiragens de Satoru Nakajima — uma delas bastante polêmica, no GP do Brasil de 1990, quando era retardatário e se chocou com o líder Ayrton Senna —, de Taki Inoue sendo atropelado pelo carro de serviço no GP da Hungria de 1995. Enfim, os japoneses fizeram história na competição. Na verdade ainda fazem, já que Kazuki Nakajima, mais piloto que o pai, está em atividade como corredor da Williams e realizando uma temporada satisfatória.

“Satoru Nakajima, de Lotus, no GP de San Marino de 87”.

Mas a saga japonesa não se limita aos pilotos. Também se estende às equipes, duas em operação: Honda e Toyota. Kojima e Maki surgiram na década de 1970, mas desapareceram rapidamente. A última extinta foi a Super Aguri, que apesar do pouco tempo de vida realizou um trabalho bastante honesto e louvável, em que pese ter sido uma escuderia pequena.

O grande sucesso oriental na F-1, contudo, concretizou-se no fornecimento de motores. Foram seis construtoras ao todo: Yamaha, Subaru, Asiatech, Mugen Honda, Toyota e Honda, esta última famosa e vencedora na Era dos propulsores turbos, nos anos 80, e também no início da década de 90.

Os motores Honda, que equiparam carros como Williams, McLaren, Lotus, Tyrrell, e Jordan, acumulam 72 vitórias, 77 poles, 57 voltas mais rápidas, 173 pódios e cinco títulos consecutivos entre 1987 e 1991. Um saldo admirável.

Raio-x do Japão

Pilotos: 20
- Aguri Suzuki
- Hideki Noda
- Hiroshi Fushida
- Kazuki Nakajima
- Kazuyoshi Hoshino
- Kunimitsu Takahashi
- Masami Kuwashima
- Masahiro Hasemi
- Naoki Hattori
- Noritake Takahara
- Sakon Yamamoto
- Satoru Nakajima
- Satoshi Motoyama
- Shinji Nakano
- Taki Inoue
- Takuma Sato
- Tora Takagi
- Toshio Suzuki
- Ukyo Katayama
- Yuji Ide

GPs disputados: 301
Pódios: 2
Pontos: 82
Voltas mais rápidas: 2
Voltas na liderança: 2 (em Nürburgring no ano de 2004)
Melhor resultado: 3º lugar
Melhor posição no grid: 2º lugar
Melhor resultado no campeonato: 8º com Takuma Sato em 2004
Recordista de GPs: Ukyo Katayama (95)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Lembranças de Montreal

Assim como Lewis Hamilton, Jean Alesi obteve no Canadá sua primeira vitória na Fórmula 1. A diferença entre as façanhas é que a do aposentado francês representa a sua única conquista na categoria, enquanto o novato britânico já acumula seis proezas no currículo.

Para vencer a etapa canadense de 1995, Alesi teve de contar com uma boa dose de sorte. Quinto colocado no grid, o piloto da Ferrari saltou para quarto logo na primeira volta. Um giro depois, beneficiado pela rodada de David Coulthard, assumiu o terceiro lugar e foi para o ataque sobre a outra Williams, a de Damon Hill, a qual superou no “hairpin” do circuito, na passagem 16.

Alcançar o líder do GP, Michael Schumacher, seria algo mais difícil, pois o alemão tinha construído uma sólida vantagem em relação ao francês; algo em torno de 50 segundos. Só mesmo um azar do tedesco ajudaria Alesi. E não é que ajudou?

Na volta 57, a Benetton ficou lenta na pista por problemas elétricos e Schumacher teve de retornar aos boxes. O multi-campeão ainda conseguiu permanecer na corrida, mas longe da liderança, na quinta posição.

Jean, que celebrava 31 anos naquele dia, ganhou o seu sonhado presente de aniversário. Recebeu a bandeirada com mais de 30 segundos de vantagem para o segundo colocado, Rubens Barrichello, da Jordan. Eddie Irvine, companheiro do brasileiro, completou o pódio.

Na volta de comemoração, Alesi deixou o bólido da Ferrari pelo caminho e voltou para os boxes de carona com Schumacher. Vibrou feito uma criança na festa do champanhe. E com razão, por se tratar de sua primeira vitória, um momento único na carreira de qualquer piloto. No caso do francês, foi de fato único.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Dia de recordação para Piquet e Schumacher

Dois ex-campeões que já foram inclusive companheiros de equipe guardam boas lembranças do dia 2 de junho. No caso de Nelson Piquet, foi nessa data, em 1991, que obteve sua 23ª e última vitória na principal categoria do automobilismo.

A consagração veio no GP do Canadá, a bordo de um Benetton e com uma importante ajuda do atrapalhado Nigel Mansell, que liderava com folga a etapa, mas conseguiu a façanha de deixar o carro da poderosa Williams morrer em plena última volta, quando já acenava para os torcedores. Piquet agradeceu.

Cinco anos mais tarde, Michael Schumacher conquistava no dia 2 junho de 1996, no traçado espanhol de Barcelona, a sua primeira vitória como piloto da Ferrari, numa corrida realizada sob forte chuva. Após aquela proeza, o alemão alcançaria outras 71 com o bólido vermelho. E cinco títulos de lambuja.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A bobeada de Senna

Foi num dia 15 de maio que Ayrton Senna jogou fora aquela que seria uma das vitórias mais fáceis de sua carreira, o GP de Mônaco de 1988. O tricampeão liderou a corrida da primeira a 66ª volta e tinha mais de 50 segundos de vantagem para o segundo colocado quando bateu o McLaren na saída do túnel, deixando o triunfo praticamente certo no Principado cair no colo de Alain Prost. Não fosse o vacilo besta, Ayrton teria vencido impressionantes sete provas consecutivas nas ruas de Monte Carlo. Teve de se contentar com seis no currículo, fazer o quê...

Dê uma espiada no resumo da corrida:

terça-feira, 13 de maio de 2008

58 anos de história

O dia 13 de maio traz uma recordação muito especial para a Fórmula 1. Nesta data, há 58 anos, a principal categoria do automobilismo dava início à primeira corrida de sua história, disputada no circuito de Silverstone, na Inglaterra.

A estréia do campeonato contou com a participação de 19 pilotos. Quem alinhou na pole-position foi o italiano Giuseppe Farina, seguido pelo argentino Juan Manuel Fangio, Luigi Fagioli e Reg Parnell, todos da equipe Alfa Romeo.

Com o melhor carro do grid, Farina se tornou o primeiro vencedor da competição, em plenos 43 anos e 194 dias de vida. Seus companheiros Fagioli e Parnell terminaram em segundo e terceiro, respectivamente.

Fangio, que mais tarde se tornaria o primeiro pentacampeão do mundo, abandonou há oito voltas do fim, vítima de defeito na tubulação de óleo do carro. Durante a prova, o argentino protagonizou uma cena inimaginável para os dias de hoje, ao se refrescar com uma bebida enquanto os mecânicos realizavam o pit-stop.

"Giuseppe Farina".

A cerimônia de premiação não teve pódio nem champanhe, como acontece atualmente. “Nino”, o apelido que tinha diante dos colegas, recebeu o troféu e uma coroa de louros em frente aos boxes. Era o fim do GP, numa pista que serviu como base aérea durante a II Guerra Mundial; o palco ideal para que a F-1 decolasse.

O título da primeira temporada também ficou com Farina. A Alfa Romeo venceu seis das sete provas disputadas, perdendo apenas em Indianápolis para o inglês Johnny Parsons, do time Kurtis Kraft.

Resultado do primeiro GP da F-1:
1) Giuseppe Farina (Alfa Romeo), 70 voltas em 2h13min23s600
2) Luigi Fagioli (Alfa Romeo), a 2s600
3) Reg Parnell (Alfa Romeo), a 52s000
4) Yves Giraud-Cabantous (Talbot Lago), a 2 voltas
5) Louis Rosier (Talbot Lago), a 2 voltas
6) Bob Gerard (ERA), a 3 voltas
7) Cuth Harrison (ERA), a 3 voltas
8) Philippe Etancelin (Talbot Lago), a 5 voltas
9) David Hampshire (Maserati), a 6 voltas
10) Joe Fry (Maserati), a 6 voltas

Melhor Volta: Giuseppe Farina (1min50s6)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Gênio canadense

Um grande piloto nunca morre na lembrança de quem acompanha, independente da geração, o mundo da velocidade. Por isso, Gilles Joseph Henri Villeneuve jamais será esquecido pelos amantes da Fórmula 1.

O filho de um afinador de pianos tocava com extrema perfeição as notas musicais de um carro de corrida. A passagem pela principal categoria do automobilismo não foi das mais longas, apenas 67 provas entre 1977 e 1982, mas suficiente para demonstrar a genialidade do canadense.

Apesar da estréia ter sido com a McLaren, já em sua segunda corrida na Fórmula 1 Villeneuve assumiu um dos cockpits da Ferrari, equipe que defendeu até o acidente fatal ocorrido nos treinos para o GP da Bélgica, em Zolder, no dia 8 de maio de 1982.

Gilles fazia sua última volta lançada na tomada classificatória quando se deparou, numa curva de altíssima velocidade, com o lento March do alemão Jochen Mass, que retornava aos boxes.

O canadense tentou desviar do monoposto, mas acabou atingindo a roda traseira e literalmente decolou com a Ferrari. O bólido vermelho capotou diversas vezes, arremessando o piloto com violência para fora do cockpit, em direção a uma grade protetora da pista.

A morte de Gilles, aos 32 anos, foi anunciada apenas horas depois do terrível acidente, em um hospital local. Tudo seguindo o nojento script da Fórmula 1 para não cancelar a corrida.

Embora não tenha sido campeão, Villeneuve entrou para a história como um dos grandes gênios do automobilismo. Na F-1, conquistou seis vitórias, duas poles, 13 pódios, oito voltas mais rápidas, 107 pontos e o vice-campeonato de 1979.

Um dos momentos épicos do pai de Jacques Villeneuve nas pistas foi travado com o francês René Arnoux, no GP da França de 79, em Dijon-Prenois. O próprio derrotado na árdua batalha pelo segundo lugar admitiu nos anos recentes que “aquele duelo com o Gilles é algo que nunca vou esquecer, é a minha maior lembrança das pistas. Sim, ele levou a melhor, e foi em plena França, mas e daí? Eu sabia que havia sido derrotado pelo melhor piloto do mundo”.

Nossa homenagem ao eterno Gilles Villeneuve.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Ídolo eterno

No dia em que são completados 14 anos da morte do inesquecível Ayrton Senna, recordemos algumas imagens que marcaram a belíssima trajetória do tricampeão na Fórmula 1.

Em dez anos na categoria, o brasileiro defendeu quatro equipes, conquistou três títulos mundiais, dois vices, 41 vitórias, 65 poles, 80 pódios, 19 voltas mais rápidas e 614 pontos em 161 corridas disputadas.

Saudades...

1983: O primeiro teste na Fórmula 1, com a Williams, no circuito espanhol de Jerez de La Frontera.

1984: Debaixo de chuva em Mônaco, no ano de estréia na categoria, conquistou o primeiro pódio ao chegar na segunda posição com o fraco carro da Toleman.

1985: Apesar do problema nos treinos, conquistaria em Portugal, a bordo da clássica Lotus preta, a primeira pole position e vitória.

1986: Apenas 14 milésimos de segundo de vantagem sobre a Williams de Nigel Mansell garantiram a Senna a vitória no GP da Espanha, em Jerez.

1987: Com a Lotus amarela, a primeira vitória em Mônaco, onde até hoje detém a coroa de Rei pelas seis proezas alcançadas.

1988: Campeão com a McLaren, após a vitória no GP do Japão, em Suzuka.

1989: O enrosco com Prost, em Suzuka, na luta para manter viva a esperança do bicampeonato.

1990: Novamente no Japão, o troco sobre o francês e o segundo título mundial.

1991: No ano do tri, a épica vitória no Brasil, com um carro que tinha apenas a sexta marcha nas últimas voltas do GP.

1992: A suada vitória em Mônaco, numa temporada que não teve chances de brigar pelo título.

1993: A fantástica primeira volta no molhado circuito de Donington Park, onde saltou da quarta posição para a liderança de forma espetacular.

1994: A última largada, no dia 1º de maio de 1994, em Ímola, com o bólido azul da Williams que tanto desejou pilotar.