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domingo, 28 de setembro de 2008

Sonhos e pesadelos de uma noite

Um GP centenário, o de número 800 da história da Fórmula 1, não poderia ser simplesmente uma corrida qualquer. Tinha que haver emoções, ultrapassagens num local onde ninguém botava fé que elas aconteceriam, batidas, intervenções do Safety-Car, lambanças de equipes grandes e um resultado inesperado. Uma vitória de um cara que acelera demais e que guiou com perfeição neste domingo, mas ainda assim um desfecho inimaginável para a inédita prova noturna de Cingapura.

Fernando Alonso fez as pazes com a vitória de maneira triunfal, aliando a competência de bicampeão a uma enorme dose de sorte. A primeira fortuna veio com a realização de seu primeiro pit-stop logo antes da entrada do carro madrinha na pista, motivada pelo acidente de Nelson Piquet — um jogo de equipe não intencional? Acabou sendo!

Na seqüência, a trapalhada da Ferrari no reabastecimento de Felipe Massa, que saiu dos boxes com mangueira e tudo por erro do time ao sinalizar que ele poderia sair, completou o cenário que o asturiano precisava para lutar pelo degrau mais alto do pódio. O resto era com ele, que não fracassou.

Mesmo que quisesse, talvez Alonso fosse incapaz de encerrar a noite associado à palavra fracasso. Essas três sílabas foram seguradas com as duas mãos pela escuderia de maior tradição na categoria, que saiu zerada de Cingapura, quando tinha boas possibilidades de fazer a dobradinha, caso não houvesse a entrada do Safety-Car.

Depois de enterrar as chances de Massa, que acabou em 13º, nada mais pôde ser feito pela Ferrari. O brasileiro ficou fora de combate nas últimas posições, uma grande infelicidade em função do forte início de corrida que vinha fazendo. Da considerável oportunidade de sair da cidade-estado asiática como líder do Mundial, terminou sete pontos atrás de Lewis Hamilton, o terceiro colocado na prova.

Desfecho ruim, porém menos desastroso do que aparentava ser, afinal restam mais três etapas para o encerramento da temporada. O único problema é que Felipe não depende mais apenas de si para ficar com o título; vai precisar da ajuda de Kimi Raikkonen para roubar pontos do inglês da McLaren. Ruim do jeito que está o finlandês e com uma equipe campeã de erros? Isso preocupa.

Para Hamilton, o terceiro lugar teve sabor de vitória, pois em condições normais chegaria atrás das Ferrari e veria Massa assumir a ponta do torneio. Num circuito travado e de difícil ultrapassagem, o britânico mostrou que aprendeu a correr com a cabeça nos pontos em vez de tentar repetir a apresentação alucinante de Monza e correr o risco de ficar pelo caminho. Sábio rapaz.

Ingleses felizes, espanhóis mais ainda, brasileiros tristes e finlandeses decepcionados. Tanto Raikkonen como Heikki Kovalainen deram vexame no circuito urbano. O campeão até que vinha bem, considerando o prejuízo que teve por entrar nos boxes ao mesmo tempo em que Massa e por tal razão ter caído para as últimas posições. Recuperou-se, chegou ao quinto posto e estatelou a parede a quatro voltas do fim. O que dizer sobre isso? A sorte que teve para faturar o título no ano passado está lhe custando muito caro pelo visto.

Já Kovalainen mal apareceu nesta corrida. Fez uma largada ruim e sumiu depois do primeiro Safety-Car, terminando em décimo. Por mais que as atenções da McLaren sejam voltadas para Hamilton, não seria ruim ter um segundo piloto um pouco mais prestativo para auxiliar pelo menos na briga dos Construtores, liderada agora pelo time de Woking com apenas um ponto de vantagem sobre a Ferrari. Se Heikki colaborasse, a diferença poderia ser bem maior.

No pódio, ao lado de Alonso e Hamilton, Cingapura presenciou a grata presença de um piloto da Williams. Uma bela corrida de Nico Rosberg, diga-se, que andou muito forte para descontar o prejuízo do “Stop & Go” tomado pela ida aos boxes quando o pit-lane estava fechado.

A nação alemã, aliás, foi outra que teve motivos para comemorar o domingo. Além do segundo lugar de Rosberg, teve Timo Glock num merecido quarto posto — um dos pilotos que mais têm se destacado nesta segunda metade da temporada —, seguido do jovem talentoso Sebastian Vettel e Nick Heidfeld. Haja alemão!

David Coulthard, a quem muitos achavam que nem correria nesta prova para já ceder lugar a Vettel, levou dois pontinhos com a sétima colocação. Seu grande destaque foi por ter segurado Hamilton por longas voltas e impedido uma reação ainda maior do britânico. Dá-lhe escocês.

Para a alegria da Williams, Kazuki Nakajima levou um tento ao completar o páreo em oitavo. Resultado ao qual fez jus, com ultrapassagens e poucos erros. Seu primeiro ponto desde o GP da Inglaterra, disputado em julho.

Rubens Barrichello, assim como Piquet, abandonou. Não por erros, mas pela falha do carro da Honda. Na corrida, o que mais chamou atenção foi seu fracasso ao jogar a balaclava para os torcedores das arquibancadas. Nem isso o coitado tem conseguido.

Sobre o brazuca da Renault, vale apenas o registro de que sua situação na equipe está muito delicada. Resta torcer para que Flavio Briatore, chefão do time francês, lhe dê uma chance de tentar melhor sorte na etapa do Japão, antes de bater o martelo sobre os pilotos para 2009.

Faltou falarmos sobre Robert Kubica, outro que teve de reabastecer durante o período de boxes fechados para evitar uma pane seca e acabou penalizado com um “Stop & Go”. Independente disso, o polonês da BMW foi bastante discreto. Um décimo lugar com gosto de decepção.

Muito boa a corrida de Cingapura, mais emocionante do que poderíamos imaginar. Para a McLaren, mais lucrativa do que a encomenda. Para a Ferrari, um enorme pesadelo. Para Fernando Alonso, um sonho para curtir por muitas noites.

Nada como um dia após o outro

Quem poderia imaginar esta seqüencia de imagens depois do desespero vivido por Fernando Alonso no treino de classificação para o GP de Cingapura? Um roteiro digno de história de cinema, estrelado por um sujeito que fez por merecer o final feliz.

O 20º triunfo

As coincidências pregadas pelo esporte são sensacionais. No dia em que o bicampeão e aposentado Mika Hakkinen comemorou seu aniversário de 40 anos, outro bicampeão em plena atividade Fernando Alonso igualou o número de vitórias do finlandês na Fórmula 1, ambos agora empatados no ranking com 20 proezas.

A conquista em Cingapura foi a primeira do asturiano desde o GP da Itália de 2007, com a McLaren, e a primeira da Renault desde o GP do Japão de 2006, faturado na ocasião exatamente pelo espanhol.

Sete anos afastado da competição, Hakkinen celebrou sua última vitória no GP dos Estados Unidos de 2001, com a McLaren, uma prova antes de pendurar o capacete na principal categoria do automobilismo.

Dos pilotos em atividade, Alonso segue na condição de maior vencedor. Quem mais se aproxima dele, mas sem dar sinais de que possa mudar o placar tão depressa é Kimi Raikkonen, com 17 vitórias. Logo atrás, quem diria, aparece David Coulthard, com 13.

Noite do terror para a Ferrari

Ficar vermelha de vergonha é muito pouco para o papelão da Ferrari no GP de Cingapura deste domingo. Com a patacoada cometida no pit-stop de Felipe Massa, que arruinou as chances de vitória do brasileiro, e a estúpida batida de Kimi Raikkonen nas últimas voltas do GP, o time italiano completou a etapa sem um mísero ponto.

Um desfecho negativo que não acontecia desde o GP da Austrália de 2006, quando Michael Schumacher e Massa não completaram a prova e obviamente ficaram sem pontuar. Desde então, foram 46 corridas finalizadas com pelo menos um dos pilotos ferraristas na zona de pontuação. Do GP de San Marino de 2006 ao GP da Itália de 2008.

A série que chegou ao fim hoje foi a segunda maior da história, perdendo apenas para outra pertencente à própria Ferrari, que anotou tentos por 55 etapas seguidas entre as etapas da Malásia de 1999 e Malásia 2003.

Uma noite para atormentar a cabeça do grupo vermelho pelas próximas semanas.

sábado, 27 de setembro de 2008

A imagem diz tudo

Dá para imaginar o desespero de Fernando Alonso ao descer do carro da Renault, que parou de funcionar no início do Q2 de Cingapura por um problema na bomba de combustível.

O sonho de uma eventual pole-position ou quem sabe uma colocação entre os três primeiros colocados — algo que tinha tudo para acontecer — transformou-se num pesadelo e na pior posição de largada do espanhol nesta temporada, o 15º lugar.

Uma noite de sábado desagradável para o bicampeão, infelizmente.

Mestre das poles urbanas

Que volta foi aquela? Uma pole-position avassaladora como há muito tempo não se via na Fórmula 1 e que com toda a razão mereceu a definição de incrível por parte do engenheiro da Ferrari. Felipe Massa, o piloto imbatível nas pistas de rua da temporada 2008. Largou na frente em Mônaco, Valência e garantiu neste sábado a posição de honra do grid para a corrida noturna de Cingapura.

A quinta pole do brasileiro no ano, a 14ª da carreira, veio com uma assombrosa vantagem de mais de seis décimos de segundo para Lewis Hamilton, o segundo colocado. Isso é muita coisa! Certamente há um dedo de estratégia de pit-stop nesse resultado, mas nada de tão absurdo para a etapa de amanhã.

Se houver diferença de peso, como parece, deve ser de no máximo duas voltas entre o ferrarista e o inglês da McLaren. O arrojo de Massa foi a carta extra que ele teve na manga para derrotar os rivais. Por isso, não resta mais dúvida de que o brazuca é o melhor na atualidade para uma volta lançada.

Hamilton, depois de quase ficar de fora do Q3, fez uma grande volta. Baixou o tempo da passagem anterior de Felipe, mostrando que o papo levantado por alguns de que poderia estar se sentindo pressionado era pura balela. O único problema foi que Massa estava com um brilho a mais na noite, incapaz de ser superado. Ao britânico, então, restou conformar-se com o segundo posto.

Em terceiro, depois de três treinos livres ruins, ficou Kimi Raikkonen. Sua melhor colocação no grid desde o GP da Inglaterra, em julho, quando também alinhou neste posto. Ao contrário das últimas cinco corridas, largará no lado ímpar, o mais limpo. Não haverá desculpas, portanto, para o caso de perder posições ao apagar das luzes vermelhas. No mais, um treino razoável do finlandês, que correrá para ser segundo neste domingo.

"Grandes pilotos atordoados por Massa".

Na quarta posição, sempre tirando um pouco mais do que o carro permite, apareceu Robert Kubica. Esperto, o polonês segue na dele. Sabe que está num degrau abaixo de Ferrari e McLaren, mas se mantém posicionado logo atrás dessa turma para em determinados momentos — abandonos ou acidentes dos favoritos — “roubar” pontos preciosos. Não por menos é o terceiro colocado na classificação do Mundial e pode dar as caras no pódio no fim da noite de amanhã.

Abaixo do rendimento que poderia apresentar com o carro prateado, Heikki Kovalainen ficou devendo com o quinto lugar e dificilmente fará algo melhor na corrida. Deve ficar na briga com Nick Heidfeld, o sexto, e o veloz Sebastian Vettel, sétimo colocado com o mediano bólido da Toro Rosso. Como acelera este alemão, não é mesmo?

Melhor do que Jarno Trulli em todos os treinos, Timo Glock garantiu uma alegria particular à Toyota ao pelo menos despachar os monopostos da Williams, que utilizam o propulsor japonês. O tedesco foi o oitavo, logo à frente de Nico Rosberg e Kazuki Nakajima. Um bom treino para o time de Sir Frank, que há muito tempo não tinha seus dois carros entre os dez primeiros.

Antes das decepções, o último destaque e lamentação. Primeiro o destaque, com Jenson Button conseguindo um excelente 12º posto a bordo da fraca Honda. A lamentação vai para o enfurecido Fernando Alonso. O que será que ele berrou debaixo do capacete assim que saiu do carro e levou as mãos à cabeça? Deve ter xingado tudo e a todos, afinal dava pinta de poder brigar pelas primeiras posições, não fosse a quebra do Renault no início do Q2. Realmente uma pena para o espanhol ter que sair de 15º.


Agora sim, hora de descer a lenha. Começando pela Red Bull, que deve ter se esquecido de tomar os energéticos para enfrentar a noite. Mark Webber teve um dia de gatinho de treinos e não passou de 13º. Logo atrás, o quase aposentado David Coulthard, que dispensa críticas. Basta ter paciência para agüentá-lo por mais quatro provas.

Os demais brasileiros, coitados, lá no fundão novamente. Nelson Piquet foi o 16º, enquanto Rubens Barrichello estacionou no 18º posto. Desta vez, a crítica deve ser moderada, já que foi prejudicado na volta rápida por um carro que se dirigia aos boxes. Entre os brazucas, um apagado Sébastien Bourdais. Nada bom para quem precisa mostrar serviço nessa reta final de temporada.

A Force India, como se poderia imaginar, fechou o grid com seus dois pilotos, sendo Giancarlo Fisichella o renegado à rabeira da formação de largada. Ele, aliás, errou demais neste sábado. Mereceu ficar onde ficou.

Um treino bastante agitado e com a moldura da noite para deixar os fãs do esporte a motor de olhos arregalados em frente à televisão. Muito legal. Amanhã, porém, fiquemos preparados para uma corrida monótona em termos de ultrapassagem. Um verdadeiro carrossel, mas com a probabilidade de alguns acidentes e quem sabe intervenção do Safety-Car. Chuva? Por enquanto, a meteorologia só errou.

No clássico palpite, as coisas ficam como estão: Vitória de Massa, com Hamilton em segundo e Raikkonen em terceiro. Resultado que se confirmado devolverá ao brasileiro a liderança do campeonato.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Resumo e ensaio fotográfico

Ferrari e McLaren, confirmando as previsões, estão num patamar isolado das demais equipes na pista de Cingapura. Renault e Williams, por sua vez, foram os destaques positivos da sexta-feira ao marcarem presença no pelotão de frente.

A BMW, como nas outras corridas de rua deste ano, está sofrendo para extrair o melhor de seu carro. Honda e Force India seguem como as piores do grid, em que pese o fictício oitavo lugar de Jenson Button. Toyota, Red Bull e Toro Rosso, como em Monza, ficaram num mesmo bolo, só que desta vez no grupo intermediário.

Pouca coisa deve mudar neste cenário ao longo do fim de semana, a não ser que a chuva queira brincar na noite. Neste caso, podemos passar uma borracha em tudo o que foi dito acima e esperar o improvável. No molhado, certamente será uma noite de pesadelo para muita gente.

Chega de falar agora e vamos apreciar as belas imagens da sexta-feira em Cingapura.

"O segundo carro mais bonito na noite, na opinião deste escriba".

"Só perde para esse. Tinha que ser a Ferrari!"

"No início do primeiro treino livre..."

"...Ao longo do segundo ensaio".

Impressões de Cingapura

Um treino livre, muitas impressões e conclusões sobre o belíssimo evento noturno que a Fórmula 1 realiza em Cingapura. A começar pelas maravilhas dos carros, que ficaram muito mais charmosos na penumbra da noite. A Ferrari ficou sensacional, o bólido mais lindo. Em segundo lugar no quesito beleza apareceu a McLaren, seguida da Renault.

O traçado é bastante ondulado — depois reclamavam do Brasil. Na reta principal, o contato do assoalho com o chão ocasionou um momento de nostalgia com o registro de faíscas. Ótimas lembranças das décadas de 80 e 90.

Ainda bem que não há dengue por lá. Na batida de Mark Webber na curva 18, pôde-se notar a existência de barreiras de proteção cheias de água. Poderiam ao menos tampar as caixas para evitar eventuais proliferações de insetos.

Sobre o australiano da Red Bull, recebeu um tratamento exclusivo após o incidente. Ganhou água do fiscal de pista, enquanto outro dava um belo banho de espuma no carro. O sujeito mandou ver no extintor ao ver uma fumacinha saindo dos freios dianteiros. Precavido o rapaz.

Uma pista mais lenta que a de Valência. De menor em extensão, porém mais travada. Na Espanha, a pole foi cronometrada em 1min38s989. No primeiro ensaio cingapuriano, Lewis Hamilton cravou o melhor giro em 1min45s518.

Impressionou também o fato dos carros passarem muito colados ao muro. Muita gente, como Felipe Massa, por várias vezes ficou no quase de estatelar a mureta. Apesar dos quase, como está linda a tocada do brasileiro neste circuito. Seu estilo de pilotagem é de se admirar.

A curva 10 é uma das que mais chamam a atenção. Uma espécie de chicane alargada, ou um segmento embarrigado, que os pilotos conseguem percorrer como se fosse uma reta. Mas se erram a forma de entrada e atacam a zebra, a possibilidade de rodada se torna um grande risco.

O trecho que antecede a reta dos boxes também merece destaque, por ser feito em alta velocidade. Um ponto muito escorregadio e desafiador para os pilotos. Não foi à toa que muitos rodaram ali.

Por fim, é preciso exaltar o show de imagens. Tomadas aéreas, câmeras nas suspensões, os diversos flashes provenientes das arquibancadas, as imagens on-board, tudo fenomenal.

Numa das cenas, pôde-se inclusive apreciar a técnica de Hamilton durante uma volta lançada: o inglês sobe as marchas com o dedo médio da mão direita e reduz com o indicador da esquerda. E acelera muito!

Que venham os próximos treinos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Espetáculo da noite

As chances de encerrarmos o domingo reclamando do entediante GP de Cingapura, fraco em emoções e ultrapassagens na pista, são muito grandes. Uma conclusão praticamente unânime com base nas declarações dos pilotos sobre o circuito de Marina Bay.

Mas o que ninguém poderá criticar serão as maravilhosas imagens proporcionadas pela paisagem noturna e as incríveis instalações do pequeno país asiático. Estamos prestes a vivenciar um verdadeiro espetáculo visual. Carros belíssimos iluminados por 1.500 lâmpadas e com a escuridão da noite como pano de fundo.

Um evento sensacional, indiscutivelmente o maior show promovido pela Fórmula 1 nos últimos tempos. E já pensou se damos o “azar” de assistir a uma corrida cheia de alternativas e extremamente acirrada?

A noite é uma criança e caiu muito bem para o cenário da principal categoria do automobilismo.

Pinga Pura para Kimi

Ótima tirada do amigo, jornalista e blogueiro Josmar Batista, que definiu muito bem como Kimi Raikkonen deve estar encarando a 15ª etapa do Mundial: Cingapura para os rivais, Pinga Pura para o finlandês da Ferrari.

Se pensarmos também que a única brecha para os pilotos tomarem umas biritas neste fim de semana será durante a festa do champanhe, já dá para imaginar quão forte estará o “Homem de Gelo” na inédita prova noturna.

Deixando as brincadeiras de lado, o GP cingapuriano será o primeiro do campeão no papel de figura totalmente desacreditada na briga pela vitória. Situação essa que costuma ser benéfica a Raikkonen.

Na maioria das vezes em que foi apontado como aposta furada saiu-se bem. Foi assim em 2003 na disputa do título contra Michael Schumacher, no ano passado quando todos desdenharam de suas chances de conquistar o caneco e até mesmo nesta temporada, depois de um treino ruim para a corrida da Bélgica.

Raikkonen é o típico sujeito que funciona e trabalha do jeito que quer e na hora que bem entende. Quando menos se espera, o cara acorda e impressiona. Em Pinga Pura, quer dizer, Cingapura, quase ninguém arrisca um tostão numa vitória dele e por esse motivo deve vir forte. Vamos ficar de olho.

Preparado para o combate?

Ser piloto de Fórmula 1 não significa apenas sentar num monoposto e acelerar o máximo para chegar a vitória. Junto ao ofício existe uma série de cobranças e compromissos com os patrocinadores, que utilizam a imagem do corredor para venderem suas marcas. Vale tudo, ou melhor, Muay Thai no caso de Mark Webber nesta semana.

O australiano foi escalado pela Red Bull para uma aula de boxe tailandês lá em Cingapura, palco da 15ª etapa do Mundial. Não deve ter se preocupado muito com as técnicas da modalidade de luta, afinal seu esporte é outro. Mesmo assim, ele poderia se apegar um pouco mais à filosofia de briga, já que terá um páreo duro em 2009 com a chegada de Sebastian Vettel ao time energético.

Para um sujeito como Webber que quase sempre derrotou com facilidade seus companheiros de equipe — só perdeu em pontos para David Coulthard no ano passado —, será necessário um trabalho muito forte para encarar um jovem talento da categoria.

Ao contrário da época de Minardi e Jaguar, desta vez não será Mark o queridinho da escuderia. A tendência é que Vettel seja o prodígio da vez. Por isso, o australiano terá de usar mais artifícios do que um simples par de luvas para esta batalha.

Na briga indireta de 2008, Webber está atrás de seu futuro companheiro na classificação. Ele aparece em décimo com 20 pontos, três tentos a menos em relação a Sebastian, o nono colocado da tabela. Vettel já venceu corrida, enquanto Mark ainda sonha com a primeira.

Sem dúvida, promessa de boa briga (na pista e com luvas de piloto) na Red Bull para a próxima temporada.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Recorte na bigorna

Em carro que ganha não se mexe, mas o que há de mal em fazer alguns ajustes? A Ferrari, vencedora da etapa de rua de Valência com a carenagem do motor em estilo bigorna, resolveu reutilizar a cobertura comprida na corrida urbana de Cingapura. No entanto, com uma singela alteração na ponta do aparato, que recebeu um leve corte transversal. Clique na imagem para ampliá-la e observar com mais detalhes.

A primeira aparição pública da peça aconteceu nesta quarta-feira, em uma simulação de pit-stops realizada durante o dia. Mas a prova não será à noite? Questionamentos a parte, vejamos nos treinos quais serão os ganhos ou perdas do time com essa aerodinâmica segmentada.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

800 no escuro

Na calada da noite em Cingapura, a Fórmula 1 disputará não somente sua primeira etapa noturna, mas também a corrida de número 800 da história. Seria esse um motivo extra de preocupação para os pilotos e dirigentes que temem a possibilidade de chuva e novas zebras?

O questionamento é baseado na última prova centenária do Mundial, realizada no Brasil em 2003. Uma corrida disputada com piso extremamente molhado, marcada por várias batidas e vencida por um carro da extinta Jordan, aliás, a conquista derradeira do time amarelo na competição.

Quanta coisa aconteceu nos últimos 100 GPs, não é mesmo? Além da Jordan, a categoria perdeu a carismática Minardi, viu os últimos triunfos e a aposentadoria de Michael Schumacher, o recorde de pole-position e vencedor mais jovem ser quebrado duas vezes, novos campeões durante e após a Era Schumacher, o surgimento de novos fenômenos, a estréia de novas equipes, casos de espionagem, enfim, inúmeros acontecimentos marcantes.

O que será que veremos nas próximas 100? Daqui alguns anos voltamos a falar sobre isso...

Etapas centenárias
GP 700: Brasil 2003 (Giancarlo Fisichella / Jordan)
GP 600: Argentina 1997 (Jacques Villeneuve / Williams)
GP 500: Austrália 1990 (Nelson Piquet / Benetton)
GP 400: Áustria 1984 (Niki Lauda / McLaren)
GP 300: África do Sul 1978 (Ronnie Peterson / Lotus)
GP 200: Mônaco 1971 (Jackie Stewart / Tyrrell)
GP 100: Alemanha 1961 (Stirling Moss / Lotus)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Glamour noturno

O simples anúncio de que se trata da primeira corrida noturna da história da Fórmula 1 já seria suficiente para fazer desta prova um evento especialíssimo da temporada. No entanto, Cingapura conseguiu transformar esse fato inédito numa espécie de retoque final — a cereja que faltava ao bolo — aos vários requintes empregados em seu Grande Prêmio.

A Cidade-Estado asiática selecionou os melhores pontos de seu pequeno território para deixar o mundo da velocidade de queixo caído com as maravilhas visuais e com um circuito de rua incrivelmente fantástico, ao qual faltam adjetivos para descrever.

O traçado de 5.067 km passará por vários cartões postais desta república parlamentarista do sudeste asiático, situada entre a península da Malásia e da Indonésia. Como a pista de Valência, terá uma ponte para os carros passarem, a Anderson Bridge, porém ainda mais encantadora que a da Espanha.

As construções observadas nos demais trechos do circuito, como a Raffles Boulevard e a St. Andrews Road, revelam a riqueza da “Cidade do Leão”, conhecida também como um dos locais mais limpos do mundo.

Mas de todos os setores, o que mais impressiona é o da chamada Marina Bay, parte final da pista, onde os bólidos passarão por baixo das arquibancadas — imagine a sensação de quem estiver neste ponto. Por essas razões é que se pode classificar a noite como um brilho especial para a etapa.

Assim como Interlagos, o circuito de Cingapura é percorrido no sentido anti-horário. Totaliza 23 curvas, três delas rotuladas como reais pontos de ultrapassagem segundo os organizadores: as curvas 1, 7 e 14.

Na volta virtual exibida no site oficial do GP, fica a impressão de que a pista oferece de fato condições de ultrapassagem, ao contrário do que se viu na corrida de rua de Valência, uma tremenda decepção neste quesito.

Entretanto, é bom evitar expectativas antecipadas e tentar não misturar a questão da beleza e charme da prova com a vontade de ver uma etapa recheada de emoções e pegas acirrados, como os vistos na Bélgica e na Itália. Muita gente agiu assim na Espanha e caiu do cavalo com a verdadeira procissão que foi o Grande Prêmio valenciano.

De qualquer forma, Cingapura será um evento inédito para a F-1 e decisivo para o campeonato, pois ao fim da noite do dia 28 de setembro a categoria poderá ter um novo líder da classificação ou quem saber ver o atual primeiro colocado da tabela com um pouco mais de folga na liderança.

Fatores como a temperatura ambiente e possibilidade de chuva serão outros ingredientes para apimentar a disputa agendada para a próxima semana. Tanto um clima mais ameno como a pista molhada são favoráveis à McLaren, como se viu em outras ocasiões. A Ferrari, contudo, demonstrou bastante força nas duas corridas de rua já realizadas em 2008.

Com um time prateado em vantagem no quesito clima e uma escuderia italiana forte nas pistas urbanas, é de esperar um interessante equilíbrio em Cingapura, onde o fator piloto promete ser fundamental.

Para uma volta lançada, sabemos que Felipe Massa é o cara. Já em corrida, Lewis Hamilton demonstra ter um algo a mais. Em qual dos dois apostar? Melhor deixar o palpite para depois dos treinos.

Por enquanto, a única garantia é a de que haverá um ótimo programa noturno para a próxima semana. Tomara que regado de ultrapassagens, emoção ou até mesmo zebras, como em Monza.