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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Force Índia: A F-1 que se estabelece no Oriente

Jordan, Midland, Spyker e, em 2008, Force Índia. Comprada pelo milionário indiano Vijay Mallya, a pior das equipes do último campeonato comprova uma realidade: a categoria máxima do automobilismo está, cada vez mais, ganhando espaço em áreas antes inexploradas, como o Oriente Médio e a Ásia Central.

Mesmo com uma severa injeção monetária, poucas são as chances de que a nova escuderia deixe o pelotão de trás do grid, pelo menos no ano de estréia. Não fazer feio a ponto de ficar mais uma vez atrás da Super Aguri já será um avanço alentador.
Para as primeiras etapas, o time contará com a evolução do modelo utilizado pela Spyker em 2007. Batizado de VJM01, o bólido traz linhas bastante limpas ao contrário da maioria de seus concorrentes, que estão cada vez mais cheios de penduricalhos aerodinâmicos.

Com a predominância do branco e do dourado e prata nas laterais, o carro deve passar por uma série de modificações ao longo do certame. Ao menos esta é a promessa de Mike Gascoyne, dirigente com experiência em várias equipes da categoria, como Toyota, Renault, McLaren, Sauber e Jordan.

20) Adrian Sutil (Alemanha)
25 anos
17 GP’s Disputados
0 Pole-Positions
0 Vitórias
0 Pódios
0 Melhores Voltas
1 Ponto
Estréia em 2007 (GP da Austrália)

O pianista que decidiu mostrar suas habilidades ao volante ainda tem muito que provar para chegar a um time de ponta. Mas uma coisa é fato: foi o melhor fruto colhido pelas ex-Midland e Spyker, que também tiveram Tiago Monteiro, Christijan Albers, Sakon Yamamoto e Markus Winkelhock.

No ano passado, especialmente na segunda metade da temporada, Sutil causou boas impressões a bordo de um carro ruim. Conquistou o único ponto de sua equipe ao terminar o GP do Japão em oitavo e mostrou muito arrojo ao conter por longas voltas os ataques de David Coulthard em Spa-Francorchamps, na Bélgica.

Será curioso observar seu desempenho ao lado do experiente Fisichella, a quem tem o dever de superar.

21) Giancarlo Fisichella (Itália)
35 anos
194 GP’s Disputados
3 Pole-Positions
3 Vitórias
18 Pódios
2 Melhores Voltas
267 Pontos
Estréia em 1996 (GP da Austrália)

De volta onde tudo começou: em uma equipe pequena. A mesma que o italiano defendeu em sua segunda temporada na F-1, só que não mais chamada de Jordan, mas ainda com vários integrantes com os quais trabalhou há 11 anos.

Embora muitos acreditem que a carreira do piloto esteja próxima do fim, Fisichella tenta provar exatamente o contrário. Quer repetir neste ano o que fez na Sauber em 2004, um trampolim para uma grande escuderia.

Por mais que ande bem na Force Índia, é quase impossível imaginar que alguém aposte no “Físico” como um líder de grupo e vencedor. Teve uma chance de crescer na Renault em 2007, mas a jogou no lixo com as duas mãos. Agora não adianta chorar.

TD) Vitantonio Liuzzi (Itália, 26 anos)

Os anos dedicados ao grupo Red Bull não impediram que Liuzzi soubesse, ainda durante a temporada 2007, de sua dispensa do time em função da entrada de Sébastien Bourdais.

Passada a frustração, Liuzzi foi um dos escolhidos pela Force Índia para testar um carro, quando ainda não havia a definição do companheiro de Sutil e do terceiro piloto da nova equipe. Apesar das boas performances de Christian Klien, Liuzzi foi selecionado como “test-driver”.

Na Force Índia, é difícil dizer que o italiano, último campeão da história da F-3000, terá a chance de recuperar a sua carreira, que, possivelmente, rumará em breve para os carros de turismo.

Ficha Técnica da Equipe

Estreante
Primeiro GP: 2008 (Austrália)

Cúpula
Chefe de equipe:
Colin Kolles
Diretor técnico: Mike Gascoyne
Projetista-chefe: Mark Smith
Chefe de aerodinâmica: Simon Phillips
Diretor de motores: Ferrari
Engenheiro de corrida (Sutil): Jody Egginton
Engenheiro de corrida (Fisichella): Bradley Joyce

Principais Patrocinadores: Kingfisher, Alpinestars, AVG, Medion, Samsung, Royal Challenge, Icici Bank.

Grau de Força: Final do grid.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Trupe italiana em declínio

Trulli deve ser o único italiano no grid do ano que vem.

Uma notícia publicada hoje no site da revista “Autosport”, sobre os planos de Giancarlo Fisichella para 2008, alertou-me para uma triste realidade que assola os torcedores italianos: seus pilotos estão em processo de extinção na Fórmula 1.

No próximo ano, o país em formato de bota deverá ter somente Jarno Trulli como defensor das cores verde, branco e vermelho na categoria, já que Fisichella e Vitantonio Liuzzi dificilmente conseguirão uma vaga no grid.

Tudo bem que a Itália tenha o privilegio de ser a terra da Ferrari, maior vencedora da história da competição. Mas, ao mesmo tempo, vive a agonia de não possuir um corredor capaz de brigar por vitórias; para não falar em títulos. Basta uma simples consulta nas estatísticas para se ter essa constatação.

Nos 57 anos de existência da F-1, 113 pilotos italianos passaram pela categoria. Juntos, acumularam 43 vitórias, 46 pole positions e três campeonatos: um com Giuseppe Farina (em 1950) e dois com Alberto Ascari (1952 e 1953). Muito pouco se pensarmos que Michael Schumacher venceu, sozinho, 91 provas, largou 68 vezes na posição de honra e faturou sete taças de campeão.

Se lembrarmos também que o futuro de Trulli não deve se estender por muitos anos, chegaremos à conclusão de que será melhor os italianos se concentrarem mesmo no apoio à Ferrari. Caso queiram torcer por um competidor, que o façam na MotoGP, onde quase sempre ganha o rapaz chamado Valentino Rossi.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Muita especulação na Dança das Cadeiras


Rosberg, uma das peças-chave do quebra-cabeças



Poucas são as certezas no que diz respeito às duplas titulares para a temporada 2008 de Fórmula 1. Especulações, pelo contrário, abundam nesse final de campeonato. Vamos elencar as fofocas mais faladas nas últimas semanas:

1) Fernando Alonso deixa a McLaren e volta à Renault, tomando o lugar de Giancarlo Fisichella; o espanhol teria Heikki Kovalainen como parceiro, enquanto o atual piloto de testes Nelsinho Piquet ganharia a vaga de titular da Williams.

Opinião: Relevante. Ninguém deixou de notar as visitas que Flávio Briatore fez ao motorhome da McLaren ultimamente, e, vamos dizer claramente, ninguém é bobo de achar que era uma simples tentativa de confraternização por parte do dirigente da equipe francesa. Se Alonso deixar mesmo o time de Ron Dennis, a Renault deverá mesmo ser o seu destino.

2) Fernando Alonso deixa a McLaren e acerta transferência milionária para a Ferrari; Massa é "emprestado" à Toyota, onde seria primeiro piloto.

Opinião: Improvável. É bem possível que a Toyota tenha em Felipe um de seus preferidos para substituir o semi-aposentado Ralf Schumacher, a equipe tem um histórico de dar chances a pilotos brasileiros. Acreditar que Massa aceitaria trocar o certo pelo duvidoso e, substancialmente, que Todt acolheria Alonso na Ferrari de braços abertos, no entanto, parece ser algo distante de acontecer.

3) Nico Rosberg deixa a Williams e vai para a McLaren, substituir Fernando Alonso.

Opinião: Possível. Mais do que uma possibilidade concreta, trata-se de uma possibilidade interessantíssima. Seria o casamento perfeito: McLaren (inglesa), com motor Mercedes (alemão) e dupla de pilotos formada por Lewis Hamilton (inglês) e Nico Rosberg (alemão). Dois jovens, campeões da GP2, cheios de gás e vontade de mostrar serviço.

4) Nico Rosberg deixa a Williams e vai para a Toyota, substituir Ralf Schumacher.

Opinião: Possível. Troca de pilotos alemães, mas que faria a Toyota sair num imenso lucro: tiraria o desmotivado e defasado Ralf e lançaria um dos melhores da temporada 2007, o jovem Nico.

5) Demitido da Toro Rosso, Liuzzi toma o lugar de Wurz na Williams.

Opinião: Relevante. Apesar de nunca ter chegado a lugar algum na Toro Rosso, Liuzzi não merece ser menosprezado. O último campeão da F-3000 foi mais rápido que Scott Speed nos últimos dois anos e não se intimidou depois do anúncio de sua demissão, da contratação de Sebastien Bourdais e a chegada de Sebastian Vettel. Seria o clássico caso do "caiu pra cima", deixando uma equipe pequena para se integrar a uma média.

Esses são apenas alguns dos boatos do mundo da F-1. Resta saber quantos deles vão se confirmar.

domingo, 4 de março de 2007

Na base do "tudo ou nada"

Faltando apenas duas semaninhas para o GP da Austrália, vale a pena fazer uma análise também daqueles pilotos que não estão em evidência e, mais do que isso, terão um ano de 2007 decisivo para suas carreiras. Aqui citamos três, os mais "ameaçados". Trata-se de uma rápida restrospectiva da carreira de cada um e de uma análise do que pode acontecer no Mundial que se avizinha.

Giancarlo Fisichella (Renault): eis aí um daqueles caras que, daqui a 30 anos, será lembrado mais pelo que não conseguiu do que pelos sucessos. Físico começou na categoria em 1996 pela modesta Minardi, transferindo-se em 97 para a Jordan. Marcou 20 pontos, ficou bem à frente do companheiro, Ralf Schumacher, e arrumou uma vaguinha na Benetton para o ano seguinte.

Formou dupla com Alexander Wurz até 2000, mas nunca chegou a impressionar, até mesmo pelos carros questionáveis que teve nas mãos. Saiu do time italiano em 2001, após temporada horrível, e voltou à Jordan. Passou duas temporadas tentando tirar leite de pedra, tendo como ponto mais alto a inacreditável vitória do GP Brasil de 2003, sua primeira na categoria.

Seguiu para a Sauber em 2004, onde encontrou um "verde" Felipe Massa ao seu lado e teve desempenho respeitável, que lhe valeu um contrato com a Renault a partir de 2005. Iniciou a temporada vencendo na Austrália e recebeu a pecha de favorito ao título. Bobagem. Foi inferior a Alonso durante todo o campeonato e viu o espanhol se sagrar campeão pela primeira vez. Ganhou na Malásia em 2006, mas novamente ficou atrás do asturiano no restante do ano, sentindo o gosto amargo de ver o companheiro como campeão pela segunda temporada seguida.



Em 2007 - a Renault já deu claros indícios da intenção de colocar Nelsinho Piquet como titular já em 2008, algo que é confirmado pelo Nélson pai. Dessa forma, um dos titulares deste ano deverá perder seu posto ao fim da temporada. Como Heikki Kovalainen foi criado no time francês e conta com a confiança dos dirigentes, é evidente que a batata de Fisichella é a que está assando. Para ainda pensar na possibilidade de ter algum futuro na Fórmula 1, (na Renault ou alguma equipe média-grande) o italiano terá que superar Kova, e de forma convincente. Caso contrário, terá que se acostumar à vida de dono de equipe da GP2 e nada mais.

David Coulthard (Red Bull): o escocês boa-pinta estreou na F-1 com a leve missão de substituir Ayrton Senna, após a morte do brasileiro a bordo de uma Williams no GP de San Marino de 1994. Em 12 corridas só conseguiu um pódio - o que é pouco se pensarmos na velocidade daquele carro. Permaneceu no time de Frank apenas por mais um ano, conquistando a primeira vitória no GP de Portugal, mas ficando atrás do companheiro Damon Hill.

Em 1996, Coulthard iniciou um casamento que durou nove anos com a McLaren. Na primeira temporada guiando para Ron Dennis, sofreu com a falta de confiabilidade do carro. Teve em 1997 um de seus melhores Mundiais, com duas vitórias (Austrália e Itália) e um desempenho superior ao de Mika Hakkinen, seu parceiro (teria vencido também em Jerez, mas permitiu o triunfo do finlandês).

No biênio 98-99 foi constantemente batido por Hakkinen, assistindo de camarote aos dois títulos do companheiro (assim como aconteceu com Fisichella na Renault). Nos anos de 2000 e 2001 chegou até a esboçar uma aspiração ao título, mas sempre perdeu fôlego nas etapas finais dos campeonatos e obteve apenas o vice-campeonato, em 2001. Foi melhor que Kimi Raikkonen, novo team-mate, apenas em 2002, ficando para trás nos dois anos seguintes.

Passou para a Red Bull em 2005, no ano de estréia da equipe, onde teve como melhor resultado um 3º lugar no GP de Mônaco 06.



Em 2007 - formará ao lado de Mark Webber uma das duplas mais experientes do certame. Guiará um bólido projetado por Adrian Newey, o "mago das pranchetas", com quem trabalhou na época de McLaren, o que pode indicar uma expectativa melhor para esse ano. Apesar de não ter nenhum grande candidato a tomar o seu lugar, precisa mostrar trabalho caso queira permanecer na categoria, pois a Red Bull não parece ter o mesmo perfil da Toyota, isto é, gastar rios de dinheiro para não ter nenhum retorno.

Rubens Barrichello (Honda): quando estreou na categoria, em 1993, a Jordan ainda era uma equipe caricata. Mesmo assim teve um quinto lugar no Japão. Teve excelente temporada em 1994, alcançando o pódio no GP do Pacífico e finalizando o campeonato em sexto. Talvez tenha sido o que mais sofreu no final de semana do GP de San Marino daquele ano, pois se acidentou gravemente nos treinos livres e viu o maior ídolo morrer na sexta volta da corrida.

A partir de então, sofreu com o estigma de "substituto de Senna", algo que o pressionou e incomodou sensivelmente. Em 95, chegou em segundo no GP do Canadá, e essa foi a única alegria de todo ano. Perdeu a disputa com Eddie Irvine, seu companheiro, para a vaga de segundo piloto da Ferrari em 96 e teve que continuar na Jordan. Nesse ano, não teve pódios, mas brilhou no GP do Brasil, ao marcar o segundo tempo no grid e disputar posições durante a prova com Schumacher e Alesi. Mesmo assim, viu Eddie Jordan fechar as portas de sua equipe para 1997 e precisou se arriscar na novata Stewart.

Quase chegou à primeira vitória na F-1, em Mônaco, onde se exibiu brilhantemente sob chuva. Foi o segundo e marcou os únicos seis pontos daquele ano. Viu-se em terríveis dificuldades em 98, marcando apenas quatro pontos e sofrendo demais com as quebras da Stewart. A volta por cima aconteceu em 1999, ainda na equipe do ex-tricampeão mundial. Anotou duas poles, obteve três terceiros lugares e chegou a liderar no Brasil. Ficou à pé devido a uma quebra de motor, problema que lhe tirou mais pontos durante o ano.

A ótima performance lhe rendeu uma vaga na Ferrari para 2000 (em substituição a Irvine, aquele). Foi brilhante no GP da Alemanha e venceu pela primeira vez na categoria, depois de sair da 17ª colocação. Terminou o Mundial em 4º, melhorando uma posição em 2001. Venceu mais quatro vezes em 2002, conquistando o vice-campeonato. Entre 2003 e 2005, mais quatro vitórias. Pouco. Pior do que isso, viveu sempre à sombra de Michael Schumacher, declarando-se muitas vezes insatisfeito com os privilégios do alemão.

Saiu em 2006 e rumou para Honda. Na primeira temporada junto ao time nipônico, não se adaptou adequadamente e foi superado por Jenson Button.

Em 2007 - antes mesmo do ano começar, Rubens já despertava comentários da imprensa sobre uma possível aposentadoria ao fim da temporada. A verdade é que, caso isso aconteça, será o fim de uma carreira marcada por alguns sucessos e muitos fracassos. Talvez a expressão "estar no lugar certo na hora errada" seja a melhor para representar o que foi a passagem de Barrichello na Ferrari, único lugar em que poderia efetivamente ter lutado pelo título. Se a Honda de 2007 vai ter condições de brigar pelas posições cimeiras, só o tempo vai dizer. Não esperemos, no entanto, que ele desista de lutar ou de tentar fazer um trabalho competente. Apesar de não ser um super-vencedor, é incontestável: Barrichello é um bravo competidor.