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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Divagações pós GP

FOTO: REPRODUÇÃO/LAT
"O duelo do ano está por vir".

A Red Bull e Sebastian Vettel sobraram em Silverstone, a etapa mais cansativa e sonolenta da temporada 2009 da Fórmula 1. A Brawn e Jenson Button desta vez foram simples coadjuvantes, mas ainda se dão ao luxo de poder queimar uma ampla gordura no Mundial de Pilotos e no de Construtores. Mas por quanto tempo? Esta é a grande incógnita.

Restando nove provas para o encerramento da temporada, a equipe dos energéticos que dão asas sinaliza ter capacidade de assumir o papel de time dominante a partir de agora. Caso isso se confirme, caberá a Vettel (principal aposta do elenco) traduzir a boa fase em vitórias para diminuir a distância de 25 pontos que o separa da liderança do torneio.

Enquanto isso na Brawn, as atenções tendem a se concentrar em Button. Rubens Barrichello, obviamente, deve cooperar como o número 2 e ajudar o parceiro britânico a conquistar o título. Neste caso não há o que reclamar, pois ambos tiveram as mesmas condições de mostrar serviço e o inglês se saiu bem melhor.

O duelo pelo caneco, como há algum tempo já transparecia, será entre Jenson e Sebastian. Os dois não precisam mais provar que podem vencer. A grande dúvida é sobre qual deles conseguirá ser constante e colher o máximo de pontos mesmo quando o primeiro lugar não for possível.

Button fez isso no GP da Inglaterra: três pontinhos com o sexto lugar, melhor do que nada. O favoritismo ainda é dele, mas Vettel promete chegar. Que chegue mesmo, só que com uma boa dose de emoção para esta batalha, pois o domínio avassalador como o que vimos neste fim de semana provoca muitos bocejos.

Aceleradas:
- Felipe Massa foi magistral neste GP. Não fosse o mau desempenho no treino, teria roubado o pódio de Barrichello.

- Que situação lamentável vive a McLaren, sem pontuar há quatro corridas. Quando o time voltará aos dias de glória? Talvez em 2010, assim como a Ferrari. Isso se ainda existir a Fórmula 1 como conhecemos. Por falar nisso, a tempestade vai sim se acalmar até o fim do ano. FIA e Fota chegarão a um acordo, para o bem de todos nós que amamos este esporte.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Passeio irretocável

FOTO: DIVULGAÇÃO/BRAWN GP
Enquanto o escriba aqui encara os desafios da seção de passeios do Guia do jornal “O Estado de S. Paulo” – e por este motivo está encontrando dificuldades para manter o blog atualizado –, Jenson Button segue também passeando pelas pistas da Fórmula 1.

Na Turquia, no último fim de semana, foi um passeio com autoridade. Só não fez a pole position porque Sebastian Vettel estava mais leve no treino e caprichou na volta lançada. Mas o que importa? O inglês assumiu a liderança do GP logo na primeira volta e seguiu soberano rumo ao degrau mais alto do pódio.

Seis vitórias em sete corridas, façanha que só Michael Schumacher e Jim Clark alcançaram. E o que dizer de 280 voltas na primeira posição, contra 56 de Vettel e 33 de Rubens Barrichello? Marcas assombrosas deste rapaz, a quem já podemos chamar de virtual campeão de 2009.

Button não precisa mais vencer para faturar o título; basta ser o segundo nas próximas etapas que ninguém o alcançará. No entanto, sua sede por vitória está elevadíssima e novas conquistas devem surgir até o encerramento do certame.

O campeão está praticamente definido. Falta saber quem será o vice. Barrichello? É um forte candidato, mas as constantes desculpas pelos erros e promessas desnecessárias nos fazem duvidar da capacidade do veterano. Que fique bem claro: o brasileiro é sim um bom piloto e por tal motivo segue na F-1. O problema é que não passa disso, um bom competidor. Se conseguir vencer pelo menos uma (só uma) neste ano já estará de bom tamanho.

Vettel e Mark Webber são os demais concorrentes ao segundo posto da classificação. O alemão é um talento em formação, enquanto o australiano um cara em boa fase de bons resultados constantes. Vão sim dar trabalho a Barrichello na luta pelo segundão.

Ferrari e McLaren, coitadas, são meras coadjuvantes (quase nem isso) após longos anos de domínio. A temporada acabou para ambas e só resta agora trabalharem muito para 2010, seja lá qual for a categoria em que estiverem competindo (sobre essa briga de bastidores envolvendo regulamentos e poderes, tudo acabará em entendimento, vocês vão ver).

O que fica claro neste campeonato é que na Fórmula 1 não basta genial. Sem um bom carro, nada se faz. Lewis Hamilton, Fernando Alonso, Michael Schumacher... Qualquer um com uma tranqueira nas mãos vai ficar para trás.

A grande virtude é saber aproveitar a chance quando lhe dão um “foguete” para dirigir. Button está fazendo bom proveito, Barrichello não. Assim como muitos outros desperdiçaram esse sonho, como David Coulthard, Heinz-Harald Frentzen, Giancarlo Fisichella, e por aí vai.

A próxima etapa será em Silverstone, casa de Jenson, mas um local onde ele não costuma se sair bem. Mais um tabu para ser quebrado? Bem capaz.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Considerações da etapa espanhola

FOTO: REPRODUÇÃO/LAT
Rubens Barrichello fez ontem, na Espanha, a sua melhor corrida na temporada 2009. No entanto, foi ao mesmo tempo a mais revoltante para aqueles que esperavam uma reação do brasileiro. Tudo por uma incompetência do corredor para fazer valer a estratégia de pit-stops.

Não há muito que dizer: ele precisava ser veloz e não foi. Com quase 20 anos de Fórmula 1 nas costas, o veterano deveria ter o bom senso de analisar a situação da corrida e ter voz ativa para modificar sua tática de paradas ao longo do GP, como fez Jenson Button.

Em vez disso, Barrichello aceitou permanecer com o plano de três pits e deu no que deu. Nova derrota para o inglês, que parte com méritos rumo ao título. Ainda há muita competição pela frente, mas não há como deixar de apostar no britânico neste momento. Se alguém ameaçá-lo, provavelmente não será seu companheiro de equipe, mas sim um certo alemãozinho da Red Bull.

Tudo bem que Sebastian Vettel não teve uma atuação grandiosa em Barcelona, perdendo o lugar no pódio para Mark Webber. Entretanto, segue próximo de Barrichello na classificação e é uma aposta bem mais confiável que seu parceiro australiano.

A Ferrari, campeã de erros estratégicos de 2009, parece que não vai precisar da caçamba para as próximas etapas. O carro melhorou sim e vai ter condições de brigar por vitórias em algumas provas. Título, porém, é algo fora de cogitação para este ano. Assim como a McLaren, a escuderia italiana deve focar boa parte dos seus esforços em 2010.

A F-1 encerrou a primeira corrida na Europa deixando um cenário bem mais esclarecedor para o quadro de forças. Brawn e Red Bull são as verdadeiras protagonistas. Toyota perdeu terreno, assim como a Williams – nem mais o domínio nos dois treinos de sexta-feira o time inglês consegue ter. Ferrari evoluiu, McLaren estacionou, BMW se afundou e a Renault segue na mesma, salvando-se graças a Fernando Alonso. Toro Rosso e Force India permanecem no fundão.

Vamos para Mônaco, onde as zebras são mais frequentes em razão das dificuldades do circuito de rua. Como os carros estão bastante ariscos este ano, é bem capaz que tenhamos surpresas no resultado final. Mas é aconselhável não apostarmos muito nisso para evitar frustrações. Já bastam as que temos com algumas equipes e pilotos nacionais.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Emoções no deserto

FOTO: DIVULGAÇÃO/TOYOTA
No Bahrein, finalmente uma corrida limpa para o registros da temporada 2009 da Fórmula 1: sem chuva, acidentes seguidos de intervenção do Safety Car, largada com o carro madrinha ou paralisação da prova por motivos da natureza. Uma etapa normal, mas bastante movimentada desde o início, com várias ultrapassagens, alguns toques e importantes constatações sobre a nova realidade da categoria.

A primeira delas diz respeito ao líder da competição. Jenson Button venceu mais uma, a terceira em quatro GPs, mas talvez a mais valiosa de todas, afinal desta vez não contou com as facilidades de ter saído na pole position. O inglês precisou trabalhar, agir rápido na segunda volta para não perder tempo atrás do compatriota Lewis Hamilton e andar forte para fazer valer a estratégia de pit-stops. Ganhou na pista e fora dela também, pois já deve receber da Brawn as atenções de número 1 do time. Com toda a razão.

Como o próprio britânico afirmou, a equipe das cores branco-marca texto já não reina absoluta. A Red Bull está próxima e tende a ser uma ameaça ainda mais forte quando instalarem o difusor de dois andares. Sebastian Vettel, mesmo brigando muito para segurar a traseira de seu bólido nas saídas de curva, tocou firme para garantir o segundo lugar, mostrando que tem tudo para ser o principal adversário de Button nas próximas corridas.

A Toyota, apesar de ter feito a dobradinha na classificação, não dá pintas de ser uma grande ameaça nos circuitos de média-alta velocidade. Deve, sim, estar sempre no encalço das grandes escuderias do momento para abocanhar um lugarzinho no pódio, podendo causar surpresas em pistas mais travadas, como a de Mônaco. Mas pelo que o time fez nos treinos, o terceiro posto de Jarno Trulli teve um gostinho amargo.

Um sabor mais doce sentiu a McLaren, graças ao campeão Lewis Hamilton, que extraiu tudo de seu equipamento — ainda mediano — para alcançar um satisfatório quarto lugar. Um resultado satisfatório tendo como base a realidade vivida pela escuderia prateada, que vai evoluindo aos poucos.

Impressionante mesmo foi a largada do inglês que, graças ao KERS, quase saltou para a primeira colocação. Do jeito que dá, Hamilton vai colecionando alguns pontinhos que, caso a equipe reencontre o caminho das vitórias, podem ser valiosos lá na frente.

Na quinta posição, Rubens Barrichello. O que falar deste rapaz resmungão, que teve siricuticos pela dificuldade de ultrapassar Nelson Piquet? Que vá para o espaço, literalmente. Aliás, essa viagem poderia acontecer logo, pois na pista o veterano infelizmente não tem mais o que provar. Já está mais do que claro que não basta sorte; é preciso ter um brilho extra, o qual Barrichello de fato não tem.

O brasileiro só não chegou em sexto porque teve uma forcinha da Ferrari, que errou no último pit-stop de Kimi Raikkonen e atrapalhou a bela atuação do finlandês. Os vermelhinhos chegaram até a liderar a prova, vejam só que avanço! Contudo, ainda estão longe de brigar pelas vitórias. Pelo menos marcaram os primeiros pontinhos do ano.

Felipe Massa, enquanto isso, segue zerado. Pagou o preço pela largada ruim e perdeu um pedaço da asa dianteira. Coisas de corrida, fazer o quê? Até o ano passado, ainda teria condições de terminar na zona de pontuação. No entanto, os tempos são outros para ele e sua equipe.

Quanto a Piquet, enfim uma exibição decente. Andou bem e de forma constante durante todo o GP. Não pontuou, é verdade, mas o décimo lugar sem erros e nem muito distante de Fernando Alonso, o oitavo, criou uma certa esperança de melhora para as próximas etapas. Tomara que se confirme na prática.

A próxima parada é o GP da Espanha, corrida tradicionalmente marcada pelo marasmo por ser um dos principais locais de testes das equipes. Entretanto, a promessa de novidades aerodinâmicas já ocasionou muita expectativa a esta prova. Será que Ferrari, McLaren e BMW (pobre Robert Kubica) terão seus difusores de dois andares e vão progredir? Ou será que Brawn, Red Bull e até mesmo a Toyota jogarão mais um balde de água fria nas pretensões das grandes e assumirão de vez o papel de protagonistas de 2009?

Que venham as respostas em Barcelona!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Balanço geral

FOTO: DIVULGAÇÃO/RED BULL
GP da China de Fórmula 1, uma corrida de esclarecimentos. Vimos que os difusores são importantes para aumentar a velocidade dos carros, mas não determinantes para o bom desempenho do conjunto. Prova disso foi a dobradinha conquistada pela Red Bull, a melhor entre as equipes que ainda não dispõem do aparato desenvolvido por Brawn, Williams e Toyota.

Sebastian Vettel venceu com autoridade debaixo de chuva. Este sim um piloto que se destaca como um dos melhores da atualidade para acelerar nas condições de piso molhado. Por que será que muitos ainda insistem em dizer que Rubens Barrichello faz parte desta lista? Apostar no brasileiro, definitivamente, não dá mais.

O quarto lugar do veterano, de novo atrás de Jenson Button, pode ter sido crucial para a equipe desde já colocar todas as fichas no inglês para a disputa do título. E com toda a razão, já que ele venceu duas das três etapas disputadas e chegou uma vez em terceiro, enquanto o companheiro acumulou promessas e desculpas. Chega, não é?

A conclusão após a bandeirada da corrida chinesa foi uma só: um alemão e um britânico como protagonistas do momento; Vettel e Button. Um jovem talento e um sujeito que sempre ficou no quase, mas ganhou uma última oportunidade e soube agarrá-la. Esta briga promete ser interessante.

No mais, temos inúmeros coadjuvantes. Uma McLaren que dá leves sinais de melhoria, uma Toyota e Williams perdendo fôlego para se manterem no páreo, uma BMW lastimável com o verdadeiro trator que projetou, uma Renault com surtos de grandeza graças à Fernando Alonso, uma Toro Rosso razoável com Sébastien Buemi, uma Force India pequena como sempre e uma Ferrari vergonhosa, sem um mísero ponto em três provas.

Para o GP do Bahrein, no próximo fim de semana, o cenário dificilmente será modificado. Talvez os atuais campeões do mundo consigam beliscar seus primeiros tentos do ano, mas de resto teremos poucas variáveis. Button e Vettel, Vettel e Button, independente da ordem, desbancarão seus companheiros e vão lutar pela vitória.

Surpresas? Sempre serão bem-vindas, mas parecem distantes neste momento. Quem sabe a partir do GP da Espanha, quando todos trarão novidades – entenda isso como difusor – em seus projetos. De qualquer maneira, melhor não apostar muito em ninguém para a situação dos que estão devendo ficar menos feia.

domingo, 5 de abril de 2009

Secos e molhados

FOTO: DIVULGAÇÃO/BRAWN
No seco e no encharcado de Sepang, Jenson Button conquistou mais uma vitória nesta temporada de grandes mudanças na Fórmula 1. Com novas regras e novas forças no quadro de equipes, a categoria vive um saudável momento de intenso agito nas pistas, capaz de fazer com que o tradicional marasmo do GP da Malásia se transformasse numa prova movimentada, de muitas ultrapassagens e tensão.

A etapa não chegou ao final das 56 voltas, o que já era de se imaginar dado ao fortíssimo dilúvio de monções que afetou a região do circuito e à baixa luminosidade natural em função da proximidade de noite. Mas nada que estragasse o espetáculo, afinal foi interessante poder observar a reação de cada um dos pilotos naquele cenário de “vamos ou não voltar a correr?”.

O vencedor da prova, por exemplo, permaneceu no cockpit compenetrado até receber a informação de que o Grande Prêmio estava encerrado. Outros corredores, como Mark Webber e Fernando Alonso, desceram dos bólidos e ficaram circulando pela pista e paddock. Já o mais desencanado de todos, Kimi Raikkonen, aparecia na garagem da Ferrari vestindo bermudão, camisa e boné, tomando um sorvete de chocolate e abrindo a geladeira para pegar um refrigerante. Uma figura este campeão do mundo.

Nas 32 voltas em que as máquinas estiveram em ação, pudemos constatar o casamento perfeito entre Button e o monoposto da Brawn GP. O inglês não largou bem, é verdade, mas ditou um forte ritmo – visivelmente sem qualquer dificuldade – para descontar a diferença que o separava de Nico Rosberg e Jarno Trulli, e conseguir retomar a ponta após a primeira parada de box.

Mesmo com a chegada da chuva e o festival de pit-stops para troca de pneus, o líder do campeonato foi perfeito na condução do carro branco-marca texto, não se abalando sequer com a ameaça imposta por Timo Glock, que acelerava barbaridade com os compostos intermediários. Um desfecho, portanto, mais do que justo para o feliz britânico.

A Toyota, com Glock, fez um corridaço, acertando em cheio na estratégia de paradas para recuperar o terreno perdido pelo piloto alemão no início do GP. Estava em segundo no momento da paralisação da corrida, mas caiu para terceiro pelo fato do regulamento considerar nesses casos as posições da última volta antes da bandeira vermelha. Sorte para outro tedesco, Nick Heidfeld, que veio lá de trás em uma tocada discreta, mas se aproveitou da intensa movimentação dos boxes para alcançar um ótimo resultado.

Jarno Trulli e Rubens Barrichello foram coadjuvantes em relação aos seus companheiros de equipe. O italiano, quarto colocado, bem menos se comparado ao veterano brasileiro, que novamente desempenhou uma atuação de picos bons e mornos. O quinto lugar, considerando todos os acontecimentos da etapa, deve ser avaliado como lucrativo.

Classificado como leão de treinos, Mark Webber até que fez uma boa corrida. A sexta posição, porém, teve menos brilho que a bela postura de líder da associação dos pilotos que o australiano demonstrou durante a interrupção da prova. Tomou chuva na cabeça, saiu conversando com todo mundo, mostrou-se um verdadeiro líder entre os competidores.

No sétimo posto, Lewis Hamilton conseguiu mais uma vez levar aos pontos o carro ruim da McLaren – resta saber se não vão desclassificá-lo como na Austrália. O campeão do mundo pode não ter condições no momento de brigar pelos primeiros lugares, mas mostra que faz a diferença no cockpit, algo que muitos duvidavam.

A Williams, coitada, merecia mais que o oitavo lugar com Nico Rosberg. O alemão fez uma brilhante largada, foi bastante forte no primeiro trecho da prova, mas se perdeu no meio da loteria que se formou com a chegada do temporal. Uma pena, pois o pódio seria justíssimo.

O que falar da Ferrari? Duas corridas e dois vexames, não parecendo em nada o time campeão dos últimos anos. Ninguém em sã consciência coloca pneus de chuva quando ainda não se cai uma gota de água dos céus. O que fizeram com Kimi Raikkonen foi absurdamente ridículo, pois jogaram no ralo a chance de pontuar. Certo mesmo foi o homem de gelo em ir para os boxes e tomar um picolé. Felipe Massa, nono em um dia de pouco destaque, deveria ter feito o mesmo.

Na Renault, o clima para Nelson Piquet deve ter ficado um pouco mais nublado. Terminou em 13º, duas posições atrás de Fernando Alonso, que saiu da pista e guiou com otite. Será que o brasileiro vai jogar de novo a culpa no carro? Feia a situação...

No campeonato, as coisas vão muito bem obrigado para Button e a Brawn. O inglês só não leva 20 pontos porque a corrida de hoje deu apenas a metade dos tentos para os que pontuaram. De qualquer maneira, já são cinco de vantagem que acumula para o vice-líder, Barrichello, e mais motivação para encarar as próximas rodadas. Será que o domínio se estende para a China, daqui duas semanas? Tudo indica que sim.

domingo, 29 de março de 2009

GP da Austrália: Um final que valeu por tudo

FOTO: REPRODUÇÃO/LAT
Domínio, independente de quem o proporcione, não costuma trazer emoção para nenhum esporte. Mas nada como um desfecho eletrizante e acidentado de corrida para dar ares de graça as 58 voltas do GP da Austrália.

A vitória, como era de se imaginar, ficou com a Brawn, bem como a dobradinha. Não do jeito que se imaginava, é verdade, mas aconteceu com uma forcinha de Sebastian Vettel e Robert Kubica.

Quem errou, o polonês ou o alemão? Quem merecia ser o segundo colocado? Duas indagações de difícil resposta, mas que também não importam mais. O que vale mesmo é dizer que tanto a Red Bull como a BMW surpreenderam com o forte desempenho em Melbourne. Só perderam em brilho para a nova força da categoria, a recém nascida equipe de Ross Brawn.

Jenson Button foi impecável ao longo da prova, merecendo com todas as letras a vitória neste domingo – a segunda de sua carreira. O inglês não teve adversários no Albert Park, muito em função do problema (ou vacilo) de Rubens Barrichello na largada, que acabou com as chances do brasileiro de disputar a liderança. No entanto, teve todos os méritos pela conquista da pole position e por ter conseguido se manter na frente do pelotão. Não basta ter um carro veloz, é preciso também competência.

Num dia histórico para a Brawn e para a Fórmula 1, o britânico sentiu o gosto de pela primeira vez liderar o Mundial. O “yeahhhh” gritado várias vezes pelo rádio traduziu a emoção de quem esteve perto de ficar a pé na temporada ou – na pior das hipóteses – amargar por mais um certame as últimas colocações. Um verdadeiro conto de fadas de final surpreendente e feliz neste primeiro capítulo de 2009.

Para Barrichello, o segundo lugar teve sim um sabor de vitória, já que em condições normais sequer subiria no pódio, por conta da largada ruim e dos toques recebidos e dado nos rivais. O brasileiro, de qualquer maneira, fez uma boa corrida. Provou novamente que a motivação está em nível máximo e que pode sim sonhar com o retorno ao degrau mais alto do pódio.

Em meio à festa da Brawn, vimos uma vibração muito forte também de Jarno Trulli, terceiro colocado com a Toyota depois de ter largado dos boxes. Beneficiado, como Rubens, pelo abandono de Vettel e Kubica, mas ainda assim um resultado expressivo. Imagine o que poderia ter conseguido caso o time japonês não tivesse sido punido na classificação?

Outro que teve motivos de sobra para festejar o resultado de hoje foi Lewis Hamilton, que chegou em quarto com a McLaren mal nascida. O inglês mostrou que não se apavora com o fato de largar atrás; seu único problema mesmo são as decisões de campeonato. Para um carro nota quatro, segundo avaliação do britânico, a posição foi animadora. Se bem que o braço do piloto parece ter contado mais que o equipamento.

Vexame mesmo, como talvez ninguém imaginasse, foi dado pela Ferrari. Péssima estratégia de pit-stop, problemas mecânicos e os dois carros recolhidos. Felipe Massa até que andou bem enquanto pôde. Já Kimi Raikkonen foi apático como em praticamente todo o ano de 2008, com direito a rodada e batida. Um dia para todo o time ficar vermelho de vergonha.

Do restante da turma, quem mais merece destaque é Nico Rosberg. O alemão vinha bem até o momento da parada nos boxes, quando a Williams se atrapalhou na troca dos pneus e matou a corrida de seu piloto. No final, sofreu com o desgaste excessivo dos compostos macios e se tornou presa fácil para a concorrência. O sétimo lugar foi pouco, se pensarmos que tinha condições de brigar pelo pódio, mas um alento se considerarmos que ficaria sem nenhum tento se Robert e Sebastian não tivessem se enroscado.

A Renault, com Fernando Alonso, somou três pontinhos com a sexta posição. Poderia ter levado algo mais, porém, Nelson Piquet ficou pelo caminho. Fazia uma boa corrida, mas perdeu o controle do bólido na saída do primeiro Safety Car. Uma pena.

Bela apresentação do estreante Sebastian Buemi, o oitavo com a Toro Rosso. Rápido e agressivo em diversas ocasiões, não se intimidando nem com pilotos como Felipe Massa. Topetudo esse suíço.

Começou, gente! Com ultrapassagens, novos protagonistas, erros dos pilotos e também com uma boa dose de sorte, pois se não fossem as intervenções do Safety Car, a vantagem da Brawn para o resto seria assombrosa.

Que venha a Malásia na próxima semana!

domingo, 2 de novembro de 2008

Da euforia ao silêncio ensurdecedor

Em uma categoria em que os milésimos fazem muita diferença, os segundos finais do Grande Prêmio do Brasil foram algo completamente difícil de mensurar. Numa questão de segundos, um mar de gente vibrou e se calou, pilotos choraram de alegria e tristeza, famílias se desesperaram e explodiram em emoção, um resultado inesperado cedeu espaço para outro que nos últimos metros também foi encarado como imprevisível. Um dia histórico para a Fórmula 1, que conheceu seu novo campeão.

Interlagos ferveu em euforia e gritos como há muito não se via, mas em pouco tempo ficou em um silêncio ensurdecedor. O público deixou as arquibancadas calado, atordoado com uma dor que até era prevista, mas que de repente abriu caminho para um pingo de esperança nas voltas finais.

Em uma reta tudo mudou, a chuva e o choro de Felipe Massa nos tocaram. Tal como o aguaceiro e as lágrimas de Lewis Hamilton contagiaram os ingleses. O brasileiro venceu em casa, o britânico conquistou o título mundial. Tornou-se o mais jovem campeão da modalidade, fez história. Assim como o brasileiro vice-campeão da Ferrari, protagonista de um ano glorioso para o país verde-amarelo.

Massa cumpriu sua missão em Interlagos. Precisava vencer e venceu, No mais, tinha que torcer pelo acaso, que por pouco não aconteceu. Venceu em casa, uma vitória com sabor de vitória mesmo! O título? Se o perdeu, certamente não foi no Brasil. Por erros dele, Felipe, e da equipe o campeonato parou nas mãos de Hamilton, que fez muito por merecer o triunfo.

O GP do Brasil somente selou um desfecho triunfal para o torneio de extremo equilíbrio que foi a temporada 2008. Um ano sensacional, que será lembrado como um dos melhores momentos de toda a Fórmula 1.

Parabéns ao novo campeão e ao vice. Bravos guerreiros e grandes vencedores!

domingo, 19 de outubro de 2008

Contas acertadas com Xangai

A imprudência de 2007 foi enterrada na base da dominação e extrema autoridade para liderar praticamente todas as voltas da corrida chinesa e fazer ainda um hat-trick (pole, vitória e volta mais rápida). Barba, cabelo, bigode e sete pontos de favoritismo para conquistar o título da Fórmula 1.

Lewis Hamilton pode ter jogado fora o Mundial do ano passado, mas mostrou neste domingo que não comete erros consecutivos em uma mesma pista. Uma realidade pouco agradável para Felipe Massa, que agora passa a depender de um milagre para repetir o feito de Kimi Raikkonen em Interlagos.

O brasileiro terminou em segundo graças à ajuda do companheiro finlandês, que não poderia fazer outra coisa senão abrir espaço para o parceiro neste momento de decisão. Nada de errado na atitude da Ferrari. O erro da equipe italiana, se é que podemos chamar assim, foi ter permitido uma disparada assombrosa da McLaren no circuito de Xangai, algo que ninguém imaginava que pudesse acontecer de uma hora para outra.

Impossível também não duvidar do potencial dos carros vermelhos para a decisão no Brasil. Andaram muito bem nas duas últimas edições da prova brasileira, como também haviam dominado as duas últimas de Xangai. E agora? Um desafio extra para Massa e um certo conforto para Hamilton.

Ah, a corrida deste fim de semana. Muito chata em termos de emoção. Do jeito que os ponteiros partiram eles terminaram; exceção feita à troca de posições entre os vermelhinhos. Um incrível teste de resistência para se manter acordado em frente à televisão. Comparada às etapas calorosas como a de Fuji e Cingapura, um verdadeiro porre.

Mas sempre há pontos relevantes a se destacar. Hamilton, por exemplo, foi impecável e colocou uma mão e meia na taça. Massa, incapaz de disputar a vitória, foi prudente em não cometer erros e pensar que milagres são possíveis. Raikkonen, enquanto isso, trabalhou para a equipe, garantindo seu segundo pódio consecutivo desde os quatro seqüenciais obtidos entre Malásia e Turquia, no começo do ano.

Fernando Alonso, que prometeu ajudar Felipe se possível, cumpriu com a palavra na briga com Heikki Kovalainen no princípio do GP. Um quarto lugar merecido para o asturiano, que sozinho já somou mais pontos este ano do que os dois pilotos da Renault em 2007. Uma fera este bicampeão.

A BMW, sem mais chances matemáticas de brigar pelo título, colheu o sexto e sétimo lugares de Nick Heidfeld e Robert Kubica, respectivamente. Muito pouco para um time que chegou a rivalizar com Ferrari e McLaren, mas agora apanha da Renault. Os alemães devem ficar espertos para o ano que vem...

Ainda sobre a Renault, conseguiu mais uma vez pontuar com seus dois corredores graças ao oitavo lugar de Nelson Piquet. Uma bela atuação do brasileiro, que merece seguir no grupo francês por mais uma temporada. O mesmo vale para Rubens Barrichello, que tirou leite de pedra do fraquíssimo Honda para receber a bandeirada em 11º, fazendo bonito em momentos como o ataque maciço de Mark Webber.

O destaque negativo em Xangai foi uma exclusividade de Heikki Kovalainen. É verdade que enfrentou problemas e abandonou, mas foi apático durante todo o fim de semana, mesmo dispondo de uma incrível máquina. Lamentável.

Que venha agora a decisão, pelo quarto ano seguido no Brasil e pela primeira vez com um brasileiro na luta pelo título. Independente do desfecho da trama, saibamos curtir esse momento, afinal um brazuca não chega à última corrida com chances de faturar o caneco desde 1991.

Hamilton ou Massa campeão, Interlagos vai ferver!

domingo, 12 de outubro de 2008

Tropeço dos líderes, genialidade de Alonso

Uma corrida emocionante de muitos destaques relevantes. A começar pelo vencedor, sem dúvida o melhor piloto da Fórmula 1 atual. Um sujeito completo que sabe fazer a diferença quando vê brecha para alcançar um bom resultado. Foi assim em Cingapura e neste domingo no Japão, palco da segunda vitória consecutiva do bravo Fernando Alonso em 2008.

Empolgado com a considerável evolução do carro da Renault, o espanhol buscou no enorme talento a vantagem que precisava para vencer a antepenúltima etapa do Mundial. Foi beneficiado pelos erros e problemas dos postulantes ao título, é verdade, mas esteve longe de ter a vida facilitada, afinal a BMW de Robert Kubica e a Ferrari de Kimi Raikkonen estavam no páreo pelo degrau mais alto do pódio. Estavam, porque o bicampeão tratou de arrasá-los com seu bólido ainda inferior em nível técnico.

O caminho para a vitória do asturiano surgiu logo na largada, o ato crucial deste Grande Prêmio. Não fosse a afobação de Lewis Hamilton pela perda da liderança para Raikkonen, muito provavelmente o britânico se manteria na briga direta pelo pódio, na pior das hipóteses.

Em vez da cautela recomendada para um líder do torneio, o inglês da McLaren resolveu arriscar tudo na freada para recuperar a dianteira. Com isso, passou reto na curva e perdeu várias posições, abrindo espaço para a possibilidade de incidentes, que no caso aconteceu exatamente com Felipe Massa.

Malandro, o brasileiro mereceu o drive-through por ter ocasionado a rodada de Hamilton. No desenrolar da prova, no entanto, guiou com extremo arrojo e determinação para levar um importante pontinho do oitavo lugar para casa, diminuindo a diferença que o separa de Lewis, o 12º, para seis pontos no campeonato. Duas vitórias com pelo menos uma dobradinha da escuderia italiana passam a ser a conta do ferrarista para faturar o caneco.

Caneco este que agora só tem três concorrentes. Raikkonen, terceiro colocado hoje com uma nova atuação discreta, já está matematicamente alijado do sonho do bi. Kubica, enquanto isso, segue no papel de candidato a azarão com 12 pontos atrás do líder da tabela e seis a menos que Massa. Méritos absolutos do polonês, que chegou em segundo com a BMW cambaleante no circuito de Fuji.

Além da vitória, a Renault festejou no Japão o ótimo quarto lugar de Nelson Piquet, posição que pode ter garantido ao brazuca a justa permanência na equipe para 2009. Com direito a algumas voltas na liderança, o piloto fez a sua melhor prova no ano, em que pese o circunstancial segundo lugar no GP da Alemanha.

Jarno Trulli, o quinto colocado, e Sébastien Bourdais, sexto, também tiveram a chance de andar na ponta. Outros dois destaques do Grande Prêmio, certamente. Sebastian Vettel, em sétimo, pode ter sido superado pelo companheiro de equipe desta vez, mas completou a sua quinta corrida seguida na zona de pontos, sendo o único a pontuar nessas últimas cinco etapas. Ótima façanha para a Toro Rosso.

Apesar do 13º posto, o domingo de Rubens Barrichello valeu a pena pela disputa por posição com Nico Rosberg, que enfrentou dificuldades para superar o carro ruim do brasileiro. O alemão fez a ultrapassagem, mas não escapou da forte resistência do veterano.

Restam agora dois GP’s para o desfecho do Mundial, que pode ser decidido na próxima semana na China. Para tanto, será necessário uma vitória de Hamilton combinada a um quarto lugar de Massa, na conta mais simples. Possível, mas a princípio pouco provável. Se bem que nada tem sido previsível nas últimas corridas.

Tudo graças ao forte equilíbrio da temporada 2008, mas principalmente aos inúmeros vacilos de Lewis e Felipe.

domingo, 28 de setembro de 2008

Sonhos e pesadelos de uma noite

Um GP centenário, o de número 800 da história da Fórmula 1, não poderia ser simplesmente uma corrida qualquer. Tinha que haver emoções, ultrapassagens num local onde ninguém botava fé que elas aconteceriam, batidas, intervenções do Safety-Car, lambanças de equipes grandes e um resultado inesperado. Uma vitória de um cara que acelera demais e que guiou com perfeição neste domingo, mas ainda assim um desfecho inimaginável para a inédita prova noturna de Cingapura.

Fernando Alonso fez as pazes com a vitória de maneira triunfal, aliando a competência de bicampeão a uma enorme dose de sorte. A primeira fortuna veio com a realização de seu primeiro pit-stop logo antes da entrada do carro madrinha na pista, motivada pelo acidente de Nelson Piquet — um jogo de equipe não intencional? Acabou sendo!

Na seqüência, a trapalhada da Ferrari no reabastecimento de Felipe Massa, que saiu dos boxes com mangueira e tudo por erro do time ao sinalizar que ele poderia sair, completou o cenário que o asturiano precisava para lutar pelo degrau mais alto do pódio. O resto era com ele, que não fracassou.

Mesmo que quisesse, talvez Alonso fosse incapaz de encerrar a noite associado à palavra fracasso. Essas três sílabas foram seguradas com as duas mãos pela escuderia de maior tradição na categoria, que saiu zerada de Cingapura, quando tinha boas possibilidades de fazer a dobradinha, caso não houvesse a entrada do Safety-Car.

Depois de enterrar as chances de Massa, que acabou em 13º, nada mais pôde ser feito pela Ferrari. O brasileiro ficou fora de combate nas últimas posições, uma grande infelicidade em função do forte início de corrida que vinha fazendo. Da considerável oportunidade de sair da cidade-estado asiática como líder do Mundial, terminou sete pontos atrás de Lewis Hamilton, o terceiro colocado na prova.

Desfecho ruim, porém menos desastroso do que aparentava ser, afinal restam mais três etapas para o encerramento da temporada. O único problema é que Felipe não depende mais apenas de si para ficar com o título; vai precisar da ajuda de Kimi Raikkonen para roubar pontos do inglês da McLaren. Ruim do jeito que está o finlandês e com uma equipe campeã de erros? Isso preocupa.

Para Hamilton, o terceiro lugar teve sabor de vitória, pois em condições normais chegaria atrás das Ferrari e veria Massa assumir a ponta do torneio. Num circuito travado e de difícil ultrapassagem, o britânico mostrou que aprendeu a correr com a cabeça nos pontos em vez de tentar repetir a apresentação alucinante de Monza e correr o risco de ficar pelo caminho. Sábio rapaz.

Ingleses felizes, espanhóis mais ainda, brasileiros tristes e finlandeses decepcionados. Tanto Raikkonen como Heikki Kovalainen deram vexame no circuito urbano. O campeão até que vinha bem, considerando o prejuízo que teve por entrar nos boxes ao mesmo tempo em que Massa e por tal razão ter caído para as últimas posições. Recuperou-se, chegou ao quinto posto e estatelou a parede a quatro voltas do fim. O que dizer sobre isso? A sorte que teve para faturar o título no ano passado está lhe custando muito caro pelo visto.

Já Kovalainen mal apareceu nesta corrida. Fez uma largada ruim e sumiu depois do primeiro Safety-Car, terminando em décimo. Por mais que as atenções da McLaren sejam voltadas para Hamilton, não seria ruim ter um segundo piloto um pouco mais prestativo para auxiliar pelo menos na briga dos Construtores, liderada agora pelo time de Woking com apenas um ponto de vantagem sobre a Ferrari. Se Heikki colaborasse, a diferença poderia ser bem maior.

No pódio, ao lado de Alonso e Hamilton, Cingapura presenciou a grata presença de um piloto da Williams. Uma bela corrida de Nico Rosberg, diga-se, que andou muito forte para descontar o prejuízo do “Stop & Go” tomado pela ida aos boxes quando o pit-lane estava fechado.

A nação alemã, aliás, foi outra que teve motivos para comemorar o domingo. Além do segundo lugar de Rosberg, teve Timo Glock num merecido quarto posto — um dos pilotos que mais têm se destacado nesta segunda metade da temporada —, seguido do jovem talentoso Sebastian Vettel e Nick Heidfeld. Haja alemão!

David Coulthard, a quem muitos achavam que nem correria nesta prova para já ceder lugar a Vettel, levou dois pontinhos com a sétima colocação. Seu grande destaque foi por ter segurado Hamilton por longas voltas e impedido uma reação ainda maior do britânico. Dá-lhe escocês.

Para a alegria da Williams, Kazuki Nakajima levou um tento ao completar o páreo em oitavo. Resultado ao qual fez jus, com ultrapassagens e poucos erros. Seu primeiro ponto desde o GP da Inglaterra, disputado em julho.

Rubens Barrichello, assim como Piquet, abandonou. Não por erros, mas pela falha do carro da Honda. Na corrida, o que mais chamou atenção foi seu fracasso ao jogar a balaclava para os torcedores das arquibancadas. Nem isso o coitado tem conseguido.

Sobre o brazuca da Renault, vale apenas o registro de que sua situação na equipe está muito delicada. Resta torcer para que Flavio Briatore, chefão do time francês, lhe dê uma chance de tentar melhor sorte na etapa do Japão, antes de bater o martelo sobre os pilotos para 2009.

Faltou falarmos sobre Robert Kubica, outro que teve de reabastecer durante o período de boxes fechados para evitar uma pane seca e acabou penalizado com um “Stop & Go”. Independente disso, o polonês da BMW foi bastante discreto. Um décimo lugar com gosto de decepção.

Muito boa a corrida de Cingapura, mais emocionante do que poderíamos imaginar. Para a McLaren, mais lucrativa do que a encomenda. Para a Ferrari, um enorme pesadelo. Para Fernando Alonso, um sonho para curtir por muitas noites.

Noite do terror para a Ferrari

Ficar vermelha de vergonha é muito pouco para o papelão da Ferrari no GP de Cingapura deste domingo. Com a patacoada cometida no pit-stop de Felipe Massa, que arruinou as chances de vitória do brasileiro, e a estúpida batida de Kimi Raikkonen nas últimas voltas do GP, o time italiano completou a etapa sem um mísero ponto.

Um desfecho negativo que não acontecia desde o GP da Austrália de 2006, quando Michael Schumacher e Massa não completaram a prova e obviamente ficaram sem pontuar. Desde então, foram 46 corridas finalizadas com pelo menos um dos pilotos ferraristas na zona de pontuação. Do GP de San Marino de 2006 ao GP da Itália de 2008.

A série que chegou ao fim hoje foi a segunda maior da história, perdendo apenas para outra pertencente à própria Ferrari, que anotou tentos por 55 etapas seguidas entre as etapas da Malásia de 1999 e Malásia 2003.

Uma noite para atormentar a cabeça do grupo vermelho pelas próximas semanas.

domingo, 14 de setembro de 2008

Talento maior do que qualquer palavra

Ele disse que não sabia o que dizer; mas que mal há nisso? Em vez de palavras, Sebastian Vettel mostrou atitude e um grande talento para vencer sua primeira corrida na Fórmula 1 com a facilidade e arrojo de um piloto experiente a bordo de um carro de ponta. A diferença é que se tratou de um garoto de 21 anos, com apenas 22 GPs no currículo e um monoposto mediano.

Uma vitória em Monza que ninguém pode chamar de circunstancial, pois não foi o caso de uma zebra ocasionada após o abandono dos competidores mais fortes. Vettel foi soberano no piso molhado, no úmido e também no quase seco. Ganhou com a presença de Ferrari, McLaren e BMW na pista. Brilhou porque derrotou a todos mesmo sem dispor do melhor equipamento. Um dia histórico, sem dúvida.

Tão impressionante quanto a atuação foi a naturalidade com que o garoto vivenciou a sensação do triunfo inédito na categoria. No lugar do choro compulsivo, o sorriso exacerbado de quem está acostumado com a celebração de grandes conquistas. Mais um motivo para admirarmos o tedesco.

Um grande dia para a Toro Rosso, a nova equipe vencedora do circo e a primeira escuderia italiana não Ferrari a subir no degrau mais alto do pódio desde a Benetton, ganhadora do GP da Alemanha de 1997 com Gerhard Berger, que não participava da cerimônia do champanhe desde aquela ocasião. Outro que mereceu a conquista deste domingo.

Apesar de todos os méritos e implicâncias da vitória de Vettel e do time filial da Red Bull, o agitado GP da Itália exaltou a genialidade de outro garoto: Lewis Hamilton. O inglês salvou uma corrida que parecia perdida para ele em termos de campeonato ao chegar em sétimo. Protagonizou belíssimas ultrapassagens sem se preocupar com quem estivesse a sua frente. Exagerou em certos momentos, mas ainda assim foi incrível.

Não fosse a necessidade de trocar os pneus de chuva pelos intermediários, o britânico da McLaren teria saído da Itália com uma vantagem ainda maior sobre Felipe Massa na liderança do Mundial, que agora é de apenas um ponto. A diferença hoje parece ser o de menos para Lewis, afinal conseguiu provar a todos o que havia dito ao longo da semana: ele tem mais peito que qualquer um para acelerar no molhado e nem mesmo a punição sofrida em Spa foi capaz de mudar isso.

Para Felipe Massa, a sexta posição acabou sendo pouco. Tudo bem que a Ferrari estava ruim nas condições de asfalto molhado, mas faltou um pouco mais de arrojo do piloto que se classificou como um bundão na última corrida. Apesar da bela manobra sobre Nico Rosberg, o brasileiro repetiu o desempenho da Bélgica. A diferença é que desta vez ninguém bateu ou foi punido.

Lá na frente, mesmo com o excelente carro para as condições de chuva, Heikki Kovalainen foi medíocre durante todo o Grande Prêmio. Um segundo lugar com sabor de fracasso, ao menos para quem estava assistindo à prova. Nada fez desde a largada à bandeirada, apenas se manteve na pista para chegar atrás do vencedor. Muito ruim para quem dirige uma McLaren.

Na terceira posição, algo mais interessante. Robert Kubica, de capacete especial para recordar o seu primeiro pódio na F-1, lembrou-se mais ainda do feito de 2006 ao repetir o terceiro lugar, depois de ter partido de 11º. Com todos os méritos, o polonês da BMW assumiu de vez a terceira colocação na classificação do campeonato e se manteve com chances matemáticas de ser uma enorme zebra na briga pelo título entre Hamilton e Massa. Uma conjectura difícil de concretizar, mas que o feioso competente segue fazendo bonito, ah segue!

Fernando Alonso, depois de perguntar diversas vezes pelo rádio se alguém havia arriscado usar os pneus intermediários, mostrou a desenvoltura de bicampeão para encarar o circuito com tais calçados. E se deu bem, obtendo pela quarta vez no ano a quarta posição, seu melhor resultado até aqui. No Mundial, é o sétimo e o melhor classificado dentre os que não fazem parte do G3.

Outro que fez uma boa exibição em Monza foi Nick Heidfeld, o quinto colocado e agora somente quatro pontos atrás de Kimi Raikkonen na tabela de pontuação. Raikkonen? Novamente apagado e longe de ser aquele piloto que se apresentou na Bélgica. Terminou em nono, depois de andar mais da metade da corrida acima da décima colocação. Como de costume em 2008, acordou quando já não dava para fazer mais nada em termos de um bom resultado. Ah, mas conseguiu outra volta mais rápida para seu currículo. Uma grande porcaria.

Com 20 pontos a menos que Massa, 21 atrás de Hamilton e sete de Kubica, o finlandês está definitivamente morto na briga pelo título. O negócio agora é ralar para ficar ao menos em terceiro e evitar um vexame maior.

Esquecemos de Mark Webber, o oitavo com a Red Bull. O que dizer do australiano? Foi o leão de treinos de sempre e mediano na corrida. Nada a ser acrescentado. Ou melhor, vale um adendo: é bom ele começar a ter algum brilho dentro da equipe porque Vettel está a caminho.

Dos demais brasileiros, Nelson Piquet foi o menos ruim. Retardou ao máximo sua única parada para reabastecimento e conseguiu o décimo posto. Pelo menos não abandonou, o que complicaria a sua vida na Renault. Já Rubens Barrichello conseguiu ser pior que a posição de largada. De 16º no grid para 17º ao final da prova com o horroroso bólido da Honda.

Na lista de lamentações de Monza, destaque para três pilotos: Nico Rosberg por conta da queda de rendimento da Williams, que resultou num péssimo 14º lugar, Sébastien Bourdais pelo problema enfrentado logo na volta de apresentação — não fosse isso poderia ter brigado por um lugar no pódio e aumentar a festa da Toro Rosso — e Giancarlo Fisichella, o único que abandonou, mas valente por segurar a Ferrari de Raikkonen e a McLaren de Hamilton no começo da prova.

O barbeiro do dia, sem titubear, foi David Coulthard. Mas o escocês está em vias de pendurar o capacete. Por isso, tenhamos um pouco mais de paciência.

A Fórmula 1 se despede da Europa com duas excelentes corridas. Que venha a etapa noturna de Cingapura e mais incógnitas sobre quem levará a melhor na pista inédita e também no campeonato. Entre os construtores, arrisco um palpite: a McLaren, somente cinco pontos atrás da Ferrari, conseguirá o título.

O primeiro pós 100º

Sebastian Vettel é o vencedor de número 101 da história da Fórmula 1 e o primeiro alemão a vencer na categoria após Michael Schumacher, cujo último triunfo havia sido alcançado no GP da China de 2006.

Para a Alemanha, segundo país com o maior número de proezas na categoria, atrás apenas da Grã Bretanha, foi a 104ª conquista no torneio e o sexto representante da nação a brilhar na classe máxima do automobilismo. Antes do Tião, estiveram no topo do pódio Wolfgang von Trips (2), Jochen Mass (1), Michael Schumacher (91), Heinz-Harald Frentzen (3) e Ralf Schumacher (6).

No ano, Vettel é o terceiro piloto a sentir o gostinho da primeira vitória, juntamente com Heikki Kovalainen e Robert Kubica. A última vez que se viu três novos vencedores numa mesma temporada foi em 2003, com Kimi Raikkonen, Giancarlo Fisichella e Fernando Alonso.

Será que teremos um quarto nome nesta lista? Se acontecer, será um feito raro que não se vê desde 1982, quando cinco competidores celebraram suas primeiras conquistas: Michele Alboreto, Keke Rosberg, Elio de Angelis, Patrick Tambay e Riccardo Patrese.

Juventude dominante

Um dia após se tornar o pole-position mais jovem da história, Sebastian Vettel entra para o livro dos recordes como o vencedor mais precoce da Fórmula 1. Venceu no templo sagrado de Monza aos 21 anos, 2 meses e 11 dias, superando a marca de Fernando Alonso alcançada no GP da Hungria de 2003, quando debutou no degrau mais alto do pódio aos 22 anos e 26 dias.

No pódio, mais precocidade. Vettel, Heikki Kovalainen e Robert Kubica, três pilotos que conquistaram em 2008 suas primeiras pole e vitória, formaram a cerimônia do champanhe mais juvenil da categoria, com uma média etária de 23 anos, 11 meses e 16 dias.

A marca batida também havia sido registrada neste ano. Foi no GP da Alemanha, quando Lewis Hamilton, Nelson Piquet e Felipe Massa computaram 24 anos, 7 meses e 13 dias. Difícil imaginar a quebra desses novos índices, mas como a F-1 está cada dia mais jovem não vale a pena queimar a língua.

Fim e nascimento celebrados em Monza

Em 2006, um multi-campeão vencia pela última vez na casa da Ferrari e anunciava ao mundo a sua aposentaria. No pódio, hino alemão e da Itália para o piloto e equipe vencedores, com um finlandês de McLaren em segundo e um polonês de BMW na terceira posição.

Em 2008, um jovem alemão faz história em Monza ao ser o primeiro piloto de sua nação a vencer após Michael Schumacher. No pódio, hino germânico e da Itália para o piloto e equipe vencedores, com um finlandês de McLaren em segundo e um polonês de BMW na terceira posição.

domingo, 7 de setembro de 2008

Sorte de campeão?

Lewis Hamilton festejou, mas por pouco tempo. Os comissários da FIA acabaram punindo-o com o acréscimo de 25 segundos em seu tempo total de corrida pela ultrapassagem polêmica sobre Kimi Raikkonen no final do GP da Bélgica.

Sorte então para Felipe Massa, que herdou a vitória e diminuiu para dois pontos a diferença que o separa do britânico no campeonato. Os oito tentos de vantagem do piloto da McLaren — o terceiro colocado com a punição — foram para o espaço, mas a equipe prateada já disse que vai recorrer da decisão.

Preparem-se para uma semana bastante agitada nos bastidores!

Emoção e reviravolta em duas voltas

O título deste post já estava formulado na cabeça: “Vitória de Campeão”. Realmente, um corridaço de Kimi Raikkonen — até a penúltima volta — neste ótimo GP da Bélgica. Correu como o finlandês arrojado e destemido dos tempos de McLaren, partiu para o tudo o nada na pista em que ama acelerar, visando permanecer na briga pelo campeonato.

Parecia estar próximo da quarta vitória em Spa, mas veio a chuva e estragou a festa do nórdico, que bateu no muro e praticamente deu adeus às pretensões do bi em 2008. De quarto a primeiro colocado em menos de duas voltas, do êxito ao abandono a dois giros do final. Um drama lamentável para o campeão.

A vitória foi de Lewis Hamilton, competente por ter descontado a vantagem que o separava do “Homem de Gelo” no momento em que a pista ficou escorregadia e também pelo misto de cautela e sorte nas voltas decisivas da etapa. Errou apenas na segunda passagem, quando rodou e perdeu a ponta para Raikkonen. Na hora em que o talento fez a diferença, mostrou porque é o líder da competição.

De contestável, somente a malandragem do inglês na ultrapassagem sobre Kimi. Ele devolveu a posição para o finlandês por ter cortado caminho, mas logo se enfiou no vácuo para retomar a dianteira no fim da reta dos boxes. Não por menos a Ferrari protestou contra o resultado da prova.

Prova essa muito lucrativa para um modesto Felipe Massa em Spa-Francorchamps. O terceiro lugar já estava ótimo em função de seu desempenho mediano na Bélgica, mas de repente viu no colo mais dois pontinhos com o abandono do companheiro de equipe. Injustiça? Claro que não. Foi motivo para muita comemoração e torcida para que a escuderia de Maranello o oficialize como o piloto número 1 nesta estilingada final de temporada.

Na terceira posição, o retrato da felicidade do piloto que vivia situação idêntica à de Raikkonen. Pode ter pecado no começo da corrida, mas Nick Heidfeld foi extremamente calculista e certeiro ao arriscar a troca de pneus na última volta, ultrapassando todo mundo para festejar o lugar no pódio. Agradou muito a BMW, que já disse que vai demorar um pouquinho mais na definição de sua dupla para 2009.

Fernando Alonso foi outro que arriscou colocar os compostos de chuva, mas acabou em quarto. Com pinta de decepção, já que andou a corrida inteira neste lugar e com o abandono de Raikkonen deveria ter chegado ao pódio.

Que resultado fantástico para a Toro Rosso, com seus dois pilotos na zona de pontuação. Sebastian Vettel foi o quinto e Sébastien Bourdais o sétimo. Merecia mais o francês por sua bela exibição, mas foi “engolido” por aqueles que trocaram de pneu e perdeu a chance de ficar em quarto ou até mesmo em terceiro. Infelizmente, não se pode lamentar muita coisa, afinal se méritos determinassem algo neste domingo a vitória seria de Raikkonen.

Robert Kubica chegou em sexto num dia de pouco brilhantismo, mas de conquistas na classificação, já que tomou o terceiro lugar de Kimi, estando agora com um ponto a mais na tabela. Vejam só o pesadelo em que se transformou o quase dia de redenção do finlandês da Ferrari.

O último pontinho em Spa acabou com Timo Glock, outro que pouco apareceu na Bélgica. A Toyota, na verdade, ficou aquém das expectativas, assim como a Red Bull — em nono com Mark Webber e em 11º com David Coulthard — e também Heikki Kovalainen.

Com uma McLaren bastante veloz e com a forte tocada que o finlandês demonstrou no início, o mínimo que deveria ter conseguido era um lugar no pódio. Mas suas trapalhadas falaram mais alto. Primeiro com a largada ruim e depois pelo toque em Webber, que o fez levar uma punição. No fim, o carro quebrou e Heikki ficou no prejuízo, pois Heidfeld voltou a lhe tomar o quinto lugar na classificação.

Fim de semana ruim também para os demais brasileiros, com ambos abandonando. Rubens Barrichello por problemas em sua tenebrosa Honda — o triste é ouvi-lo dizer que fez uma ótima volta no treino para largar em 16º — e Nelson Piquet após uma batida. A Renault certamente não ficou satisfeita.

Williams e Force India mal apareceram. O único comentário a se fazer aqui é que a Toro Rosso empatou com o time de sir Frank no Mundial de Construtores e provavelmente vai passá-lo nas próximas etapas.

A próxima corrida, aliás, já acontece no domingo que vem em Monza, casa da Ferrari. Na briga pelo título, um duelo entre Hamilton e Massa. No páreo das equipes, McLaren ainda atrás da rival vermelha, mas encostando gradativamente — o placar é de 129 a 123.

A F-1 se despede da Bélgica com a lição de que a receita das boas corridas está nos velhos e tradicionais circuitos. Uma etapa sensacional essa de Spa, não por menos a melhor pista do calendário.

domingo, 24 de agosto de 2008

Domínio e sonífero

Apesar de todos os predicados do circuito de Valência, o GP da Europa conseguiu ser a corrida mais chata dos últimos tempos. Cansativa, sonolenta, nem um pouco interessante. A cada volta completada, um bocejo e a vontade de dar uma cochilada. Foi difícil e decepcionante.

Por outro lado, foi uma etapa satisfatória para a briga do campeonato com a vitória de Felipe Massa, que dominou com autoridade do início ao fim. Teve um susto somente na saída de seu segundo pit-stop, quando quase esbarrou na Force India de Adrian Sutil. No mais, tudo perfeito.

Os eventuais deslizes mecânicos que poderiam estragar a conquista do novo vice-líder da classificação desta vez recaíram sobre o irreconhecível Kimi Raikkonen, um campeão longe de merecer o segundo título neste ano. Como já prevíamos, perdeu posição na largada, “acordou” quando faltavam 21 voltas para o término da prova, enfrentou problemas na última parada e abandonou com a quebra do motor Ferrari no finalzinho.

O receio de uma eventual pane do equipamento talvez tenha sido a única preocupação de Massa nesta corrida, afinal de contas seu maior adversário do momento, Lewis Hamilton, não demonstrou condições em nenhum instante de poder brigar pela vitória.

Coube ao inglês correr com o regulamento debaixo do braço. Se não pode ser o primeiro, que seja o segundo. E ele foi, mantendo-se assim na liderança da classificação, com seis pontos de vantagem para Felipe.

Na mesma filosofia, Robert Kubica voltou ao pódio, apesar da pouca competitividade do carro da BMW. Com o abandono de Raikkonen, o veloz polonês ficou a apenas dois pontos da quarta colocação do campeonato. Vai comendo pelas beiradas e fazendo uma bela temporada este narigudo.

Quem avançou um degrau na tabela de pontos do torneio foi Heikki Kovalainen, quarto colocado neste domingo e agora em quinto lugar na classificação, com dois pontos à frente de Nick Heidfeld. Passar o alemão era o mínimo que o finlandês poderia fazer correndo com um McLaren. Na corrida, foi somente razoável.

Da quinta à oitava posição, uma seqüência de elogios, em que pese à corrida chechelenta. Jarno Trulli (5º) e Timo Glock (7º) mantiveram a Toyota firme e forte na corrida para serem a quarta força do Mundial. Entre os dois, destaque para o alemão Sebastian Vettel, numa tocada constante com o bólido da Toro Rosso. A TV pouco mostrou, mas o tedesco vibrou muito o merecido resultado. Fechando a zona de pontos, Nico Rosberg. Um pontinho que não vinha desde o GP da Turquia, em maio. Muito tempo, não?

O que mais dizer sobre a corrida de rua? Muitas moças bonitas desfilando pelo paddock, o mecânico que se machucou no pit-stop de Raikkonen (passa bem, segundo informações da equipe), as novas lambanças de David Coulthard, o bate-bate da F-1... Ah, teve ainda o abandono de Fernando Alonso logo no começo da prova, para a decepção dos torcedores.

Houve também a fraca atuação dos outros brasileiros. Nelson Piquet foi o 11º, apagado. Já Rubens Barrichello terminou em penúltimo, mesmo lugar em que partiu.

Muito chatinho este GP da Europa, que no futuro pode se chamar Grande Prêmio do Mediterrâneo para o retorno de Nürburgring ao calendário. Acabo de ler que Felipe Massa receberá apenas uma multa de dez mil euros pelo seu segundo pit-stop. Vitória no bolso, portanto. E que venha o GP da Bélgica.

No tradicionalíssimo Spa-Francorchamps, devemos ter uma etapa mais interessante. Adios, belíssima Valência. Bela demais para pouca emoção.

domingo, 3 de agosto de 2008

Coisas do esporte

Juan Manuel Fangio se foi há 13 anos, mas uma brilhante frase do argentino jamais sumirá enquanto existirem as competições do esporte a motor: “Carreras son carreras”. Corridas são corridas e só acabam após a bandeirada.

Faltaram três voltas para Felipe Massa concretizar em vitória uma de suas mais belas atuações na Fórmula 1. Uma largada arrojada e calculada para saltar de terceiro para a liderança. Uma tocada firme e constante durante todo o GP para o espanto de todos que apostavam no domínio das McLaren. Uma dose de sorte com o problema de pneu enfrentado por Lewis Hamilton. Um motor estourado no finzinho da etapa. Revolta, decepção, lágrimas.

O brasileiro não levou, mas foi o grande nome da corrida húngara. Pilotou soberano do princípio ao fim. Uma pena que o desfecho tenha lhe tirado chance de retomar a liderança da classificação. Saiu no prejuízo ao cair para a terceira posição da tabela.

Azar de uns, sorte de outros. No caso, o sortudo do dia foi Heikki Kovalainen, o centésimo vencedor da história da categoria. Caiu no seu colo esta conquista, mas o finlandês pouco se importou, vibrando muito no pódio. Certo ele, um nórdico fora dos padrões de frieza. Este sorri e fala bastante, ao contrário do compatriota Kimi Raikkonen.

O campeão do mundo terminou em terceiro, numa atuação semelhante a que havia exibido em Hockenheim. “Morto” nos treinos e durante dois terços da corrida, porém extremamente veloz no final. Difícil entender. Com os problemas dos rivais, colocou-se novamente na briga pelo Mundial, embora seja pouco merecedor — ao menos por enquanto — do bicampeonato.

Entre os finlandeses, a boa surpresa da etapa: Timo Glock. Uma nova mostra de que os acidentes, de maneira inexplicável, costumam fazer bem aos pilotos. O tedesco bateu forte na Alemanha e voltou com toda a corda em Budapeste, tirando proveito da também surpreendente adaptação da Toyota ao traçado de Hungaroring. Um desempenho que tende a ser mantido para o GP da Europa, nas ruas de Valência, em função das características do circuito.

Além da equipe japonesa, quem sai contente da prova de Budapeste é a Renault. O time francês pontuou com seus dois carros. Tanto Fernando Alonso (4º) quanto Nelson Piquet (6º) andaram no limite com um carro que demonstrou certa evolução. No caso do brasileiro, destaque também por ter feito a quarta melhor volta da corrida. Está acelerando para valer o rapaz.

Ensanduichado pelas Renault, Lewis Hamilton saiu no lucro daquele que podia ser um dia de plena lamentação. O quinto lugar o deixou com cinco pontos de vantagem sobre Kimi Raikkonen na liderança do certame, mas ao mesmo tempo com o alerta de que a Ferrari segue forte na briga pelo caneco.

Quem vai se distanciando da batalha pelo título é a BMW. A escuderia alemã viveu um domingo sem brilho com seus dois pilotos. Robert Kubica até andou em quarto no princípio de corrida, só que sumiu depois da primeira parada de box. Chegou em oitavo, atrás da Toyota de Jarno Trulli. Nick Heidfeld, que na opinião deste escriba cai fora do time no fim do ano, ficou em décimo.

Uma corrida de vários problemas com as mangueiras de reabastecimento. Sébastien Bourdais, Rubens Barrichello, Kazuki Nakajima, alguém mais? Creio que só. No caso do brasileiro da Honda, a demora no pit estragou a tocada razoável que vinha imprimindo. De 13º foi para 16º.

McLaren na frente, com Hamilton, no Mundial de Pilotos. Ferrari em primeiro entre os Construtores. Sete corridas pela frente e três pilotos com totais condições de faturar a taça. A Ferrari já foi favorita, a McLaren desembarcou na Hungria como nova estrela, mas surpreendida pela rival até a antepenúltima volta. E agora? Respostas só daqui a três semanas, na Espanha.