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domingo, 14 de setembro de 2008

Talento maior do que qualquer palavra

Ele disse que não sabia o que dizer; mas que mal há nisso? Em vez de palavras, Sebastian Vettel mostrou atitude e um grande talento para vencer sua primeira corrida na Fórmula 1 com a facilidade e arrojo de um piloto experiente a bordo de um carro de ponta. A diferença é que se tratou de um garoto de 21 anos, com apenas 22 GPs no currículo e um monoposto mediano.

Uma vitória em Monza que ninguém pode chamar de circunstancial, pois não foi o caso de uma zebra ocasionada após o abandono dos competidores mais fortes. Vettel foi soberano no piso molhado, no úmido e também no quase seco. Ganhou com a presença de Ferrari, McLaren e BMW na pista. Brilhou porque derrotou a todos mesmo sem dispor do melhor equipamento. Um dia histórico, sem dúvida.

Tão impressionante quanto a atuação foi a naturalidade com que o garoto vivenciou a sensação do triunfo inédito na categoria. No lugar do choro compulsivo, o sorriso exacerbado de quem está acostumado com a celebração de grandes conquistas. Mais um motivo para admirarmos o tedesco.

Um grande dia para a Toro Rosso, a nova equipe vencedora do circo e a primeira escuderia italiana não Ferrari a subir no degrau mais alto do pódio desde a Benetton, ganhadora do GP da Alemanha de 1997 com Gerhard Berger, que não participava da cerimônia do champanhe desde aquela ocasião. Outro que mereceu a conquista deste domingo.

Apesar de todos os méritos e implicâncias da vitória de Vettel e do time filial da Red Bull, o agitado GP da Itália exaltou a genialidade de outro garoto: Lewis Hamilton. O inglês salvou uma corrida que parecia perdida para ele em termos de campeonato ao chegar em sétimo. Protagonizou belíssimas ultrapassagens sem se preocupar com quem estivesse a sua frente. Exagerou em certos momentos, mas ainda assim foi incrível.

Não fosse a necessidade de trocar os pneus de chuva pelos intermediários, o britânico da McLaren teria saído da Itália com uma vantagem ainda maior sobre Felipe Massa na liderança do Mundial, que agora é de apenas um ponto. A diferença hoje parece ser o de menos para Lewis, afinal conseguiu provar a todos o que havia dito ao longo da semana: ele tem mais peito que qualquer um para acelerar no molhado e nem mesmo a punição sofrida em Spa foi capaz de mudar isso.

Para Felipe Massa, a sexta posição acabou sendo pouco. Tudo bem que a Ferrari estava ruim nas condições de asfalto molhado, mas faltou um pouco mais de arrojo do piloto que se classificou como um bundão na última corrida. Apesar da bela manobra sobre Nico Rosberg, o brasileiro repetiu o desempenho da Bélgica. A diferença é que desta vez ninguém bateu ou foi punido.

Lá na frente, mesmo com o excelente carro para as condições de chuva, Heikki Kovalainen foi medíocre durante todo o Grande Prêmio. Um segundo lugar com sabor de fracasso, ao menos para quem estava assistindo à prova. Nada fez desde a largada à bandeirada, apenas se manteve na pista para chegar atrás do vencedor. Muito ruim para quem dirige uma McLaren.

Na terceira posição, algo mais interessante. Robert Kubica, de capacete especial para recordar o seu primeiro pódio na F-1, lembrou-se mais ainda do feito de 2006 ao repetir o terceiro lugar, depois de ter partido de 11º. Com todos os méritos, o polonês da BMW assumiu de vez a terceira colocação na classificação do campeonato e se manteve com chances matemáticas de ser uma enorme zebra na briga pelo título entre Hamilton e Massa. Uma conjectura difícil de concretizar, mas que o feioso competente segue fazendo bonito, ah segue!

Fernando Alonso, depois de perguntar diversas vezes pelo rádio se alguém havia arriscado usar os pneus intermediários, mostrou a desenvoltura de bicampeão para encarar o circuito com tais calçados. E se deu bem, obtendo pela quarta vez no ano a quarta posição, seu melhor resultado até aqui. No Mundial, é o sétimo e o melhor classificado dentre os que não fazem parte do G3.

Outro que fez uma boa exibição em Monza foi Nick Heidfeld, o quinto colocado e agora somente quatro pontos atrás de Kimi Raikkonen na tabela de pontuação. Raikkonen? Novamente apagado e longe de ser aquele piloto que se apresentou na Bélgica. Terminou em nono, depois de andar mais da metade da corrida acima da décima colocação. Como de costume em 2008, acordou quando já não dava para fazer mais nada em termos de um bom resultado. Ah, mas conseguiu outra volta mais rápida para seu currículo. Uma grande porcaria.

Com 20 pontos a menos que Massa, 21 atrás de Hamilton e sete de Kubica, o finlandês está definitivamente morto na briga pelo título. O negócio agora é ralar para ficar ao menos em terceiro e evitar um vexame maior.

Esquecemos de Mark Webber, o oitavo com a Red Bull. O que dizer do australiano? Foi o leão de treinos de sempre e mediano na corrida. Nada a ser acrescentado. Ou melhor, vale um adendo: é bom ele começar a ter algum brilho dentro da equipe porque Vettel está a caminho.

Dos demais brasileiros, Nelson Piquet foi o menos ruim. Retardou ao máximo sua única parada para reabastecimento e conseguiu o décimo posto. Pelo menos não abandonou, o que complicaria a sua vida na Renault. Já Rubens Barrichello conseguiu ser pior que a posição de largada. De 16º no grid para 17º ao final da prova com o horroroso bólido da Honda.

Na lista de lamentações de Monza, destaque para três pilotos: Nico Rosberg por conta da queda de rendimento da Williams, que resultou num péssimo 14º lugar, Sébastien Bourdais pelo problema enfrentado logo na volta de apresentação — não fosse isso poderia ter brigado por um lugar no pódio e aumentar a festa da Toro Rosso — e Giancarlo Fisichella, o único que abandonou, mas valente por segurar a Ferrari de Raikkonen e a McLaren de Hamilton no começo da prova.

O barbeiro do dia, sem titubear, foi David Coulthard. Mas o escocês está em vias de pendurar o capacete. Por isso, tenhamos um pouco mais de paciência.

A Fórmula 1 se despede da Europa com duas excelentes corridas. Que venha a etapa noturna de Cingapura e mais incógnitas sobre quem levará a melhor na pista inédita e também no campeonato. Entre os construtores, arrisco um palpite: a McLaren, somente cinco pontos atrás da Ferrari, conseguirá o título.

O primeiro pós 100º

Sebastian Vettel é o vencedor de número 101 da história da Fórmula 1 e o primeiro alemão a vencer na categoria após Michael Schumacher, cujo último triunfo havia sido alcançado no GP da China de 2006.

Para a Alemanha, segundo país com o maior número de proezas na categoria, atrás apenas da Grã Bretanha, foi a 104ª conquista no torneio e o sexto representante da nação a brilhar na classe máxima do automobilismo. Antes do Tião, estiveram no topo do pódio Wolfgang von Trips (2), Jochen Mass (1), Michael Schumacher (91), Heinz-Harald Frentzen (3) e Ralf Schumacher (6).

No ano, Vettel é o terceiro piloto a sentir o gostinho da primeira vitória, juntamente com Heikki Kovalainen e Robert Kubica. A última vez que se viu três novos vencedores numa mesma temporada foi em 2003, com Kimi Raikkonen, Giancarlo Fisichella e Fernando Alonso.

Será que teremos um quarto nome nesta lista? Se acontecer, será um feito raro que não se vê desde 1982, quando cinco competidores celebraram suas primeiras conquistas: Michele Alboreto, Keke Rosberg, Elio de Angelis, Patrick Tambay e Riccardo Patrese.

Juventude dominante

Um dia após se tornar o pole-position mais jovem da história, Sebastian Vettel entra para o livro dos recordes como o vencedor mais precoce da Fórmula 1. Venceu no templo sagrado de Monza aos 21 anos, 2 meses e 11 dias, superando a marca de Fernando Alonso alcançada no GP da Hungria de 2003, quando debutou no degrau mais alto do pódio aos 22 anos e 26 dias.

No pódio, mais precocidade. Vettel, Heikki Kovalainen e Robert Kubica, três pilotos que conquistaram em 2008 suas primeiras pole e vitória, formaram a cerimônia do champanhe mais juvenil da categoria, com uma média etária de 23 anos, 11 meses e 16 dias.

A marca batida também havia sido registrada neste ano. Foi no GP da Alemanha, quando Lewis Hamilton, Nelson Piquet e Felipe Massa computaram 24 anos, 7 meses e 13 dias. Difícil imaginar a quebra desses novos índices, mas como a F-1 está cada dia mais jovem não vale a pena queimar a língua.

Fim e nascimento celebrados em Monza

Em 2006, um multi-campeão vencia pela última vez na casa da Ferrari e anunciava ao mundo a sua aposentaria. No pódio, hino alemão e da Itália para o piloto e equipe vencedores, com um finlandês de McLaren em segundo e um polonês de BMW na terceira posição.

Em 2008, um jovem alemão faz história em Monza ao ser o primeiro piloto de sua nação a vencer após Michael Schumacher. No pódio, hino germânico e da Itália para o piloto e equipe vencedores, com um finlandês de McLaren em segundo e um polonês de BMW na terceira posição.

sábado, 13 de setembro de 2008

O pole de número 92

Sebastian Vettel é o 92º piloto da história a conseguir uma pole-position na Fórmula 1 e o sexto competidor da Alemanha a obter tal proeza. Junta-se ao time de tedescos formado por Wolfgang von Trips, Michael Schumacher, Heinz-Harald Frentzen, Ralf Schumacher e Nick Heidfeld.

No ano, a jovem estrela da Toro Rosso é o terceiro corredor a debutar na posição de honra do grid. Estão nesta lista Robert Kubica, pole no Bahrein, e Heikki Kovalainen, o ponteiro da formação de largada na Inglaterra.

A última vez que a categoria registrou três novos poles numa mesma temporada foi em 1994, quando Michael Schumacher, Jean Alesi e Rubens Barrichello alcançaram o feito.

Os que estrearam na pole em 2008 já conseguiram neste mesmo ano a primeira vitória na carreira. Será que Vettel também entra nesta turma?

Menino ganha a loteria

Como não aceitaram a participação de Michael Phelps na piscina em que se transformou o circuito de Monza, o treino de classificação transformou-se mesmo numa enorme loteria com direito a novas marcas históricas para a Fórmula 1.

Sebastian Vettel, a quem muitos creditam os votos de futuro astro da Alemanha na Era pós-Schumacher, conquistou a pole-position no dilúvio da pista italiana. Garantiu aos germânicos a primeira posição de honra do grid desde a aposentadoria do multi-campeão e de lambuja quebrou um recorde da categoria.

Aos 21 anos, 2 meses e 11 dias, o menino talentoso passa a ser o pole mais jovem da história, superando o índice que pertencia a Fernando Alonso, primeiro colocado do grid do GP da Malásia de 2003 aos 21 anos, 7 meses e 22 dias.

Tão eufórica quanto o piloto após o feito extraordinário, a Toro Rosso vibrou a sua primeira pole na competição e também o quarto lugar de Sébastien Bourdais. Dois resultados inéditos para a equipe, cujo melhor desempenho em treinos até então era o sexto posto de Vettel no GP da Europa deste ano.

Nada de falar dos outros por enquanto, tenham paciência. Afinal de contas o sábado marcou ainda a primeira pole da Ferrari como fornecedora de motores. E por que não dizermos também que foi a primeira pole de Gerhard Berger, dirigente do time satélite da Red Bull, desde o GP da Alemanha de 1997? Uma merecida conquista para este grupo vibrante e ainda jovem na F-1.

Na segunda posição, algo mais convencional no que diz respeito ao quadro de forças da categoria: Heikki Kovalainen, com a McLaren bastante forte na chuva, mas incapaz de estragar a festa do Tião da Toro Rosso. Apesar do fracasso na luta pela pole, o piloto finlandês mostrou uma bela perícia para acelerar no molhado sendo forte desde o Q1, ao contrário daqueles que se dizem bons no sabão.

Kimi Raikkonen e Lewis Hamilton, dois caras indiscutivelmente feras na pista molhada. O que aconteceu com eles? De certa forma podemos dizer que não decepcionaram, mas sim vacilaram por terem demorado a ir para a pista, que acabou ficando mais encharcada e impediu a melhora dos tempos. Bobearam e tiveram que amargar o 14º e 15º lugares, respectivamente.

Sorte para a estrela ascendente de Felipe Massa, que não tem muitos predicados nas condições chuvosas, mas foi buscar no braço e com muita competência alguns milésimos de segundo para avançar ao Q3. No fim, levou para casa a sexta posição do grid, ótima em termos de campeonato.

Para ajudar ainda mais o brasileiro, é de se esperar um Hamilton atencioso para a largada. Isso porque o inglês sairá atrás de Raikkonen e obviamente não vai querer forçar tudo ao apagar das luzes vermelhas para dar brecha a uma possível escapada de pista e ser forçado a usar a área de escape como fizera na Bélgica.

Voltando aos destaques do treino chegamos a Mark Webber, um dos poucos a confirmar a alcunha de bom de braço na chuva. O australiano ficou em terceiro, enquanto seu companheiro de equipe, David Coulthard, estacionou em 13º. A Fórmula 1 já não é mais um lugar para o escocês; há muito tempo.

No temporal, até a Williams reapareceu nas primeiras posições. Nico Rosberg fez bonito para figurar em quinto, logo à frente de Massa. A Toyota parecia ter condições de tirar mais proveito do molhado, por isso a sétima colocação de Jarno Trulli e o nono tempo de Timo Glock acabaram sendo pouco para o time japonês. Entre os dois apareceu Fernando Alonso, outro que deveria andar melhor na chuva.

Cadê as BMW? Apenas em décimo com Nick Heidfeld e 11º com Robert Kubica. Nada parecido com a equipe que estava forte ontem (no seco, é bom lembrar). Lembremos também de nossa “lição de casa” de ficar de olho na Force India, que conseguiu passar para o Q2 com Giancarlo Fisichella, o 12º. Resultado fantástico para o pior time do grid.

Agora as decepções de praxe, infelizmente. Mas antes da crítica uma pergunta: Por que Rubens Barrichello reza e se bobear faz até dança da chuva para na hora H ficar boiando? Ah, mas é o carro da Honda que não presta, alguns podem dizer. Ta legal, mas até Force India andou na frente de Ferrari e McLaren hoje. Portanto, é complicado aceitar o 16º lugar do veterano.

Nelson Piquet, com a Renault, merece o mesmo tom crítico. Larga num péssimo 16º posto. Pior que o brasileiro, apenas Jenson Button, Kazuki Nakajima e Adrian Sutil. Chove, mas ainda assim uma Force India emplaca o último lugar.

Os meteorologistas não erraram até aqui e apostaram em mais chuva para o domingo. Na pista, é impossível fazer qualquer previsão caso o temporal marque presença. Dos grandes, quem mais tem chances de vitória é Kovalainen, porém nenhum grande ficou com a pole. A pole é de Vettel, uma zebra. Então trabalhemos a hipótese de zebra para amanhã.

Grid de Largada:
1) Sebastian Vettel (ALE/Toro Rosso), 1min37s555
2) Heikki Kovalainen (FIN/McLaren), 1min37s631
3) Mark Webber (AUS/Red Bull), 1min38s117
4) Sébastien Bourdais (FRA/Toro Rosso), 1min38s445
5) Nico Rosberg (ALE/Williams), 1min38s767
6) Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min38s894
7) Jarno Trulli (ITA/Toyota), 1min39s152
8) Fernando Alonso (ESP/Renault), 1min39s751
9) Timo Glock (ALE/Toyota), 1min39s787
10) Nick Heidfeld (ALE/BMW), 1min39s906

Q2
11) Robert Kubica (POL/BMW), 1min36s697
12) Giancarlo Fisichella (ITA/Force India), 1min36s698
13) David Coulthard (ESC/Red Bull), 1min37s248
14) Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), 1min37s522
15) Lewis Hamilton (ING/McLaren), 1min39s265

Q3
16) Rubens Barrichello (BRA/Honda), 1min36s510
17) Nelson Piquet (BRA/Renault), 1min36s630
18) Kazuki Nakajima (JAP/Williams), 1min36s653
19) Jenson Button (ING/Honda), 1min37s006
20) Adrian Sutil (ALE/Force India), 1min37s417

Caras fechadas na Itália

Com uma cara dessas, alguém se atreveria chegar ao lado dele para conversar sobre o GP da Bélgica?

Estaria mordido com a renovação do contrato de Kimi Raikkonen com a Ferrari?

Será que se lembrou de como era fabuloso correr em Monza, ao contrário do que ter de ficar na mureta do pit-lane apenas observando os outros guiarem?

Irritado por estar enfrentando dificuldades para superar Adrian Sutil?

E agora José? Raikkonen renovou, o plano de Alonso mudou, a Honda gostou, a BMW também e Nick Heidfeld se preocupou...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ferrari veloz, finlandês renovado

Um Fórmula 1 de menor distância entre-eixos leva vantagem nas pistas de alta velocidade em que há pontos de freada muito bruscos, como é o caso de Monza. A eficácia desta receita técnica foi vista no segundo treino livre de hoje, com a liderança de Kimi Raikkonen e o bom rendimento das BMW no traçado italiano.

Tanto o carro da Ferrari como o modelo da equipe alemã são menores na largura entre-eixos se comparados com o monoposto da McLaren, portanto, conseguem ter mais agilidade nas retomadas de aceleração e ser mais velozes no contorno das curvas.

Isso não quer dizer que o esquadrão prateado ficará de fora do páreo na classificação e na corrida. Longe disso. Para a sorte de Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen, a desvantagem do maior comprimento em relação aos adversários é reduzida graças ao bom equilíbrio do MP4/23.

Em outras palavras, teremos no fim de semana a tradicional briga entre Ferrari e McLaren pela pole e vitória, mas com uma BMW mais próxima e capaz talvez de incomodar no treino oficial. Na prova, a batalha tende a se restringir entre as duas grandes forças da categoria.

Raikkonen renovou o contrato com a escuderia italiana até o fim de 2010 e se mostrou com vontade de acelerar. Não tem mais nada a perder, como ele mesmo disse. Hamilton, por sua vez, ficou em quarto no ensaio livre, mas não tirou tudo o que pode do carro. Já Felipe Massa reclamou da falta de aderência e acabou em sexto, a quase quatro décimos de segundo de Kimi. Por ter sido um treino de sexta-feira, nada com que se preocupar.

As verdades mesmo aparecerão nas sessões de sábado. Isso se não chover, porque neste caso quem disser que há uma verdade está mentindo. Chuva em um circuito veloz como o da Itália é loteria na certa.

Coisas a se observar amanhã: o desempenho da Williams, quinta colocada hoje com Nico Rosberg; a tentativa da Force India em passar para o Q2 da classificação depois do oitavo tempo de Adrian Sutil e o que vai ser de Renault e Toyota, muito ruins neste primeiro dia de trabalhos.

Na Europa pode

Se isso acontecesse no Brasil xingam a pista, as instalações do autódromo, o país, os brasileiros, São Pedro e se bobear alguém tem que ser levado preso para pagar o pato do dilúvio.

Já na Europa, num dos circuitos mais tradicionais da história do automobilismo, apenas passam o bom e velho rodo. Ou vai de vassoura mesmo, como fizeram algumas equipes nesta sexta-feira.

Chuva rara em Monza

Parece que São Pedro comprou ingressos para a fase final da temporada 2008 da Fórmula 1. Depois de chegar atrasado à corrida de Spa-Francorchamps, o senhor da chuva resolveu se antecipar na etapa de Monza, marcando presença logo no primeiro treino livre.

Além de aumentar a emoção, o “fanatismo” do chamado Príncipe dos Apóstolos pode fazer com que tenhamos uma rara condição climática para a prova no circuito italiano, onde desde 1956 não acontece uma disputa com piso molhado.

Alguns podem se lembrar que em 2004 a corrida começou com asfalto úmido, mas logo secou. Chuva mesmo o GP da Itália só viu na década de 50, quando ainda se andava no desafiador traçado de dez quilômetros, cujo principal destaque era o trecho oval inclinado.

A prova chuvosa de 56 marcou o encerramento daquela temporada e foi vencida por Stirling Moss, a bordo de um Maserati. O segundo lugar, vejam só, ficou com dois pilotos: Peter Collins e Juan Manuel Fangio. Empataram? Nada disso, ambos se revezaram na condução do carro Ferrari. O argentino e campeão do torneio guiou o bólido por 15 voltas, enquanto o britânico se encarregou das últimas 35.

O terceiro posto foi obtido por Ron Flockhart, com o equipamento da Connaught Alta. Sobre a etapa, vale o destaque para o tempo total de disputa: 2h23min41s300. Motivado pela chuva, mas também pela longa extensão do Grande Prêmio. Foram 50 voltas na pista de 10 km. Portanto, 500 km percorridos.

Feitas as recordações, agora é esperar a vontade de São Pedro no que diz respeito a 2008. A previsão do tempo para o domingo, segundo o “Weather Channel”, aponta pancadas de chuva.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Azar dos campeões

"O vacilo seguido de choro de Mika Hakkinen em 1999".

Se Lewis Hamilton e Felipe Massa são de fato os principais concorrentes ao título de 2008, precisam então ficar atentos à sina negativa dos campeões no circuito de Monza, que recebe neste fim de semana a 14ª etapa do Mundial de Fórmula 1.

Realmente impressiona a escassez de vitórias dos detentores do caneco nesta pista. Das últimas 18 edições, somente três delas tiveram como vencedor o piloto que posteriormente faturaria a taça do torneio. Se a análise for relacionada aos competidores, o número fica ainda menor, com apenas dois nomes: Ayrton Senna e Michael Schumacher.

Na última vez em que o campeão triunfou em Monza (2003), Schumacher enfrentou a difícil missão de bater a Williams de Juan Pablo Montoya, tendo também de se preocupar com a McLaren de Kimi Raikkonen, os dois adversários do tedesco na luta pelo título.

Quando a pole parecia ser do colombiano, o multi-campeão fez um tempo genial para ficar com a posição de honra do grid. Na primeira volta, dividiu com o latino a unhas e dentes a Variante Della Roggia, que antecede as famosas curvas de Lesmo. Levou a melhor e seguiu rumo ao topo do pódio.

Antes disso, datava de 2000 a última vitória do campeão do ano no GP da Itália. A façanha coube mais uma vez a Schumacher, que na ocasião emocionou-se por ter igualado o número de proezas de Senna na categoria (41). Ayrton, aliás, que também conseguiu vencer em Monza e depois confirmar o título; fato registrado em 1990.

Outro detalhe a se observar neste período é que somente Damon Hill obteve duas vitórias consecutivas na pista italiana, em 1993 e 1994. Como foi Fernando Alonso o vencedor no ano passado, dificilmente o espanhol terá a chance igualar o feito do inglês, a não ser que haja uma grande zebra.

Vencedor do GP da Itália / Campeão do ano:

2007: Fernando Alonso / Kimi Raikkonen
2006: Michael Schumacher / Fernando Alonso
2005: Juan-Pablo Montoya / Fernando Alonso
2004: Rubens Barrichello / Michael Schumacher
2003: Michael Schumacher / Michael Schumacher
2002: Rubens Barrichello / Michael Schumacher
2001: Juan-Pablo Montoya / Michael Schumacher
2000: Michael Schumacher / Michael Schumacher
1999: Heinz-Harald Frentzen / Mika Hakkinen
1998: Michael Schumacher / Mika Hakkinen
1997: David Coulthard / Jacques Villeneuve
1996: Michael Schumacher / Damon Hill
1995: Johnny Herbert / Michael Schumacher
1994: Damon Hill / Michael Schumacher
1993: Damon Hill / Alain Prost
1992: Ayrton Senna / Nigel Mansell
1991: Nigel Mansell / Ayrton Senna
1990: Ayrton Senna / Ayrton Senna

Uma volta em Monza

Embora a volta mais veloz da história do circuito de Monza tenha sido registrada por Rubens Barrichello em 2004, vamos destacar aqui um giro a bordo da Williams de Juan Pablo Montoya, um sujeito que dava gosto de ver acelerar neste traçado.

A passagem em questão garantiu ao colombiano a pole-position de 2002, com o tempo de 1min20s264 e uma média de 259.828 km/h. Repare nas correções que o piloto faz na primeira parte da curva Di Lesmo, o ataque às zebras e também na escorregada do monoposto durante a entrada e saída da Variante Ascari. Uma volta sensacional!

Vale lembrar que Montoya colheu muitos frutos no GP da Itália. Foi lá que venceu sua primeira corrida na Fórmula 1, em 2001, conquistou três poles, três pódios e também uma outra vitória, em 2005.

Aumente o volume do som para admirar a tocada do "Gordito" e o berro do motor V10 da BMW.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Chega de polêmica, agora é Monza

“Registro da primeira corrida de Fórmula 1 em Monza, no ano de 1950”.

Há 86 anos, os italianos inauguravam no chuvoso 3 de setembro de 1922 aquele que se tornaria um dos autódromos mais tradicionais e velozes do mundo. Nascia ali, 20 quilômetros ao norte de Milão, o legendário circuito de Monza.

Ao lado do GP da Inglaterra, a etapa da Itália é a única realizada desde a temporada de estréia da Fórmula 1. Das 58 edições da prova, 57 foram disputadas no desafiador traçado de Monza. A exceção foi em 1980, quando o Grande Prêmio foi sediado em Ímola.

Embora mantenha as características que a tornaram adorada pela maioria dos pilotos, Monza passou por oito alterações de layout. Até 1971 não havia chicanes, somente audaciosas e perigosas curvas de altíssima velocidade. Entre 1955 e 1961, o complexo teve inclusive um trecho oval com curvões inclinados, o qual existe até hoje e pode ser visitado pelos fãs do esporte a motor.

Na atualidade, a pista italiana é mais rápida do calendário, onde se atinge velocidade média em torno dos 250 km/h. O acerto precisa ter uma baixíssima pressão aerodinâmica, com o menor coeficiente de arrasto possível — o que implica em aerofólios praticamente retos e na eliminação de muitos apêndices aerodinâmicos —, a fim de permitir que os carros ultrapassem a barreira dos 350 km/h na reta principal.

“Stirling Moss, a bordo de um Mercedes-Benz, percorre o trecho oval na prova de 1955”.

A maior velocidade média em uma volta em Grande Prêmio foi alcançada neste circuito: 257,321 km/h, conseguida por Rubens Barrichello, com a Ferrari em 2004. O recorde em classificação também pertence ao brasileiro, que fez a pole-position daquele mesmo ano com uma média de 260,395 km/h.

Ainda sobre os monopostos, vale destacar exigência de uma boa estabilidade para permitir o ataque às zebras e garantir a melhor tração nas saídas das curvas lentas. Os freios são de extrema importância, já que são acionados durante 15% do tempo de cada volta. Na primeira chicane, para se ter uma idéia, os pilotos aplicam no sistema de frenagem uma força equivalente a 4.5 vezes a força da gravidade.

Monza é conhecida também como o último teste para um motor de Fórmula 1. Nesta pista, o propulsor trabalha em regime máximo durante 77% da volta, enquanto a média da temporada é de 61%. O coração do carro precisa ser capaz de trabalhar efetivamente acima dos 275 km/h e suportar as agressivas acelerações e desacelerações. Por isso, é provável que tenhamos alguns abandonos por quebra de motor no próximo domingo.

No que diz respeito à história, o GP da Itália marcou inúmeras consagrações importantes para a F-1. Foi em Monza, por exemplo, que a categoria conheceu seu primeiro campeão, em 1950: o italiano Giuseppe Farina. E foi lá que Michael Schumacher anunciou para o mundo a sua decisão de pendurar o capacete, em 2006.

“Motor da Renault de Fernando Alonso não resistiu à corrida de 2006”.

Tragédias, infelizmente, também fazem parte do “currículo” desta pista. Em 1961, Wolfgang Von Trips morreu após um acidente na curva Parabólica, no qual bateu sua Ferrari na Lotus de Jim Clark e foi lançado em direção às telas de proteção. O alemão foi atirado para fora do carro e caiu no chão já sem vida. O incidente acabou vitimando outras 12 pessoas que estavam nas arquibancadas.

Nove anos depois, Jochen Rindt sofreu um gravíssimo e fatal acidente ao perder o controle do seu Lotus na Parabólica, durante os treinos de sábado — era a estréia do clássico modelo Lotus 72. Naquele certame de 1970, o austríaco se tornaria o único campeão póstumo da categoria.

Para o Brasil, Monza reservou oito momentos de glória, com três vitórias de Nelson Piquet (1983, 1986 e 1987), duas de Ayrton Senna (1990 e 1992) e Rubens Barrichello (2002 e 2004) e uma de Emerson Fittipaldi (1972). A conquista do “Rato”, em particular, rendeu-lhe seu primeiro título.

O número de proezas da nação verde-amarela no GP da Itália tem boas chances de aumentar no fim de semana com Felipe Massa. A vitória do brazuca na “casa” da Ferrari teria um sabor ainda mais especial, pois garantiria ao piloto a retomada da liderança do campeonato, independente da colocação de Lewis Hamilton.

"Rubens Barrichello venceu duas vezes e fez as voltas mais velozes desta pista".

Um triunfo de Felipe com o inglês em segundo os deixariam empatados em número de pontos — ambos com 84 —, porém o brasileiro ficaria na frente por ter seis vitórias contra quatro do adversário.

Seis vitórias! Uma façanha não alcançada pelo Brasil desde 1991, ano do tricampeonato de Ayrton Senna. Nosso último campeão, na verdade, ganhou sete provas naquela temporada.

Mais um detalhe interessante para a 14ª etapa do Mundial: os postulantes ao título jamais venceram em Monza. Dos pilotos em atividade, somente David Coulthard, Barrichello (duas vezes) e Fernando Alonso.

Quem será o novo vencedor nesta pista?

Ficha técnica - GP da Itália

Circuito de Monza
Extensão: 5.793 m
Voltas: 53 (306.720 km)
Número de curvas: 10 (6 para a esquerda, 4 para a direita)
Velocidade máxima: 368 km/h
Provas realizadas: 57
Recorde de pole-position: Rubens Barrichello em 2004 com a Ferrari (1min20s089)
Melhor volta em corrida: Rubens Barrichello em 2004 com a Ferrari (1min21s046)

domingo, 9 de setembro de 2007

O que virá agora?

Conseguirá a FIA estragar, na próxima quinta-feira, a incrível batalha pelo título protagonizada pelos pilotos da McLaren? Restará ainda alguma esperança de a Ferrari virar o jogo faltando apenas quatro etapas para o encerramento do campeonato? Lewis Hamilton ou Fernando Alonso, qual dos dois será o campeão?

Essas são as perguntas que ganham maior repercussão depois da dobradinha histórica da McLaren no GP da Itália; a primeira da equipe no circuito de Monza. Fernandinho, na autoridade e competência de bicampeão, venceu com todos os méritos a 13ª corrida do certame, disputada neste domingo.

O espanhol foi o primeiro da turma do “G4” a quebrar a barreira de três vitórias no ano e se manteve como o único competidor a pontuar em todas as provas de 2007. Mas o feito mais importante foi o de ter encurtado para somente três pontos a diferença que o separa da jovem estrela Hamilton, uma desvantagem que já foi de 14 tentos após o GP da França.

Em uma conta bem simples, basta o asturiano vencer mais duas para assumir a liderança do torneio e rumar em direção ao impressionante tricampeonato de “verdade”, um feito inédito na história da Fórmula 1 — os três primeiros títulos conquistados de forma consecutiva.

Para isso, porém, terá de derrotar um garoto formidável chamado Hamilton, que deixou hoje todos os amantes do esporte a motor arrepiados ao encenar uma magnífica ultrapassagem sobre Kimi Raikkonen, na briga pelo segundo lugar. Com um carro muito mais veloz, o britânico não pensou duas vezes e foi para o ataque sobre o finlandês, fazendo a primeira chicane do circuito com o monoposto quase que de lado. Sensacional manobra, sem dúvida a mais bela deste ano.

Com 40 pontos em jogo e diante do forte equilíbrio e rivalidade entre os pilotos da McLaren, não é difícil de prever que a luta pela taça de campeão se estenderá até a última etapa, o GP do Brasil. Mas tudo dependerá do que será decidido no Conselho Mundial da FIA, no próximo dia 13. Caso a provável punição imposta ao time prateado — em função do roubo de informações técnicas pertencentes à
Ferrari — também afete os corredores, a Ferrari voltará a sonhar com o título, que neste momento parece ser quase impossível de ser conquistado por qualquer um dos representantes da escuderia italiana.

Raikkonen, apesar do merecido terceiro lugar em Monza, depois de ter largado em quinto, sofrido um forte acidente nos treinos que o deixou com muitas dores no pescoço e da estratégia de apenas um pit-stop, viu a diferença que o separa de Hamilton na classificação aumentar para 18 pontos. Para ser campeão, portanto, o “Homem de Gelo” não depende apenas de si; teria de contar com problemas dos adversários, o que neste ano tem se mostrado muito difícil de acontecer.

Para Felipe Massa, o sonho de ser campeão parece ter chegado ao fim neste domingo com a falha mecânica de seu carro, que o deixou na mão ainda no início da corrida. Caiu para quarto na tabela de pontos, estando agora a distantes 23 tentos do “negão”. Um triste desfecho para o brasileiro, que nesta altura do campeonato só pode ser salvo por um milagre.

Uma salvação para o brazuca pode vir no julgamento do Conselho Mundial. Mas as perguntas que passam a surgir são as seguintes: que graça teria um título para a Ferrari e para nós, brasileiros, caso os pilotos da McLaren percam todos os seus pontos? Alonso e Hamilton devem ser punidos junto com o time, pela simples lógica de que fazerem parte de um grupo? São questões extremamente controversas que ultrapassam os limites dos circuitos e com poder de manchar a belíssima temporada que vem sendo disputada entre quatro grandes competidores.

Fica agora a expectativa pela decisão dos dirigentes da FIA e dos reflexos que poderá causar na disputa do GP da Bélgica, agendado para o próximo fim de semana. Em Spa-Francorchamps, independentemente do que for sentenciado sobre a alegação de espionagem, a tendência é de que os carros vermelhos voltem a ter vantagem sobre os adversários prateados, tornando a briga na pista ainda mais acirrada; o que todos nós torcedores desejamos ver.

Uma corrida interessante

Em termos gerais, podemos classificar como bom o Grande Prêmio de hoje no legendário autódromo de Monza. Apesar da ampla vantagem dos carros da McLaren, a Ferrari garantiu com Kimi Raikkonen alguns momentos de tensão com a estratégia ousada de um único pit-stop. No fim das contas, não resultou em nenhum ganho para o time italiano, mas proporcionou a linda ultrapassagem de Lewis Hamilton sobre o finlandês na recuperação do segundo lugar.

Outra manobra digna de elogios foi a de Robert Kubica sobre Nico Rosberg na luta pela quinta posição, em que o polonês foi pela linha de fora do traçado, no fim da reta principal, e conseguiu superar a Williams do tedesco. Em quarto, destaque para Nick Heidfeld, da BMW, o vencedor da corrida do “resto”, com uma tocada firme desde a largada.

Mas nada foi tão surpreendente neste dia do que o pontinho conquistado por Jenson Button para a Honda. Foi a segunda vez no ano que a equipe japonesa terminou em oitavo e a primeira com seus dois pilotos entre os dez melhores — Rubens Barrichello, ainda zerado no mundial, chegou em décimo. Se o time japonês mantiver esse ritmo, talvez o veterano brasileiro consiga um mísero tento até o encerramento do certame.

Mesmo em uma pista em que a exigência do equipamento é bastante significativa, apenas dois carros não completaram as 53 voltas do GP, sendo somente o de Massa por problemas mecânicos. Esta é a realidade da
Fórmula 1, uma categoria de bólidos praticamente inquebráveis.

Faltam quatro etapas, de um campeonato teoricamente nas mãos da McLaren. Pelo menos até quinta-feira.

sábado, 8 de setembro de 2007

Pole-position no ápice da trama

Que diretor de cinema conseguiria montar um roteiro tão impressionante e sensacional como o que tem sido “escrito” para o GP da Itália de Fórmula 1? Uma trama em que a grande vilã, McLaren, vive a ansiedade de ser julgada por um sério crime cometido e o misto de ódio e alegria por ver um de seus comparsas, Fernando Alonso, mostrar-se um traidor, mas ao mesmo tempo responsável por colocar a equipe na frente do grid em Monza, na casa da arqui-rival Ferrari.

Some-se a essa história o personagem Lewis Hamilton, que garantiu ao time prateado a dobradinha para a corrida e que não vai aliviar o pé no acelerador na briga pela vitória, principalmente na largada, numa pista onde os enroscos são freqüentes. A conseqüência deste ótimo enredo? Bilheterias lotadas!

Sem chances de derrotar a adversária, restou à Ferrari se contentar com a terceira posição, obtida por Felipe Massa. Em ritmo de corrida, os bólidos vermelhos costumam ser melhores que os da equipe inglesa, mas nada de assombroso que aparente uma virada de jogo. Em poucas palavras, a McLaren só perde essa para ela mesma. E depois, que venha o julgamento do Conselho Mundial da FIA, agendado para a próxima quinta-feira, no qual provavelmente sairá uma dura punição.

Nick Heidfeld, mesmo cometendo um erro na curva Parabólica, intrometeu-se entre as protagonistas e colocou o carro da BMW na quarta colocação, superando o azarado Kimi Raikkonen, que desta vez teve a zica de sofrer um forte acidente no treino livre realizado na manhã deste sábado. Com o carro reserva, equipado com o motor do titular, o finlandês amargou o quinto posto. Bom para Massa, que pode sair da Itália com a promoção de número 1 da Ferrari para a luta pelo título.

Na lista dos dez primeiros, surpresa apenas na aparição de Jenson Button em décimo com o fraco carro da Honda. Rubens Barrichello ficou no quase em sua tentativa de disputar a Superpole. Largará em 12º. Já a decepção no treino foi encenada por Giancarlo Fisichella, 15º, piloto que dificilmente permanecerá na Renault em 2008. Outro que dá pena de ver guiar é o alemão Ralf Schumacher, 18º colocado. Esse sim já era — ou haveria alguma equipe estúpida interessada em seus serviços para o ano que vem?

Alonso leva a corrida amanhã, com Massa em segundo. Arrisco um palpite na presença de uma BMW no terceiro lugar. E você já sabe: largada às 9h00 (de Brasília). Programe o relógio!

Grid de largada:
1) Fernando Alonso (ESP/McLaren), 1min21s997
2) Lewis Hamilton (ING/McLaren), 1min22s034
3) Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min22s549
4) Nick Heidfeld (ALE/BMW), 1min23s174
5) Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), 1min23s183
6) Robert Kubica (POL/BMW), 1min23s446
7) Heikki Kovalainen (FIN/Renault), 1min24s102
8) Nico Rosberg (ALE/Williams), 1min24s382
9) Jarno Trulli (ITA/Toyota), 1min24s555
10) Jenson Button (ING/Honda), 1min25s165
11) Mark Webber (AUS/Red Bull), 1min23s166
12) Rubens Barrichello (BRA/Honda), 1min23s176
13) Alexander Wurz (AUT/Williams), 1min23s209
14) Anthony Davidson (ING/Super Aguri), 1min23s274
15) Giancarlo Fisichella (ITA/Renault), 1min23s325
16) Sebastian Vettel (ALE/Toro Rosso), 1min23s351
17) Takuma Sato (JAP/Super Aguri), 1min23s749
18) Ralf Schumacher (ALE/Toyota), 1min23s787
19) Vitantonio Liuzzi (ITA/Toro Rosso), 1min23s886
20) David Coulthard (ESC/Red Bull), 1min24s019
21) Adrian Sutil (ALE/Spyker), 1min24s699

22) Sakon Yamamoto (JAP/Spyker), 1min25s084

McLaren sobra, Ferrari se complica

Raikkonen bateu forte, mas saiu ileso.

Tensões dos bastidores a parte, a McLaren está confirmando cada vez mais o seu favoritismo no GP da Itália. No treino livre realizado na manhã deste sábado, o time prateado fez a dobradinha com Fernando Alonso e Lewis Hamilton, colocando mais de meio segundo sobre Felipe Massa, que obteve a terceira posição.

Para a Ferrari, a situação na pista de Monza não vai nada bem. Além da desvantagem em relação à rival britânica, a escuderia italiana viu o carro de Kimi Raikkonen se espatifar no muro em um fortíssimo acidente.

Um problema mecânico, ao que tudo indica, fez o finlandês perder o controle do monoposto na entrada da variante Ascari, feita em alta velocidade, e ir ao encontro da mureta de concreto a cerca de 200 km/h. Felizmente, o “Homem de Gelo” saiu ileso e andando, mas complicou todo o seu fim de semana. Se conseguir largar entre os quatro primeiros, já será muito.

Difícil imaginar uma surpresa para o resultado da sessão classificatória. Alonso é o mais cotado para a pole-position, embora Hamilton não possa ser descartado da briga, pois já mostrou neste ano que sabe guardar fôlego para o treino oficial — foi assim na Hungria, lembram-se?

Por ser uma pista que possibilita ultrapassagens, Massa bem que poderia adotar uma estratégia ousada para tentar o bote diante dos rivais. Torço por isso, mas acho difícil. Sendo assim, aposto em Felipe e Heidfeld para a segunda fila do grid.

Que venha a classificação!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Equilíbrio falso ou verdadeiro?

Ferrari e McLaren andaram muito próximas neste primeiro dia de treinos livres para o GP da Itália, palco da 13ª etapa do mundial de Fórmula 1. Fernando Alonso foi o mais veloz da sexta-feira com a marca de 1min22s386, obtida na segunda sessão. Kimi Raikkonen andou na frente no ensaio matinal e ficou com o segundo melhor giro na combinação dos resultados, sendo apenas 0s060 mais lento que o asturiano.

Felipe Massa e Lewis Hamilton vieram em seguida na lista das melhores marcas do dia, mostrando um forte equilíbrio entre os integrantes do “G4”, postulantes à vitória. Mas estou ansioso para ver se essa proximidade será mantida nos treinos de sábado, pois como as equipes já haviam treinado em Monza na última semana, não teriam razões para mostrar, hoje, todo o potencial logo de cara. As armas, portanto, serão apresentadas com maior clareza amanhã.

Por esses motivos, continuo apostando numa ligeira vantagem dos carros prateados. O que não quer dizer que descarto a possibilidade de ver um bólido da Ferrari fazendo a pole-position, afinal, o circuito italiano exige muito do papel do piloto. E tenho comigo que será este o fator decisivo para a corrida deste fim de semana.

Um bom exemplo para confirmar a importância do “braço” foi a classificação de 2003, em que Michael Schumacher largou na frente de Juan Pablo Montoya após completar com extrema precisão o terceiro setor do traçado. O alemão buscou na raça alguns milésimos de segundo na Variante Ascari e, principalmente, na curva Parabólica, dando um passo importante rumo à vitória.

Tudo indica que teremos uma cena semelhante na edição deste ano do Grande Prêmio. A única dúvida é sobre quem tirará o coelho da cartola. Meu candidato, neste momento, é Fernandinho, tendo como grande adversário o “Homem de Gelo”, que sempre andou muito rápido nesta pista. Aguardemos ansiosos os próximos treinos!

Sobre o restante da turma, o grande destaque — o que já não é mais surpresa — foi Nico Rosberg, o quinto colocado em ambos os treinos. Impressiona a evolução que este jovem tedesco vem alcançando no certame, assim como o crescimento da Williams neste terço final da temporada. E "Sir Frank" já prometeu um carro revolucionário para 2008, o qual terá a missão de levar a equipe de volta ao páreo pelas vitórias. Seria muito bom se isso acontecesse.

Combinado dos treinos livres:
1) Fernando Alonso (ESP/McLaren), 1min22s386
2) Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), 1min22s446
3) Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min22s590
4) Lewis Hamilton (ING/McLaren), 1min22s618
5) Nico Rosberg (ALE/Williams), 1min23s472
6) Giancarlo Fisichella (ITA/Renault), 1min23s584
7) Robert Kubica (POL/BMW), 1min23s599
8) Jenson Button (ING/Honda), 1min23s668
9) Nick Heidfeld (ALE/BMW), 1min23s821
10) Heikki Kovalainen (FIN/Renault), 1min23s848
11) Alexander Wurz (AUT/Williams), 1min23s881
12) Jarno Trulli (ITA/Toyota), 1min23s919
13) Ralf Schumacher (ALE/Toyota), 1min23s922
14) Mark Webber (AUS/Red Bull), 1min24s328
15) Rubens Barrichello (BRA/Honda), 1min24s462
16) Takuma Sato (JAP/Super Aguri), 1min24s587
17) David Coulthard (ESC/Red Bull), 1min24s605
18) Anthony Davidson (ING/Super Aguri), 1min24s694
19) Adrian Sutil (ALE/Spyker), 1min25s130
20) Sebastian Vettel (ALE/Toro Rosso), 1min25s439
21) Sakon Yamamoto (JAP/Spyker), 1min25s448

22) Vitantonio Liuzzi (ITA/Toro Rosso), 1min25s567

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Charme na véspera dos treinos





Momentos decisivos

Isto sim é um prato cheio para a degustação dos amantes da Fórmula 1: para este domingo, o GP da Itália no tradicional circuito de Monza. Em seguida, já próximo fim de semana, o GP da Bélgica na desafiadora pista de Spa-Francorchamps. E no intervalo entre as duas etapas, um recheio tenso representado pelo Conselho Mundial da FIA, que se reunirá mais uma vez para discutir o caso de espionagem envolvendo Ferrari e McLaren.

As maiores atenções, obviamente, estão voltadas para o que acontecerá no dia 13 de setembro, quando a entidade máxima do automobilismo apresentará as novas evidências que podem manchar a história vencedora da escuderia prateada e abalar o campeonato extremamente acirrado que vem sendo o deste ano.

Se ficar comprovado que a equipe de Ron Dennis se beneficiou do dossiê surrupiado da
Ferrari, a pena pode chegar à exclusão do time nos certames de 2007 até no de 2008. Punição que desmoralizaria a McLaren perante os patrocinadores, os próprios pilotos, a tudo!

O que podemos compreender neste momento é que desta vez sairá um “castigo”, independente de qual magnitude, pois o Conselho Mundial não seria tão ingênuo de promover uma nova marmelada como foi a da primeira audiência sobre o episódio de espionagens. A McLaren, portanto, está em maus lençóis.

Na pista de Monza, porém, a equipe inglesa tem boas chances de se mostrar superior que as Ferrari, como fez nos testes coletivos da semana passada. Caso essa previsão se confirme, seria mais um ingrediente explosivo para apimentar a reta final da temporada.

Imaginem, por exemplo, se a punição imposta pela FIA seja a suspensão do time britânico por uma ou duas corridas. Isso balançaria a disputa pelo título de tal forma que seria dificílimo de se fazer, agora, qualquer prognóstico sobre o desfecho do campeonato. O bom de toda essa turbulência é o fato de Interlagos ser o palco do último ato desta história; sorte a nossa.

Para a corrida deste fim de semana, aposto em vitória da McLaren. Em Spa, com ou sem os carros prateados, vence a Ferrari. E que venham depois as provas asiáticas e o aguardado GP do Brasil.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Os traçados de Monza

Desenho inaugural, com 6.300 metros de extensão, utilizado pela Fórmula 1 entre 1950 e 1954.

Em 1955, “nasce” a Parabólica e extingue-se a Curva di Vedano. Nas edições de 55, 56, 60 e 61, a corrida é disputada em um circuito maior, com 10 km, cujo principal destaque é o trecho oval.

Nos intervalos de 1957-1959 e 1962-1971, a F-1 deixou de lado a parte oval de Monza. Com isso, o comprimento de volta caiu para 5.750 m.

Em prol da segurança, foram instaladas duas variantes, que aumentaram o percurso dos GPs de 1972 e 1973 para 5.775 metros.

Para as provas de 74 e 75, a Variante Ascari sofreu uma leve modificação, transformando-se num setor mais veloz. A extensão da pista passou a ser de 5.780 m.

Entre 1976 e 1994, o autódromo italiano teve uma configuração de 5.800 m, além de uma nova variante (della Roggia) e um desenho mais travado para a Variante del Rettifilo.

De 1995 a 1999, pequenos ajustes no trecho entre a Curva Grande e a Curve di Lesmo, com uma redução da pista para 5.770 m.

Em 2000, nova alteração na Variante del Rettifilo, que passou a ter seu primeiro contorno para a direita. Desde então, a volta passou a ter 5.793 metros.